sábado, 25 de outubro de 2014

Marco Aurélio Nogueira - Amanhã há de ser outro dia

- O Estado de S. Paulo

Termina amanhã, domingo, aquela que muitos consideram a mais virulenta e imprevisível eleição presidencial da História brasileira. O que deveria ter sido uma festa da democracia se arrastou como um drama alimentado por perfídias, acusações sórdidas e tramoias de destruição pessoal, banhado por uma taxa de intolerância e sectarismo difícil de ser esquecida. A gangorra das pesquisas mostrou um eleitorado dividido e inseguro, o bate-boca nas redes sociais revelou uma cidadania sem educação política.

Não foi a primeira eleição a se valer de ofensas e jogo sujo no Brasil recente. Em 2014, porém, a campanha negativa chamou a atenção, sobretudo, pela intensidade e pela reverberação imediata, movida a internet. Plantados de forma cirúrgica, boatos e difamações cruzaram a arena da disputa, repercutiram com rapidez e dificultaram que o debate eleitoral ganhasse dignidade política.

A campanha negativa também se destacou por ter sido largamente empregada por um partido, o PT, que sempre se apresentou como alvo preferencial de ataques preconceituosos feitos pela mídia e pelas elites. Por ser governo e possuir muitos recursos políticos, o PT deu o tom, determinando o ritmo e o estilo da corrida eleitoral. Escolheu as armas do combate, pagando um preço por isso. Deu corda a um "antipetismo" que não lhe é favorável, sofreu derrotas em Estados importantes e viu sua bancada no Congresso Nacional sofrer séria redução. Mostrou-se aquém de uma esquerda democrática moderna, capaz de decifrar o capitalismo contemporâneo e a sociedade tecnológica que desponta. Terá dias ruins pela frente.

Mas não foi somente o PT a errar e a perder. Perderam e erraram todos, sem exceção, a provar que o sistema político ruiu e novos arranjos partidários se tornaram urgentes. Sem eles e sem uma boa reforma a política continuará colonizada pelo econômico e ainda mais exposta a escândalos, os governos permanecerão medíocres e as oposições democráticas, impotentes.

Por que chegamos a este ponto? Algo aconteceu para que uma importante, mas rotineira competição eleitoral, na qual está dada a possibilidade de alternância no poder, se convertesse numa batalha campal sem parâmetros éticos e incapaz de cumprir o que se espera de um debate presidencial: apresentar ideias e propostas para o futuro.

Ficaremos um bom tempo a nos perguntar como permitimos que isso acontecesse.

Águas que corriam juntas, ou paralelas, se turvaram e se separaram; amigos viraram inimigos; pais e filhos deixaram de discutir política em casa; confrontos físicos substituíram o debate de ideias, líderes políticos nacionais transformaram-se em caixeiros viajantes da infâmia, o engajamento ideológico converteu-se em alavanca de estigmatização.

Foi um período assustador, vivido sob o signo do "confronto político" e da morte aos inimigos, numa temperatura elevada ao extremo sem que houvesse, a rigor, nada que a justificasse, a não ser uma cobiça desmesurada pelo poder, o despreparo para processar divergências, alguns fantasmas ingênuos e certas crenças toscas. Apoiadores convertidos em justiceiros, teleguiados por centrais de desinformação, fanatizados por suas convicções, sem tolerância, sem critério, numa flagrante demonstração de rusticidade política e de ausência de perspectiva cívica. Juntos, abraçados e misturados, ajudaram a promover uma inédita guinada da sociedade para a direita mais bestial, a cavalo de uma leitura falsa da realidade brasileira, qual seja, a de que o País estaria prestes a ser "bolivarianizado" ou às portas de uma contrarrevolução que roubaria a comida dos mais pobres.

Se esse padrão prevalecer, o que esperar do próximo ciclo governamental? Haverá nele disposição, serenidade e força persuasiva para trazer os brasileiros para a política democrática e o debate de ideias? Quem quer que vença amanhã terá equilíbrio e generosidade para trocar o toque marcial pela pomba da paz, chamando a sociedade para um convívio mais fraterno?

Vença quem vencer, a vida continuará, mais forte do que a indigência dos políticos, a frouxidão dos partidos, a vacuidade dos discursos, a caça às bruxas. Seguirá mostrando que a política precisa mudar. Com reformas institucionais, renovação cultural e refundação partidária, mas também com um gigantesco esforço de educação política, que dê aos jovens sobretudo, mas não somente a eles, uma chance de entrar com o pé direito no fascinante e perigoso universo do poder e do Estado.

Os políticos foram patéticos nos debates, vulgares nas maneiras e nos discursos, fraquíssimos em proposição, cínicos demais na capacidade de mentir, tergiversar, iludir e sofismar. Convidaram a sociedade ao rebaixamento cultural. Em algum ponto da estrada serão castigados. O vencedor do segundo turno herdará um reino estagnado, manchado pela corrupção,

tensionado pela mentira e cujos habitantes acordarão segunda-feira indiferentes à alegria sem graça dos vencedores e à tristeza calculada dos perdedores, pouco ligando para os excessos e a bizarrice daqueles que se apresentaram como salvadores da Pátria. Amanhã será outro dia, impulsionado pela esperança e pela vontade de mudar.

O próximo ocupante do Planalto governará um País fendido e repleto de desafios. A governabilidade tenderá a ser mais difícil. Precisaremos de muita política com P grande, para que se possa tornar viável a pacificação dos espíritos e a ampliação das possibilidades de governança democrática. A ninguém deve interessar a generalização da "guerra civil" que hoje já existe de modo focalizado. Todos, políticos e cidadãos, vencedores e perdedores, terão de manifestar maior desejo de fiscalização dos governantes e de recomposição social. Será preciso alcançar um novo pacto de convivência.

Da combinação de discernimento político e disposição participativa dependerá bastante o futuro do Brasil que sairá das urnas de amanhã.

Professor titular de Teoria política e diretor do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da UNESP

Martin Cezar Feijó - Dez razões para eu votar no Aécio

1. Porque julgo ter encerrado um ciclo, o da reeleição, no qual os mais importantes líderes, dos partidos mais consistentes após a redemocratização, cumpriram 8 anos. Dilma mais 4. Aécio agora encerra o ciclo.

2. Porque apoio a alternância de poder como condição para a democracia.

3. Porque Marina apóia Aécio Neves, depois que ele aceitou suas condições razoáveis: educação, sustentabilidade e fim da reeleição.

4. Porque é uma chance do PSDB se reinventar como um verdadeiro partido social-democrata comprometido com uma democracia como valor universal.

5. Porque é uma chance do PT se reinventar como um partido de centro-esquerda comprometido com uma democracia como valor universal.

6. Porque eleição é uma aposta numa mudança para melhor, respeitando conquistas sociais importantes.

7. Por disciplina partidária, na expectativa de uma fusão PPS-PSB se transformando em uma alternativa de esquerda democrática, ao lado do PV, consistente.

8. Porque Aécio garante que vai dar prioridade à educação, principal condição para o desenvolvimento econômico, social, político e cultural do país.

9. Porque Armínio Fraga vai ser ministro da Fazenda.

10. Porque quero. E tenho o direito em votar em quem eu acredito ser melhor para o momento histórico que vivemos.

Meu voto não é veto. Não é negativo. Não é anti-PT, pois já dei meu voto a ele. Meu voto é voto. E voto é a favor. A favor da mudança. E a razão principal é política, não é moral, nem emocional. E sim racional.

Agora é Aécio Neves!

Professor de Comunicação Comparada na Faculdade de Comunicação e Marketing (FACOM-FAAP) e de Cursos de Pós-graduação em Jornalismo Cultural, Gestão de Televisão, Moda, História Cultural e Cultura do Luxo. Também é autor de mais de uma dezena de livros, entre ensaios e ficção, em que se destaca Astrojildo Pereira, o Revolucionário Cordial.

Eduardo Graeff - Pensem no eleitor

- Folha de S. Paulo

Nos termos e condições em que se propõe, o fim da reeleição para cargos executivos responde mais a uma preocupação de políticos do que a um anseio dos cidadãos.

Para quem espera a próxima oportunidade de se candidatar, oito anos parece uma eternidade. Reduzir esse prazo para quatro ou cinco anos diminuiria a ansiedade e favoreceria a conciliação de potenciais candidatos. Facilitaria a vida dos políticos, talvez. Mas melhoraria a dos cidadãos comuns?

O argumento básico contra a reeleição é o de que ela distrai o governante de suas obrigações para com os governados. Digamos que sim: um presidente, governador ou prefeito pode deixar de fazer o que deve ou fazer o que não deve para tentar se reeleger. Mas assim também ocorre com quem tenta eleger seu sucessor.

E quem diz que só os detentores de mandatos executivos estão sujeitos à tentação? Seria o caso de proibir a reeleição para todos os cargos, inclusive no Legislativo. O México experimentou isso sob a égide do Partido Revolucionário Institucional, que ficou no poder 71 anos consecutivos. Não parece um bom exemplo para o aperfeiçoamento da nossa democracia.

A regra geral das democracias é que cabe ao cidadão decidir se seus mandatários devem ou não continuar. Os sistemas parlamentaristas não impõem limite à reeleição do primeiro-ministro. O limite à reeleição do presidente se justifica pelo risco do cesarismo que rondaria os sistemas presidencialistas.

