segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Opinião do dia: Aécio Neves

O atual governo fracassou. Essa é a questão central. E não vencerá as eleições o grupo que hoje está no poder. Das duas alternativas competitivas que aí estão, nós apresentamos uma, coerente com nosso passado e o que queremos fazer pelo Brasil.

Aécio Neves, senador (PSDB-MG) e candidato a presidente da República, na entrevista no Rio. O Globo, 1 de setembro de 2014.

Dilma associa fala de Marina ao regime militar

• Presidente diz que renegar partidos é 'flertar com o autoritarismo' e afirma que plano de Marina põe em risco o Minha Casa Minha Vida

Mateus Coutinho - O Estado de S. Paulo

Em evento do diretório do PMDB de São Paulo em Jales, a presidente Dilma