Mas a vacina contra a hipertrofia da autoridade presidencial não é um artigo da Constituição, e sim o funcionamento efetivo dos freios e contrapesos democráticos: Legislativo e Judiciário independentes, oposição vigilante, sociedade organizada, imprensa livre, opinião pública exigente.

Quando isso falha, nada impede os aspirantes a ditador de violar a Constituição, abusando do poder para continuar no poder, tanto faz se pessoalmente ou por um sucessor escolhido a dedo. Basta ver alguns vizinhos nossos.

O que mantém a democracia em boa forma é seu exercício contínuo; o exercício do voto educa os cidadãos para votar melhor. Desse ponto de vista, a proposta de fim da reeleição vem com um aditivo tóxico.

Como quatro anos é pouco tempo para se fazer um bom governo, propõe-se a extensão dos mandatos executivos para cinco anos. Para que isso não cause um descasamento complicado entre mandatos no Executivo e no Legislativo, incluem no pacote a extensão dos mandatos legislativos e coincidência geral das eleições municipais, estaduais e nacionais.

Quem defende isso já parou para pensar o que implicaria do ponto de vista do eleitor? Em vez de ser chamado às urnas a cada dois anos, o eleitor seria só uma vez a cada cinco anos. Nesse intervalo, os políticos profissionais e minorias organizadas dominariam absolutos a cena política.

E então, depois de cinco anos afastado, o eleitor sairia de casa para escolher no mesmo dia, todos juntos e misturados, um presidente, um governador, um prefeito, um ou dois senadores (para mandatos de dez anos?!), um deputado federal, um deputado estadual e um vereador.

Tendo alguns dias para checar a ficha de centenas ou milhares de candidatos e avaliar suas propostas sobre temas do Executivo e Legislativo em cada nível de governo. Fácil, não?

Deve haver outras fórmulas para alargar o fosso já existente entre políticos e cidadãos comuns. Mas eu, francamente, não consigo imaginar uma pior.

Eduardo Graeff, 64, é cientista político. Foi secretário-geral da Presidência da República (governo FHC)

Cláudio Couto - Efeito catraca

- O Estado de S. Paulo

Um tema central do embate eleitoral foi a possível reversão dos ganhos sociais auferidos pelos mais pobres durante os anos de governo petista, caso um novo presidente fosse eleito pela oposição. Tal reversão foi apontada pela campanha do PT como principal razão para reeleger Dilma Rousseff, resguardando as melhoras sociais.

No primeiro turno, o risco da reversão foi associado pela campanha situacionista à proposta de Marina Silva de conceder autonomia ao Banco Central. Num famigerado comercial, o BC capturado por banqueiros passaria a gerir os juros, salários, preços e o emprego, de modo a - alegoricamente - retirar a comida do prato do trabalhador.

A seu favor, os governos petistas reivindicam substanciais ganhos do salário mínimo, significativa redução da pobreza e da desigualdade, assim como a elevação de um amplo contingente da população à classe C - a qual, não obstante, acredita ter ascendido muito mais por seus próprios méritos do que por causa das políticas governamentais, como demonstrou recente pesquisa do Instituto Data Popular.

Os receios de reversão atingiram políticas específicas, como o Bolsa Família, sobretudo no caso da vitória do candidato tucano, Aécio Neves. Compreensível, já que muitos simpatizantes da candidatura peessedebista vociferam contra tal política, desancada como "Bolsa Esmola", "Bolsa Vagabundo" e assemelhados. O PSDB paga junto pelo conservadorismo de alguns de seus eleitores, pertencentes sobretudo às classes médias e altas.

Porém, mesmo próceres tucanos desqualificaram a política de assistência aos miseráveis. Circulou pela internet o trecho de uma entrevista de 2011 do então líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias, ao Roda Viva da TV Cultura. O senador dizia, sem peias: "O Bolsa Família não tira ninguém da miséria; mantém na miséria, porque estimula a preguiça, inclusive. Há gente que não quer trabalhar porque não quer ter carteira de trabalho para não perder o Bolsa Família".

Diante de tamanho estrago, Aécio Neves precisou explicar-se ao eleitorado mais pobre e aos demais simpatizantes da política de transferência de renda. Além de reivindicar a paternidade biológica do Bolsa Família, afirmou que não só o manteria, como o tornaria "política de Estado" - independente do partido no governo. Para o dissabor de seus correligionários mais conservadores, propôs até mesmo um projeto de lei, avançando rumo ao eleitor mediano.

O PT sofreu problema similar em 2002, quando Lula foi eleito. Tinham como ônus os anos de discurso petista opondo-se ao que quer que fosse, em particular às políticas econômicas dos mais variados governos. Foi muito tempo vituperando contra o pagamento da dívida externa, os gastos com os títulos públicos, a austeridade fiscal, as privatizações, as políticas salariais etc.. O mercado "precificou" a vitória de Lula, jogando para a estratosfera o risco país e o dólar (que atingiu R$ 4,00), elevando a inflação anual para 12%.

Lula precisou escrever a "Carta ao Povo Brasileiro" - na realidade, uma missiva ao mercado - tranquilizando investidores e garantindo-lhes respeito a contratos e à institucionalidade democrática (com decisões negociadas), equilíbrio fiscal e preservação do superávit primário.

De fato, os anos de Lula mostraram que certas políticas econômicas haviam vindo para ficar. Mesmo a condução macroeconômica displicente do governo Dilma está muito distante tanto do discurso petista do passado como das heterodoxias anteriores ao Plano Real.

Há um "efeito catraca" de certas políticas públicas: uma vez implantadas, não têm como serem revertidas totalmente, pois "travas" institucionais o impedem. O custo proibitivo - eleitoral, social ou econômico - da dissolução dessas políticas faz com que governos que não as teriam implementado sejam, porém, obrigados a mantê-las. Assim, diferentes partidos, alternando-se no governo, implantam agendas que se complementam ao longo do tempo.

Fernando Rodrigues - Uma eleição de recordes

- Folha de S. Paulo

Como a democracia brasileira é jovem, a cada eleição registram-se alguns ineditismos. Será assim amanhã, com a escolha do próximo presidente da República.

Se Dilma Rousseff (PT) ganhar mais quatro anos no Planalto, ela será a primeira mulher a conseguir tal feito. Estará também consignada uma outra lógica: presidentes que disputam a reeleição têm sucesso nas urnas. Foi assim com Fernando Henrique Cardoso, em 1998, e com Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006.

Em caso de vitória, Dilma governará até 2018, quando o PT completará 16 anos no poder. Nunca na história verdadeiramente democrática do Brasil um único partido comandou o país por tanto tempo.

Na hipótese de Aécio Neves (PSDB) ganhar, sua vitória significará a chegada ao poder do primeiro político que fez carreira majoritariamente no Brasil pós-ditadura. Seria uma troca geracional relevante num país que muitas vezes vive mais do passado do que do presente ou do futuro.

Mas o maior recorde talvez seja a realização das eleições em si. Apesar do clima beligerante entre os candidatos a presidente, não há dúvidas na sociedade a respeito da lisura da disputa --o nível de fraudes ou urnas com defeito fica sempre perto de 0,5% do total.

Tampouco se coloca em dúvida a solidez das instituições: ganhe quem for, tomará posse no dia 1º de janeiro de 2015. Nessa data, escrevo isso sempre e acho importante repetir, o país terá realizado sete eleições presidenciais diretas consecutivas com a posse do eleito. O fato é único na história brasileira.

O aspecto negativo da atual corrida presidencial fica para o quadro político fracionado que vai emergir na segunda-feira. O próximo presidente terá enormes dificuldades na construção de algum consenso. É um desafio que nenhum dos anteriores enfrentou e será mais um teste sobre o grau de maturidade da democracia local.

Demétrio Magnoli - Não é João Santana

• A publicidade de Dilma é superior pois opera no universo da política, não no do marketing

- Folha de S. Paulo

"É Duda Mendonça!", exclamaram tantos analistas em 2002, quando Lula conquistou o Planalto. "É João Santana!", começam a dizer agora, no rastro das pesquisas que indicam uma dianteira de Dilma. O diagnóstico estava errado ontem --e continua errado hoje. A campanha eletrônica da presidente-candidata é muito melhor que a de Aécio, mas por razões estranhas às técnicas de marketing. No fundo, o predomínio de Dilma na telinha deve-se, justamente, à sábia descrença do lulopetismo nos poderes encantatórios do marqueteiro.

"O que parece, é!", ouvi de um publicitário, anos atrás, numa mesa-redonda sobre o valor da Copa do Mundo para o Brasil. O brilho exterior do evento da Fifa justificava-o automaticamente, gerando por si mesmo efeitos benéficos em diversos níveis, argumentava o profissional do marketing. Ele não sabia que a ciência só existe porque as aparências enganam: afinal, não é o Sol que gira ao redor da Terra. As ferramentas do marketing funcionam bem no universo do consumo, mas não no da política. O primeiro tem como centro o indivíduo e seus desejos de consumo. O segundo estrutura-se em torno da sociedade e dos valores coletivos. A publicidade de Dilma é superior pois opera no universo da política, não no do marketing.

"Nós contra eles": pobres versus ricos, povo versus elite. O tema invariável do lulopetismo brota da extensa tradição populista, inaugurada no Senado romano. Mesmo enveredando pelas trilhas da difamação e da mentira, a propaganda de Dilma jamais renunciou ao registro da política. A propaganda de Aécio, pelo contrário, apenas roçou as fronteiras do discurso político, esterilizando-se no registro do marketing. O candidato oposicionista não soube dizer que Dilma não é o que parece.

"Aécio é o Brasil sem medo do PT." Na sua melhor frase, a campanha dos tucanos contrapôs "o Brasil" ao "PT", utilizando a ideia de unidade como antídoto contra o discurso da divisão ("nós contra eles"). É política, mas só até a página 3. Segundo a lógica binária dos marqueteiros, existem apenas as alternativas do discurso "positivo" (propostas) e do "negativo" (ataques). Aécio oscilou entre os comportamentos polares, ao sabor das pesquisas qualitativas. A lógica conflitiva da política, contudo, exige o emprego da crítica, um recurso situado além do espectro de opções do marketing.

"Os ricos nunca ganharam tanto dinheiro quanto no meu governo." Na frase de Lula encontram-se as chaves para a crítica dos governos lulopetistas --isto é, para desvendar a empulhação veiculada pelo discurso populista. Aécio martelou o prego da inflação crônica, mas não esclareceu suas relações com a persistência de taxas de juros que desviam a riqueza social para o sistema financeiro. O candidato também não acendeu um holofote sobre o "bolsa empresário" do BNDES, iluminando a face oculta da "mãe dos pobres". Ele insistiu no escândalo da Petrobras, mas não explorou seu potencial pedagógico, explicando o lugar ocupado pela estatal na santa aliança da coalizão governista com as grandes empreiteiras. O marketing está para a política como o ensino fundamental está para a universidade.

"Escolas e hospitais padrão Fifa." Os manifestantes das Jornadas de Junho ofereceram uma bússola para as oposições, gritando nas ruas que a função do Estado é gerar bens públicos, não soprar bolhas de consumo com os foles do crédito, dos subsídios e da dívida. Os tucanos deixaram passar a oportunidade de mostrar as imagens das manifestações e de abrir um diálogo honesto com a maioria dos brasileiros, que as apoiaram. Provavelmente, escutaram o alerta de marqueteiros sobre os riscos de avivar a memória de um movimento avesso ao conjunto da elite política. O marketing teme a incerteza, que é inerente ao mundo da política.

João Santana não ganha eleições. No máximo, empacota um discurso eficaz.

Paulinho da Viola - Dança da Solidão

T. S. Eliot - Os Homens Ocos

Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada

Fôrma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor;

Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam — se o fazem — não como violentas
Almas danadas, mas apenas
Como os homens ocos
Os homens empalhados.

II
Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frêmito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante.

Que eu demais não me aproxime
Do reino de sonho da morte
Que eu possa trajar ainda
Esses tácitos disfarces
Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
E comportar-me num campo
Como o vento se comporta
Nem mais um passo

— Não este encontro derradeiro
No reino crepuscular

(Trecho de “Os Homens Ocos”, de T.S. Eliot. Tradução de Ivan Junqueira)

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Opinião do dia – Rubens Bueno

Na verdade, eu sempre disse que tinha uma quadrilha instalada. A gente tinha de chegar ao chefe da quadrilha. Não tenho dúvida de que vai ter impacto nas eleições e no mundo jurídico e político. Se aconteceu, cabe uma série de providências junto a tribunais do país. Temos que analisar com calma e equilíbrio, porque ninguém pode manter um aparelho de estado desse tamanho, impunemente

Deputado Rubens Bueno (PR), líder do PPS, sobre a acusação do doleiro envolvendo Dilma e Lula nos escândalos da Petrobrás. Jornal Estado de Minas, 24 de outubro de 2014.

Ibope: Dilma Rousseff abre oito pontos de vantagem sobre Aécio Neves

• Petista está com 49%, contra 41% do tucano; pela primeira vez no 2º turno, candidata à reeleição aparece à frente do senador

- O GLOBO

SÃO PAULO — Pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira mostra Dilma Rousseff (PT) na liderança da corrida eleitoral no segundo turno contra Aécio Neves (PSDB). A petista cresceu seis pontos em relação ao levantamento anterior, divulgado na quarta-feira da semana passada, e tem agora 49% das intenções de voto. Já o tucano caiu quatro pontos e aparece com 41%.

Outros 3% dos eleitores afirmam que ainda não sabem em quem votar no próximo domingo, e 7 % declaram que pretendem votar em branco ou anular. Se forem considerados apenas os votos válidos, Dilma tem 54% e Aécio, 46%.

No último levantamento do Ibope, realizado entre os dias 12 e 14 de outubro, Aécio aparecia à frente de Dilma com 45% das intenções de voto contra 43%, respectivamente. Se considerarmos apenas os válidos, a pesquisa indicava uma leva Aécio numericamente à frente de Dilma, com 51% ante os 49% da petista.

Esta é a terceira pesquisa divulgada nesta semana que mostra a recuperação de Dilma Rousseff na reta final do segundo turno. Na primeira pesquisa divulgada segunda-feira pelo Datafolha, a petista tinha 46% das intenções de voto contra 43% do tucano.

Um dia depois, a presidente oscilou um ponto, chegando a 47%, e Aécio se manteve estável. Considerando somente os votos válidos, os índices dos candidatos e a distância entre eles permaneciam iguais: Dilma tem 52%, ante 48% de Aécio, o que na prática configurava um empate técnico.

Datafolha: Dilma Rousseff aparece com 48% contra 42% de Aécio Neves dos votos totais

• Avaliação da presidente é melhor desde junho do ano passado

- O GLOBO

SÃO PAULO - A presidente Dilma Rousseff (PT) aparece pela primeira vez à frente do senador Aécio Neves (PSDB) neste segundo turno das eleições fora da margem de erro. De acordo com a pesquisa, a petista tem 48% das intenções de votos, Aécio atinge a marca de 42%. Brancos e nulos somam 5%. Outros 5% dos eleitores ainda estão indecisos.

A pesquisa Datafolha também calculou levando em consideração apenas os votos válidos. Dilma estaria com 53% das intenções de votos, enquanto Aécio aparece 47%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A avaliação da presidente também subiu em relação aos levantamentos anteriores. Segundo o levantamento, 44% julgam a administração petista "boa ou ótima", contra 42% do levantamento anterior. Trata-se do melhor patamar desde junho de 2013.

O Datafolha também perguntou em quem o eleitor não votaria de jeito nenhum. De acordo com a pesquisa, 41% dos entrevistados afirmam que não votam em Aécio “de jeito nenhum”. Em menos de 15 dias, a rejeição do tucano passou de 34% para 41%. No mesmo período, a rejeição da presidente caiu seis pontos, de 43% para 37%.

Dilma também aparece à frente nos votos consolidados. Segundo o levantamento, 46% dos eleitores votaria com certeza na petista. Outros 15% declaram que talvez votaria em Dilma. Aécio tem 39% dos eleitores declarando que com certeza votaria no tucano e outros 18% afirmando que pode votar no candidato do PSDB.

A pesquisa foi encomendada pelo jornal “Folha de S. Paulo” e pela TV Globo, o Datafolha ouviu 9.910 pessoas nos dias 22 e 23 de outubro. O nível de confiança do levantamento é 95%. O registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é BR-1162/2014

‘Veja’: doleiro de escândalo diz que Dilma e Lula sabiam

• Segundo revista, Alberto Youssef teria dito à PF que Planalto conhecia esquema de corrupção na Petrobras

- O Globo

SÃO PAULO - Em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público em Curitiba, segundo a revista "Veja", o doleiro Alberto Youssef teria dito que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "sabiam de tudo" sobre o esquema de corrupção na Petrobras. Ainda conforme a revista, que antecipou, ontem à noite, trecho da reportagem a ser divulgada hoje na íntegra, a revelação teria sido feita por Youssef na última terça-feira.

Perguntado sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema de corrupção na Petrobras, o doleiro teria afirmado:

- O Planalto sabia de tudo!

Perguntado pelo delegado que colhia o depoimento a quem ele se referia, Youssef teria respondido:

- Lula e Dilma.

O advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, confirmou que o doleiro prestou depoimento à Polícia Federal de Curitiba na última terça-feira, mas disse não ter conhecimento da informação citada pela revista.

- Eu nunca ouvi nada que confirmasse isso (que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras). Não conheço esse depoimento, não conheço o teor dele. Estou surpreso - afirmou Basto.

Advogado alerta para "especulação"
Ele disse que Youssef prestou muitos depoimentos no mesmo dia e que o doleiro estava acompanhado de advogados de sua equipe.

- Conversei com todos da minha equipe e nenhum fala isso. Estamos perplexos e desconhecemos o que está acontecendo. É preciso ter cuidado porque está havendo muita especulação.

Basto também disse que a defesa não possui cópia do que foi falado por Youssef à Polícia Federal.
- Nós não temos como pegar em mãos e não ficamos com cópia de nada. Então, não nego nem confirmo se esse depoimento é verdadeiro, se essa informação foi dada ou não e se sim, em quais circunstâncias.

O depoimento citado pela revista não tem relação com os que foram prestados à 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, cujo teor já foi divulgado anteriormente.

O doleiro está preso em Curitiba desde março e é acusado de ser um dos chefes do esquema que teria desviado cerca de R$ 10 bilhões desde 2006. Seria a primeira menção de Youssef ao nome de Dilma nas investigações. Ele já havia citado Lula em depoimento prestado à Justiça Federal no dia 8 deste mês. Na ocasião, Youssef disse que Lula teve que ceder aos políticos de partidos acusados de participar das fraudes na Petrobras e empossou Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento. Ele afirmou que "agentes políticos" ameaçaram trancar a pauta do Congresso.

- Tenho conhecimento que, para que o Paulo Roberto Costa assumisse o posto, esses agentes trancaram a pauta no Congresso por 90 dias. Na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou louco e teve de ceder e empossar Paulo Costa na diretoria de Abastecimento - afirmou, de acordo com vídeo do depoimento disponibilizado pela Justiça Federal.

O doleiro ainda disse que o PT, PMDB e PP estavam envolvidos num esquema de corrupção na Petrobras que consistia na cobrança de propinas de empreiteiras pelo tesoureiro petista João Vaccari e pelo peemedebista Fernando Soares. As obras da estatal eram escolhidas por um cartel de dez empresas, que superfaturavam os preços em algo em torno de 20%, dinheiro que era dividido para políticos e diretores da estatal.

No trecho da reportagem divulgado ontem à noite, "Veja" faz um relato da chegada de Youssef na sala para o interrogatório. "A temporada na cadeia produziu mudanças profundas em Youssef. Encarcerado desde março, o doleiro está bem mais magro, tem o rosto pálido, o cabelo raspado e não cultiva mais a barba. O estado de espírito também é outro. Antes afeito às sombras e ao silêncio, Youssef mostra desassombro para denunciar, apontar e distribuir responsabilidades na camarilha que assaltou durante quase uma década os cofres da Petrobras", descreve a reportagem.

Pedido para adiar depoimento à CPI
Youssef vai pedir à CPI da Petrobras que remarque seu depoimento, previsto para a próxima quarta-feira, para depois que seu acordo de delação premiada for homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que não tem data marcada para acontecer. O advogado de Youssef, Antônio Figueiredo Basto, disse que o doleiro permanecerá em silêncio se o depoimento for mesmo confirmado para semana que vem.

- Meu cliente vai permanecer calado na quarta-feira. Por conta do acordo de delação premiada que ele fez com a Justiça, ele tem que permanecer em silêncio. Ele está disposto a falar à CPI, mas só depois da homologação do acordo com o STF. Por isso, é melhor que a CPI redesigne o depoimento para outra data. Até para evitar o deslocamento para Brasília, escolta e todos os gastos decorrentes da viagem - disse Basto.

Basto aguarda que o juiz federal de Curitiba, Sérgio Moro, despache seu pedido de anulação do depoimento do testa de ferro Leonardo Meirelles, diretor presidente da Labogen, no qual ele diz que Youssef tinha negócios com o PSDB.

Segundo o advogado, Youssef nega ter tido negócios com o PSDB e quer uma acareação com Meirelles para desmenti-lo. De acordo com o advogado, o juiz só deve despachar seu pedido na segunda-feira. Em depoimento de Meirelles ao juiz Moro, na última segunda-feira, o diretor do Labogen disse que Youssef fazia negócios com o PSDB e com o ex-presidente do partido Sérgio Guerra.

Ao tomar conhecimento do depoimento de Meirelles, Youssef pediu que seu advogado desmentisse a informação oficialmente.

Lula e Dilma 'sabiam de tudo', diz revista

• Doleiro Alberto Youssef afirmou em depoimento à PF que a presidente e seu antecessor conheciam esquema de corrupção

- Estado de Minas

BRASÍLIA – A edição da revista Veja, que chega às bancas hoje, traz mais revelações sobre as investigações em Curitiba da Operação Lava a Jato, que apura os casos de corrupção na Petrobras. Em depoimento prestado na terça-feira, o doleiro Alberto Youssef disse à Polícia Federal que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a presidente Dilma Rousseff (PT) sabiam do suposto esquema de corrupção na estatal. Segundo a revista, ao ser perguntado sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema de corrupção na Petrobras, o doleiro foi taxativo: “O Planalto sabia de tudo.” “Mas quem no Planalto?”, perguntou o delegado. “Lula e Dilma”, respondeu o doleiro.

De acordo com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, políticos do PT, PMDB e PP recebiam propina de construtoras em contratos superfaturados. Até o fechamento desta edição, a campanha petista não havia se pronunciado sobre o assunto.

A divulgação nessa quinta-feira do trecho do depoimento do doleiro movimentou as redes sociais. O presidente do PPS, Roberto Freire, postou, no Twitter, que Youssef “confirma o que todo brasileiro sabia ou desconfiava”. Já o deputado Rubens Bueno (PR), líder do PPS, afirma que tinha conhecimento da extensão da corrupção. “Na verdade, eu sempre disse que tinha uma quadrilha instalada. A gente tinha de chegar ao chefe da quadrilha. Não tenho dúvida de que vai ter impacto nas eleições e no mundo jurídico e político. Se aconteceu, cabe uma série de providências junto a tribunais do país. Temos que analisar com calma e equilíbrio, porque ninguém pode manter um aparelho de estado desse tamanho, impunemente”, disse Bueno.

O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), disse que é “impensável para qualquer brasileiro imaginar que a presidente Dilma não soubesse de nada do que estava acontecendo na Petrobras como ela vinha afirmando”. “É uma denúncia gravíssima e que abala as estruturas da República”, completou.

“Não vai ser desta vez que vão enganar o povo brasileiro com denúncias sem provas”, publicou a Coordenação de Redes Sociais do PT, em sua conta no Twitter.

Macunaíma: Lula lá no Copa

• Após acusar tucanos de elitismo, em São Gonçalo, Lula foi para a suíte presidencial do Copacabana Palace

De São Gonçalo ao Copa

• Em evento de campanha, ex-presidente Lula lembra infância humilde e, pouco depois, faz check-in em suíte presidencial com diária de r$ 7 mil

Cleo Guimarães e Marco Grillo - Globo

Discurso e realidade
Na manhã de ontem, num evento de campanha realizado no Calçadão de Alcântara, em São Gonçalo (RJ), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lembrou sua origem humilde e destacou que é filho de mãe analfabeta. Em seguida, em cima de um carro aberto, usando o clássico boné vermelho, acusou o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, de ser "filhinho de papai" e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de ser da elite e de "não querer que o pobre estudasse".

- A elite brasileira não queria que pobre estudasse. Lugar de pobre não é ser pedreiro, é ser engenheiro. Isso que incomoda essa gente. O que eles não gostam é que nós aprendemos a andar de cabeça erguida - disse Lula, que, pouco depois de encerrado o evento, por volta do meio-dia, fez check-in na suíte presidencial do Copacabana Palace, um quarto de 300 metros quadrados, que custa R$ 7 mil por dia. Outros três quartos, com diária de pelo menos R$ 1.500, também foram utilizados por sua comitiva na passagem pelo Rio de Janeiro.

Segundo revelou o blog da coluna Gente Boa na tarde de ontem, o espaço batizado como "penthouse" fica no sexto andar do edifício mais famoso de Copacabana e divide um terraço e uma piscina de pastilhas negras com apenas outros seis apartamentos - justamente aqueles que têm as diárias mais caras do hotel.

O quarto de número 601, escolhido por Lula, tem vista para o mar, dispõe de serviço de mordomo 24 horas por dia e de "uma adega especial de vinhos exclusivos".

Além disso, o hóspede tem direito a menu de travesseiros e recebe uma chave especial, utilizada no elevador para manter o acesso restrito ao andar exclusivo.

Por essas características de luxo e segurança, a "penthouse" já acolheu personalidades do mundo da política, como a chanceler alemã, Angela Merkel, e o ex-presidente da França Nicolas Sarkozy. Já hospedou ícones da cultura internacional, como o roqueiro Mick Jagger, o ator Tom Cruise, a cantora Madonna e o astro Will Smith. Segundo consta, é a preferida da modelo internacional Gisele Bündchen, mas jamais recebeu a presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff.

Instituto nega pernoite
O check-in de Lula, que não estava acompanhado pela esposa, Marisa Letícia, foi feito logo após o evento em São Gonçalo. Em seguida, ele entrou no quarto e por lá ficou. Por volta das 17h, o ex-presidente alterou seus planos e retornou a São Paulo. Ele deixou o hotel pouco depois, levando suas malas. O hóspede da "penthouse" não precisa ir ao balcão para realizar o check-out. Este é mais um dos benefícios criados pelo hotel para agradar aos clientes do sexto andar.

Na reserva original do petista, realizada por uma agência de viagens, estavam previstos oito quartos, entre eles a "penthouse". No entanto, apenas quatro foram efetivamente utilizados pela comitiva. O quarto de Lula é citado pelo site de hotelaria Web Luxo como uma das suítes mais cara do país. Não há informações, no entanto, sobre a categoria e o valor dos outros apartamentos. A diária mais barata do Copacabana Palace ontem era de R$ 1.500.

Enquanto Lula se hospedava no Copa, Dilma Rousseff passou o dia no hotel Windsor Barra, na Zona Oeste do Rio.

Procurado para comentar a reportagem, o Instituto Lula informou que o ex-presidente não pernoitou no Copacabana Palace. Destacou que ele apenas almoçou no hotel e que passaria a noite de ontem em São Paulo. Os assessores de imprensa da entidade afirmaram que Lula teve gastos no Copa, mas não souberam dizer se eles seriam pagos pela campanha da presidente Dilma Rousseff ou pelo próprio instituto.

A passagem de Lula pelo Copacabana Palace lembra o episódio de 2002, quando o então candidato do PT à presidência recebeu do marqueteiro Duda Mendonça uma garrafa do famoso vinho Romanée-Conti. A bebida serviu para brindar o fim de um debate realizado na TV Globo. Na época, a garrafa safra 1997 valia cerca de R$ 6 mil.

A rádio de PE, FH afirma que Lula se transformou em ‘arauto da tragédia’

• Ex-presidente negou preconceito contra o Nordeste e disse que Dilma merece ‘Nobel da incompetência’

Letícia Lins – O Globo

RECIFE — Em entrevista na manhã de ontem à Rádio Jornal do Commercio, de Pernambuco, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) acusou o ex-presidente Lula de ter se transformando em “arauto da tragédia” e afirmou que o PT adotou a tática de “demonizar os adversários” para reeleger a candidata do partido, Dilma Rousseff. FH declarou ainda que Lula criou uma “obsessão” para desconstruir as gestões tucanas e rebateu as acusações que vêm sendo feitas pelo PT, de que os tucanos “quebraram o Brasil três vezes”. Fernando Henrique criticou Dilma, dizendo que a a presidente merece um “Nobel de incompetência na economia”.

— Ela merece o Nobel de tanta incompetência na economia. Assim que deixei o governo, o Ministro da Fazenda de Lula, Antônio Palocci, veio agradecer tudo o que o meu governo fez. Nós tiramos o Brasil da moratória. Não o quebramos. Hoje, eles usam essa ideia de desconstrução do passado. Isso se tornou uma obsessão do PT e do ex-presidente Lula. Existe uma má fé impressionante da campanha de Dilma comigo — reclamou FH.

O ex-presidente acusou Lula de “jogar pedra no passado”.

— Fico triste de ver como é que uma pessoa se transformou tanto, e se transformou em arauto da tragédia. Eles dizem que o Brasil avançou aqui e ali. É natural. O país está progredindo, não está andando para trás. Não precisava ficar jogando pedra no passado.

Fernando Henrique reconheceu que as gestões petistas foram mais generosas com o Nordeste, mas alegou que Lula recebeu o país em situação melhor do que ele, o que permitiu remessa de recursos para a região. No entanto, negou que tenha preconceito contra o Nordeste, como vem sendo falado pela campanha petista, e afirmou que o discurso adotado por Dilma e Lula pode gerar ideia de separatismo:

— O meu vice foi Marco Maciel (que é pernambucano). Não tem como dizer que eu tenho preconceito contra o Nordeste. Isso não tem sentido. É simplesmente eleitoreiro e perigoso, porque é lançar uma parte do Brasil contra o Brasil.

Ele lembrou que programas sociais do governo Dilma tiveram sementes lançadas no seu governo, e que polos de desenvolvimento no Nordeste – como o complexo portuário de Suape (em Pernambuco) e o de Pecém (no Ceará) – ganharam força na sua gestão. FH admitiu que, nas campanhas eleitorais passadas, os tucanos ousaram pouco nas críticas contra o PT:

— O clima era tão pesado de críticas, que os candidatos do PSDB tinham medo de perder eleição, se defendessem o governo (do PSDB). Uma coisa errada. O Aécio Neves teve posição corajosa e enfrentou. E o resultado é positivo, porque ele está aí, competitivo — disse.

Pais da polarização, Lula e FHC defendem seus candidatos

• Na reta final, ex-presidentes e figuras de peso do PSDB e PT adotam estratégia de críticas mútuas e controversas

Angela Lacerda e Tiago Rogero - O Estado de S. Paulo

Enquanto a militância tucana e a petista se atacam em várias partes do País, dois pesos pesados dos dois partidos também continuam o embate, nesta reta final do 2.º turno. Ontem, no Recife, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse lamentar que o também ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha se transformado em "arauto da tragédia''. Em São Gonçalo, região metropolitana do Rio, Lula voltou a criticar o tucano, dizendo que "quando um homem estudado como o FHC, grande sociólogo, fala que quem vota na Dilma é ignorante, é porque ele não conhece mais o Brasil. Porque no Brasil do tempo dele, as pessoas passavam fome''.

Fernando Henrique fez a declaração em entrevista a um programa da Rádio Jornal do Recife. Ele também criticou a tática petista de "demonizar o passado'' por meio da tentativa de desconstrução das gestões tucanas, "denegrindo a história''. "Não precisava jogar pedra no passado, mas se tornou uma obsessão do presidente Lula.''

O ex-presidente afirmou conhecer Lula desde que era líder sindical. "Ia à casa dele, Lula e Marisa (mulher do petista) passaram pela minha casa de praia. Fico triste de ver como uma pessoa se transformou tanto para ser arauto da tragédia.''

Ele lembrou passagem que diz ter ocorrido pouco depois que deixou o Palácio do Planalto. "Um detalhe'', contou. "Quando deixei o governo, fui para a Europa e o presidente Lula passou pela Europa. (Ele) me telefonou e disse que um companheiro queria falar e o ministro Palocci (Antonio Palocci, da Fazenda) agradeceu por tudo que meu governo fez. Este era o clima.''

FHC afirmou que uma das duas vezes em que recorda ter recorrido a empréstimos junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) foi para garantir que o presidente Lula tivesse condição de governar ao assumir o seu primeiro mandato, em 2003. "Pedi empréstimo com anuência expressa do Lula.''

Em São Gonçalo, Lula, em discurso após desfile em carro aberto, reiterou as críticas a FHC, usando como mote entrevista em que o tucano classificou como "menos informados'' os que votam no PT. "Ele pensa que o Brasil é o do tempo dele, quando as pessoas passavam fome e ficavam desempregadas.''

O petista disse ter mandado o FMI "para a casa do chapéu". Também criticou a imprensa em geral, que "não mostra coisa boa, só desgraça", e disparou contra a revista britânica The Economist, que em editorial na semana passada recomendou voto em Aécio Neves - a quem Lula mais uma vez ontem chamou de "filhinho de papai''.

Em outro momento do discurso, Lula - ao afirmar que Aécio foi "agressivo" com Dilma ao chamá-la de leviana e mentirosa no debate do SBT - disse nunca ter sido tão agressivo nas campanhas que disputou.

"Eu fui candidato cinco vezes. Vocês nunca me viram na TV ser agressivo com alguém. Porque eu acho que se um homem tiver de chamar o outro de mentiroso na cara, é pra sair logo 'no pau'." E provocou: "Será que se o Aécio estivesse debatendo com um homem, ele seria tão brabo quanto ele é com a Dilma?".

Após transparecer visível cansaço na atividade da manhã (por vezes, a voz falhou no discurso de 20 minutos), realizada sob forte calor e o sol de meio-dia, Lula cancelou caminhada pelo calçadão de Campo Grande, zona oeste do Rio. Segundo sua assessoria, ele precisou antecipar a volta a São Paulo para gravação de programa eleitoral.

"A eleição é cabeça a cabeça", diz o senador eleito Antonio Anastasia

Bertha Maakaroun - Estado de Minas

Coordenador em Minas da campanha do candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, o senador eleito Antonio Anastasia (PSDB) acredita que o tucano vencerá a disputa neste domingo. “As pesquisas no primeiro turno foram um fiasco em termos de confiabilidade. Então há dúvida quanto às pesquisas. O meu sentimento é que a eleição é cabeça a cabeça”, diz ele. Para Anastasia, a candidatura de Aécio conseguiu algo que não se viu em nenhuma outra disputa pelo PSDB nos últimos 20 anos: “Percebemos essa onda de repúdio ao PT, de exaustão ao modelo petista que se disseminou pelo Brasil afora. Isso é muito positivo para a democracia e positivo também para mostrar que não existe no Brasil, como eles querem, o monopólio do lado certo, ao contrário, temos milhões de militantes nas ruas pela primeira vez”.

Qual é a estratégia do PSDB na reta final de campanha?
Sabemos que a campanha tem como carro-chefe a propaganda televisiva e os debates que alcançam milhões. Mas isso não afasta o trabalho da nossa estrutura política que está mobilizada, distribuindo material, conversando, desmentindo as mentiras que são inventadas diariamente – de que Aécio vai acabar com o Bolsa Família, que vai acabar com o Minha Casa, Minha Vida, que vai prejudicar os bancos públicos… A campanha do PT é uma campanha baseada no medo. Na verdade o que se vê é que o PT tem uma campanha baseada em fatos mentirosos, de afirmações abusivas, completamente fora da realidade. Nossa campanha desmente e apresenta as nossas propostas.

Qual é a avaliação da campanha hoje sobre a corrida eleitoral?
Estamos extremamente otimistas e acreditamos na vitória do Aécio. As pesquisas no primeiro turno foram um fiasco em termos de confiabilidade. Então há dúvida quanto às pesquisas. O meu sentimento é que a eleição é cabeça a cabeça. E essa eleição, acho que o mais importante do que isso, fez algo que está adormecido. A nossa candidatura motivou uma imensa militância voluntária que não se viu na campanha do (José) Serra, do Geraldo (Alckmin) e acho que nem na do Fernando Henrique (Cardoso). Percebemos essa onda de repúdio ao PT, de exaustão ao modelo petista que se disseminou pelo Brasil afora. Isso é muito positivo para a democracia e positivo também para mostrar que não existe no Brasil, como eles querem, o monopólio do lado certo, ao contrário, temos milhões de militantes nas ruas pela primeira vez. Pela primeira vez o voto de legenda do PSDB foi maior do que o do PT. As coisas estão mudando. Estamos num crescendo e o PT fica com essa tese de dividir o Brasil. Aécio é muito feliz nisso, ele quer governar para todos. E ele tem essa capacidade, esse perfil. O nosso trabalho aqui é nesse sentido. É um governo de conciliação, de integração, um governo que será bom para todos.

Em sua avaliação, por que o PSDB perdeu as eleições para o governo de Minas?
São várias explicações. Tivemos a morte de Eduardo Campos (PSB), que colocou a Marina (Silva) como candidata, e naquele momento, não só em Minas, mas em todo o país, passou a encarnar o anti-PT. Essa circunstância da Marina tirou do Aécio, naquele momento, o protagonismo nacional. E aqui em Minas também. Isso atrapalhou o nosso candidato, o Pimenta da Veiga. Houve também, a meu juízo, um equívoco da comunicação em nossa campanha, que não apresentou o que fizemos no governo, um governo de boa avaliação. E quando começou a apresentar já era tarde. E houve também contra nós as pesquisas, especialmente o Ibope, que apresentaram números irreais e na véspera das eleições apresentou 30 pontos de frente para o Fernando Pimentel (PT). As bases no interior quando viram aquilo… E olha que contados os votos faltaram só três pontos para haver o segundo turno. Se a campanha durasse mais três ou quatro dias, não só o Aécio, que estava 10 ou 12 pontos atrás da Dilma em Minas a passaria – pois ficou só quatro pontos –, como também teríamos segundo turno da eleição de governador. Além disso, tem, é claro, o que o próprio PT alega que usou, os Correios. A frase é do nosso deputado Durval (Ângelo) de que usou o dedo do PT para ajudar a Dilma.

O PSDB de São Paulo está unido na campanha do Aécio?
Totalmente unido. E essa campanha também demonstrou que aquele resultado da eleição em Minas Gerais nas eleições presidenciais de 2006 e de 2010 – aquela tese que alguns de São Paulo defendiam nunca existiu, de que não conseguimos dar a vitória ao (Geraldo) Alckmin e ao (José )Serra. Minas é um estado em que o PT tem um percentual forte especialmente no Norte. Esse resultado demonstra que de fato a eleição presidencial em Minas é difícil, mesmo tendo um candidato daqui.

O país deverá sair bem dividido nas urnas. Nunca se viu uma disputa tão acirrada. Ganhe quem ganhar, deverá ser uma distância pequena. Isso dará legitimidade para reformas profundas?
No caso do Aécio dará sim, porque, se eleito, a primeira coisa que ele vai sepultar é esse discurso abusivo do PT do “nós contra eles”. Isso não existe. O PT cria isso com objetivo de dividir o país. Aquela teoria maquiavélica antiga de dividir para governar. Isso é um absurdo. Então, ele, pela capacidade de consenso que tem, fará duas reformas hemorrágicas fundamentais. A política e a tributária. E ele sempre defende a tese de que essas reformas, por sua dimensão e envergadura, têm de ser apresentadas e discutidas no início do governo, quando tem mais capacidade de articulação. Ele é um hábil negociador congressual.

Fundadora do PT em MG diz por que agora é Aecio

• Ex-deputada federal explica que é um "voto crítico", para mostrar sua indignação diante do comportamento do governo Dilma de esconder dados

Cristiane Jungblut – O Globo

BELO HORIZONTE - Fundadora do PT e líder do partido na época do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, a ex-deputada federal Sandra Starling anunciou que vai votar no candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, no próximo domingo. Aos 70 anos, a professora aposentada disse ao GLOBO que decidiu votar em Aécio diante do comportamento do governo Dilma de esconder dados, citando o caso do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que segurou a divulgação de dados sobre a superação da pobreza no país. A ex-petista disse que é um "voto crítico" e para mostrar sua indignação. Ela faz críticas ao PT, ao ex-presidente Lula e à presidente Dilma Rousseff.

Sandra autorizou a publicação na quarta-feira de um texto seu intitulado "Meu voto crítico em Aécio é um veto ao voto a Dilma" no blog Diário do Poder. Ontem, ela disse que saiu do PT em 2010 quando o ex-presidente Lula impôs o apoio do partido à candidatura de Hélio Costa (PMDB) ao governo de Minas Gerais. Sandra lembrou que concorreu ao governo de Minas em 1982 contra o avô de Aécio, Tancredo Neves. E contou que, no início do ano, chegou a ironizar a decisão de Aécio de ser candidato à Presidência.

Por que a senhora decidiu votar em Aécio Neves?
Estou muito indignada com a camuflagem de números que se passou a ver no governo Dilma. O caso do Ipea, que já deveria ter publicado os dados (sobre a miséria). Quem anda nas ruas está vendo que a coisa não está indo bem. Isso me remeteu a um tempo muito ruim, de quando era professora. Na época da ditadura, não se publicava a verdade. Fiquei muito indignada e, então, resolvi votar no Aécio, para mostrar essa indignação. Eu ia praticar a Idiotia , que, em grego, significa não participar de política. Já tenho 70 anos e não iria votar. Estou querendo saber (dos números) do FAT, do FGTS.

A senhora foi fundadora do PT, líder do partido na Câmara. Como vê o PT hoje?
Com muito pesar, muita tristeza. Eu militei por 30 anos nele, antes mesmo da fundação. Tenho orgulho de ter sido candidata por ele em 1982 e disputei com o Tancredo Neves. Se quisesse me vingar, não votaria no neto dele. No debate, Tancredo me chamou de "professorinha" e disse: "Você tem uma inteligência perigosa" (risos). O PT se perdeu.

Quando o PT se perdeu?
Quando o Lula resolveu ser dono do PT. A partir do momento em que ele se arvorou a ser dono, escolheu a Dilma (candidata à Presidência). Em 2010, escolhemos o Pimentel (Fernando) para ser o candidato ao governo e, dias depois, era o Hélio Costa. Eu me desfiliei do PT em 2010. Fui líder do PT e combati o governo Fernando Henrique feito louca. Em 1996, combati a reeleição, sou contra a reeleição. Fico envergonhada de os petistas concorrerem à reeleição.

O que a senhora acha do governo da presidente Dilma Rousseff?
Péssimo. Dilma é autoritária e não ouve ninguém.

A senhora escreveu em seu artigo que dava um "voto crítico" a Aécio Neves e que ele lhe causa "medo", sobre a possibilidade de aumento da exclusão social. Como é isso?
Dou um voto crítico. Não tenho nenhuma posição semelhante às do Aécio. Ele me causa medo, como ela também. Dilma escondeu qual a posição dela em relação às mulheres, aos casos de aborto que ocorreram recentemente. Não sabemos a posição de Aécio sobre a homofobia, e ele diz que vai continuar o programa Bolsa Família. Vou votar, mas dizendo que "estou de olho".

Campanha feita por Lula e pelo PT é 'sórdida' e 'criminosa', diz Aécio

• Candidato do PSDB afirma que Dilma já é 'perdedora' pelo modo como seu partido se comporta

Leticia Fernandes – O Globo

RIO — Com um discurso voltado para o eleitorado feminino — depois dos ataques da presidente Dilma Rousseff (PT) e de as pesquisas mostrarem queda do senador entre as mulheres — o candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) afirmou nesta quinta-feira que esta campanha será lembrada como a de maior baixo nível desde a redemocratização. Ao lado da filha Gabriela, ele criticou ainda o protagonismo do ex-presidente Lula na campanha petista, que o tucano chamou de "sórdida" e "criminosa".

— Essa campanha será estudada e tida como a de mais baixo nível desde a redemocratização. A campanha conduzida pelos nossos adversários é a mais sórdida e mentirosa de todas essas campanhas — disse.

Sobre as declarações de Lula em comício no Rio, onde voltou a chamar Aécio de "filhinho de papai", o tucano disse que as acusações do ex-presidente soam como elogios. E que Lula sai da campanha uma figura menor da política brasileira:

- Eu com 24 anos estava organizando a campanha das Diretas, depois na eleição de Tancredo Neves que nos livrou da ditadura. Infelizmente, não tive lá o apoio desses que me acusam hoje. Mas, pelo que o ex-presidente dizia de outros adversários seus, como o Itamar Franco e o Fernando Henrique Cardoso, ou mesmo de aliados atuais, como o ex presidente Sarney, acho que essas acusações soam até como elogios, mas apenas o apequenam. O ex-presidente Lula sai desta campanha como uma figura menor da política brasileira - atacou o senador.

Aécio comentou, também, as denúncias de que beneficiários do Bolsa Família receberam mensagens insinuando que, caso eleito, o candidato acabaria com o benefício. E disse que a reação "sórdida" da campanha do PT se dá por medo do resultado das eleições:

— Hoje mesmo estão sendo presas pessoas com boletins falsos com acusações levianas sobre mim e minha família. Hoje mesmo (houve) a denúncia de telemarketing aterrorizando pessoas que são beneficiárias do Bolsa Família. Quem reage de forma tão sórdida não está preparada para a democracia e teme o resultado das eleições. A verdade vai vencer a mentira, a responsabilidade vai vencer as informações caluniosas disseminadas Brasil afora. O Brasil não merece uma disputa desse nível.

Aécio Neves condenou os ataques feitos por Lula durante a campanha, e afirmou que a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, já é uma derrotada pelos ataques usados no segundo turno.

— Para mim, a candidata oficial já é uma derrotada pela campanha que se permitiu fazer. Isso não honra ninguém, não dignifica a campanha. Vou continuar firme para responder a todos os ataques, mas apresentando propostas. — Lamentável vermos um ex-presidente da República se sujeitando a cumprir um papel de protagonista numa eleição sórdida e criminosa do ponto de vista dos ataques.

O tucano comentou também as pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas nesta quinta-feira, que mostram Dilma à frente. Disse estar confiante na "espiral silenciosa" que, segundo ele, está se formando em todo o país. E lembrou a disparidade entre as pesquisas realizadas no primeiro turno e o resultado oficial das eleições, afirmando que não analisa pesquisas.

— Não paro para analisar pesquisas, estou muito confiante. Estamos vendo algo avassalador, chamaria de uma espiral silenciosa que se forma em todo o Brasil.

O senador falou ainda das manifestações de apoio a sua candidatura que pipocaram em várias cidades brasileiras no segundo turno. E afirmou que não se via mobilização parecida desde as Diretas Já:

— Tive notícia de eventos espontâneos que a gente não via desde a campanha das Diretas. Isso nao é algo que se vê usualmente em campanhas e será avalassalador no próximo domingo.

O candidato ressaltou que foi usada contra ele a tática da desconstrução, a mesma usada contra o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e contra a ex-candidata Marina Silva (PSB). Ele admitiu que a eleição será disputada voto a voto, mas disse acreditar na vitória e que as pesquisas dão ânimo inclusive a aliados antes descrentes na possibilidade de vitória do tucano.

Desconstrução
— A mesma tática que foi tentada com o Eduardo Campos, da desconstrução, e depois com Marina é tentada comigo. Essa será sim uma eleição disputada, eu reconheço. Mas nós vamos vencer, há uma onda muito grande de mudança no país. Essas pesquisas servirão de ânimo e entusiasmo até para alguns companheiros nossos que achavam que a coisa já caminhava com muita naturalidade.

No início da coletiva, concedida em seu comitê de campanha no Leblon, o candidato reafirmou compromissos com as mulheres e com a educação infantil. Aécio disse que vai estender o horário das creches até as 22h e que essa é uma demanda especialmente grande no Nordeste. O tucano também se comprometeu a garantir uma licença maternidade maior para mães que tenham filhos com algum tipo de complicação. Segundo ele, o tempo da licença nesses casos só começaria a contar a partir do momento em que o bebê sai do hospital.

SNI via em Aécio um moderado de esquerda

- Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Um jovem político mineiro que flerta com tendências de esquerda, mas não se confunde com os grupos armados que resistiram à ditadura e prefere trilhar a crítica moderada ao governo. Essa é a imagem que emerge de documentos do sistema de espionagem da ditadura sobre o presidenciável Aécio Neves (PSDB).

A Folha localizou 162 conjuntos de papéis no Arquivo Nacional em que ele é citado. Para o SNI (Serviço Nacional de Informações) e o Cisa (Centro de Informações da Aeronáutica), Aécio Neves era o "Aecinho" ou, na maior parte das vezes, o neto de Tancredo Neves (1910-1985).

Aécio quase sempre é citado em análises genéricas sobre votações na Câmara (foi eleito deputado pela 1ª vez em 1986), conjunturas do PMDB ou da política em Minas.

Em 1984 o SNI registrou, sobre a inauguração do "Comitê Jovem Pró-Tancredo Neves", que a coordenação nacional dos comitês que ainda seriam inaugurados em outros Estados estava a cargo de "Aécio Neves da Cunha".

Outro registro de 1984 sobre a "atuação de grupos no campo político contrários ao regime constituído", diz que houve um debate organizado pelo PMDB Jovem. Aécio compôs a mesa que conduziu os pronunciamentos, "nos quais predominaram críticas à revolução de 1964".

Essas movimentações antecederam o pleito indireto de 1985, no qual Tancredo foi eleito.

A relativa pouca atenção dada a Aécio tem, de um lado, relação com sua idade. Quando o golpe ocorreu, ele mal havia completado quatro anos. E em 1983, quando começou sua trajetória pública, como secretário do avô, a ditadura vivia seus estertores.

Outra possível razão é que Aécio não era visto como um elemento perigoso à ordem.

Num papel de 1985, os agentes dizem não haver registros sobre ele no campo ideológico. E mesmo quando ele participou do 12º Festival Mundial da Juventude, em Moscou, os agentes viram não uma aproximação com comunistas, mas um sinal de que o evento atingia universo ideológico "bem diversificado".

Como resume outro documento sobre o "perfil da constituinte", Aécio parecia ser, aos olhos do declinante regime, influenciado "pelo testamento liberal de Tancredo e pelas teses da esquerda moderada mineira".

Lula e Dilma sabiam de corrupção na Petrobrás, diz revista

• Segundo reportagem da 'Veja', depoimento de Youssef à Justiça detalha envolvimento de integrantes do Planalto em esquema na estatal; defesa diz que doleiro nunca mencionou petistas

O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - O doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato, afirmou em depoimento à Justiça Federal que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff tinham conhecimento do esquema de corrupção envolvendo a Petrobrás, de acordo com reportagem publicada na edição desta semana da revista Veja. O depoimento teria ocorrido nessa terça-feira, 21, na sede da Polícia Federal em Curitiba, como parte do acordo de delação premiada feito entre Youssef e a Justiça.

Segundo a reportagem da revista, o doleiro afirmou que o Palácio do Planalto "sabia de tudo". Questionado sobre quem sabia, Yousseff teria respondido "Lula e Dilma". O doleiro não apresentou, durante a delação, provas sobre o envolvimento dos dois. Aos investigadores, ele teria dito ter documentos que comprovam que a operação não existiria na estatal sem o conhecimento de Lula e da presidente.

O doleiro está preso desde março sob acusação de comandar um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões. Ele e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, também preso, afirmaram que integrantes do PT, PMDB e PP recebiam até 3% sobre o valor de contratos firmados pela estatal. Os recursos abasteceriam os partidos e teriam servido de caixa 2 na campanha eleitoral de 2010. Youssef afirmou ainda que ao menos 28 parlamentares foram beneficiados e disse ter documentos que comprovam o esquema.

Paulo Roberto Costa, também em depoimentos concedidos como parte do acordo de delação premiada, afirmou que 32 parlamentares estavam no esquema. Conforme mostrou o Estado na semana passada, Costa disse que o então senador e ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra, que morreu em março deste ano, recebeu R$ 10 milhões para ajudar a enterrar uma CPI contra a Petrobrás, em 2009. A direção do partido disse defender a investigação do caso.

O depoimento de Youssef, ainda de acordo com a revista, detalhou o papel do doleiro no esquema, sua rotina de encontros com integrantes do Executivo e do Legislativo, além de diálogos com o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli.

O criminalista Antonio Figueiredo Basto, que comanda a defesa de Youssef, disse que o doleiro nunca citou a ele os nomes de Dilma e de Lula. “O Beto (Youssef) me disse apenas que tudo 'vinha lá de cima’, mas jamais citou os nomes da Dilma e do Lula. Lamento que esse clima de eleição está gerando uma loucura no Brasil, muita especulação. Beto não me não me falou sobre Dilma e Lula.”

Os procuradores envolvidos na investigação não comentaram o teor do depoimento porque o processo corre em segredo de Justiça. As declarações de Youssef ainda precisam ser homologadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que certificará a veracidade das informações apresentadas pelo delator.

Ministros fazem inaugurações casadas com agenda eleitoral

• No Rio, evento é precedido de distribuição de propaganda eleitoral

Luiza Damé, Catarina Alencastro e Carolina Castro – O Globo

BRASÍLIA e RIO - Às vésperas do segundo turno das eleições, a campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) tem contado com o reforço de seus ministros. Nos últimos dois dias, Miriam Belchior (Planejamento), Gilberto Occhi (Cidades), Paulo Sérgio Passos (Transportes), Francisco Teixeira (Integração Nacional) e Diogo Sant"Anna (interino da Secretaria Geral da Presidência) saíram de seus gabinetes, em Brasília, para eventos públicos envolvendo ações do governo petista que podem render dividendos eleitorais

Em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Occhi entregou ontem 464 unidades habitacionais do Minha Casa Minha Vida, uma das principais vitrines de Dilma na campanha. Na entrada do conjunto, antes da chegada de Occhi, mulheres distribuíram material de campanha do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e adesivos de Dilma. O ministro também assinou contratos para construção de moradias em Niterói e São Gonçalo, município visitado ontem pelo ex-presidente Lula.

Passos, por sua vez, percorreu dois estados onde Dilma apareceu atrás do tucano Aécio Neves nas pesquisas de intenção de voto: Paraná e Mato Grosso. No primeiro, o ministro assinou a ordem de reinício das obras de construção da BR-158 e a autorização para licitação da BR-487. No segundo, visitou as obras de duplicação da BR-163, uma das principais rodovias de escoamento da produção de grãos no país. Hoje, ele irá ao Pará fazer uma "visita técnica" às obras na mesma BR-163.

Interino do ministro Gilberto Carvalho - de férias para reforçar a campanha petista - Diogo Sant"Anna participou, em Mirassol D"Oeste (MT), da assinatura de convênio de R$ 1,25 milhão da Redes Ecoforte com a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase). O convênio vai estruturar dez unidades de referência da produção orgânica e extrativista.

Anteontem, Miriam Belchior (Planejamento) e Francisco Teixeira (Integração) foram a Floresta (PE), onde acompanharam testes de bombeamento de água de uma das estações do projeto de transposição do Rio São Francisco, no Eixo Leste. Semana passada, Tereza Campello (Desenvolvimento Social) e Laudemir Muller (Desenvolvimento Agrário) se encontraram com dirigentes da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), que reforçou ato pró-Dilma em Petrolina (PE), terça-feira.

Os ministérios informaram que as agendas integram o cronograma normal de governo e descartaram relação com a eleição. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse achar natural a participação de ministros em inaugurações de obras, mesmo às vésperas da eleição. Ele afirmou não ver uso da máquina do governo e argumentou que, se houvesse, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agiria:

- O governo tem um conjunto de obras que vão ficando prontas, e é natural que os ministros que não são candidatos façam as inaugurações.

Os números amordaçados - O Estado de S. Paulo / Editorial

A sonegação começou pelos dados mais recentes sobre a desigualdade de renda no País, apurados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento. Em sintonia com os interesses eleitorais da presidente Dilma Rousseff, a cúpula do órgão adiou para depois do segundo turno a divulgação dos números que contrariam a propaganda da candidata sobre a queda continuada da diferença de rendimentos entre os mais ricos e os mais pobres. Em protesto contra a censura, que fere frontalmente o direito de acesso dos brasileiros a informações de natureza pública, um dos diretores da entidade, Herton Ellery Araújo, pediu exoneração do seu cargo. Foi seguido pelo vice-coordenador da sua área, Marcelo Medeiros.

Segundo o titular do instituto, Sergei Soares, o trancamento não teria sido ordenado pelo governo. "Foi uma decisão nossa." É muito possível: no Estado enfeudado pelo PT, servidor esperto é o que se antecipa ao que sabe ser a vontade do amo. O amo é conhecido por sua paranoia, embora nas atuais circunstâncias o temor é bem capaz de ter fundamento. O risco real e presente de Dilma ser derrotada no tira-teima de depois de amanhã pelo tucano Aécio Neves decerto pôs o seu apparat em alerta máximo para impedir que, levada à disputa, qualquer novidade adversa ao seu projeto de poder possa tirar votos, por poucos que sejam, de sua porta-estandarte. Eis por que, à mordaça no Ipea, outras foram aplicadas em setores tão diversos como o Ministério da Educação e da Receita Federal, de que se falará adiante.

O caso do instituto merece ser visto bem de perto por dois motivos que se entrelaçam: a importância dos seus levantamentos sobre o perfil social da população e, nesse estudo específico, pela inovação que permitiu aos seus pesquisadores chegar a verdades inconvenientes para a retórica petista. O primeiro ponto é óbvio: o padrão de distribuição da riqueza nacional neste país que padece para descalçar as botas de chumbo da histórica e vergonhosa desigualdade que nos caracteriza está no centro das atenções desde a redemocratização, a ponto de ter sido uma das preocupações dominantes dos constituintes de 1988. Já a citada inovação, que consistiu em incorporar informações do Fisco aos dados convencionais, fez o Ipea concluir que a desigualdade não só é mais alta do que estimava, como ainda se estabilizou entre 2006 e 2012, segundo o pesquisador Marcelo Medeiros, citado pelo jornal Valor.

O Ipea sustenta que a legislação eleitoral proíbe que se tornem públicos, entre outros, dados capazes de influir nas decisões de voto. Trata-se de uma patranha. O fato é que, dentro da perversa lógica petista de que as informações em posse do Estado devem servir a seus ocupantes - ou para ser divulgadas com espalhafato, quando positivas, ou para ser trancafiadas, quando potencialmente perturbadoras para as perspectivas eleitorais da chefe deles todos -, faz sentido, por exemplo, o arrocho do resultado da arrecadação federal em setembro. Por manter a tendência minguante dos números anteriores, é mais uma prova da crônica situação enfermiça da economia, provocada não pela retração das atividades em escala internacional, como alega a presidente, mas pela incompetência e os zigue-zagues de seu governo.

Para um governo que também quer fazer crer que faz tudo e mais alguma coisa pela educação fundamental no País, melhor deixar guardados os últimos resultados do Ideb - a aferição em âmbito nacional, a cada dois anos, com mais de 7 milhões de estudantes, dos conhecimentos de português e matemática do alunado do ensino básico. O exame mais recente data de agosto de 2013. Responsável pela prova, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), do Ministério da Educação, nega a intenção de escamotear a verdade: a publicação estaria demorando porque os dados do exame precisam ser apresentados de forma tal a facilitar a sua compreensão pelas escolas. Se essa alegação pretende ser sofisticada, a da Receita para a não divulgação da arrecadação de setembro é de um cinismo atroz: os servidores responsáveis por dar publicidade aos números estão absorvidos esta semana com atividades de planejamento.

Aécio lidera com nove pontos de vantagem sobre Dilma

• Pesquisa ISTOÉ/Sensus mostra que o candidato do PSDB chega à reta final da campanha com 54,6% das intenções de voto, enquanto a petista soma 45,4%

- Revista IstoÈ

Pesquisa ISTOÉ/Sensus realizada a partir da terça-feira 21 reafirma a liderança de Aécio Neves (PSDB) sobre a petista Dilma Rousseff nos últimos dias da disputa pela sucessão presidencial. Segundo o levantamento que entrevistou 2 mil eleitores de 24 Estados, o tucano soma 54,6% dos votos válidos, contra 45,4% obtidos pela presidenta Dilma Rousseff. Uma diferença de 9,2 pontos percentuais, o que equivale a aproximadamente 12,8 milhões de votos. A pesquisa também constatou que a dois dias das eleições 11,9% do eleitorado ainda não decidiu em quem votar. “Como no primeiro turno, deverá haver uma grande movimentação do eleitor no próprio dia da votação”, afirma Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus. Se for considerado o número total de votos, a pesquisa indica que Aécio conta com o apoio de 48,1% do eleitorado e a candidata do PT 40%.

De acordo com Guedes, a pesquisa realizada em cinco regiões do País e em 136 municípios revela que o índice de rejeição à candidatura de Dilma Rousseff se mantém bastante elevado para quem disputa. 44,2% dos eleitores afirmaram que não votariam na presidenta de forma alguma. A rejeição contra o tucano Aécio Neves é de 33,7%. Segundo o diretor do Sensus, a taxa de rejeição pode indicar a capacidade de crescimento de cada um dos candidatos. Quanto maior a rejeição, menor a possibilidade de crescimento. Outro indicador apurado pela pesquisa Istoé/Sensus diz respeito á votação espontânea, quando nenhum nome é apresentado para o entrevistado. Nessa situação, Aécio também está à frente de Dilma, embora a petista esteja ocupando a Presidência da República desde janeiro de 2011. O tucano é citado espontaneamente por 47,8% dos eleitores e a petista por 39,4%. 0,2% citaram outros nomes e 12,8% disseram estar indecisos ou dispostos a votar em branco.

Para conquistar os indecisos as duas campanhas apostam as últimas fichas nos principais colégios eleitorais do País: São Paulo, Minas e Rio de Janeiro. O objetivo do PSDB e ampliar a vantagem obtida em São Paulo no primeiro turno e procurar virar o jogo em Minas e no Rio. Em São Paulo, Aécio intensificou a campanha de rua, com a participação constante do governador reeleito, Geraldo Alckmin, e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. De acordo com as pesquisas realizadas pelo comando da campanha de Aécio, em Minas o tucano já estaria na frente de Dilma e a vantagem veio aumentando dia a dia na última semana.

Processo semelhante ocorreu em Pernambuco, depois de Aécio receber o apoio explícito da família de Eduardo Campos e do governador eleito, Paulo Câmara. Os mesmos levantamentos indicam que no Rio de Janeiro a candidatura do senador mineiro vem crescendo, mas ainda não ultrapassou a presidenta. Para reverter esse quadro, Aécio aposta no apoio de lideranças locais, basicamente de Romário, senador eleito pelo PSB, que deverá acompanhá-lo nos últimos atos de campanha. Para consolidar a liderança, Aécio tem usado os últimos programas no horário eleitoral gratuito para apresentar-se ao eleitor como o candidato da mudança contra o PT. Isso porque, as pesquisas internas mostram a maior parte do eleitor brasileiro se manifesta com o desejo de tirar o partido do governo.

No comando petista, embora não haja um consenso sobre qual a melhor opção a ser colocada em prática nos dois últimos dias de campanha, a ordem inicial é a de continuar a apostar na estratégia de desconstrução do adversário. Nas duas últimas semanas, o que se constatou é que, ao invés de usar parlamentares eleitos para esse tipo de ação – como costumava fazer o partido em eleições passadas -- os petistas escalaram suas principais lideranças para a missão, inclusive o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a própria candidata. Os petistas apostam no problema da falta d’água para tirar votos de Aécio em São Paulo e numa maior presença de Dilma em Minas para procurar se manter á frente do tucano no Estado.

PESQUISA ISTOÉ/Sensus
Realização – Sensus
Registro na Justiça Eleitoral – BR-01166/2014
Entrevistas – 2.000, em cinco regiões, 24 estados e 136 municípios do País
Metodologia – Cotas para sexo, idade, escolaridade, renda e urbano e rural
Campo – De 21 a 24 de outubro
Margem de erro - +/- 2,2%
Confiança – 95%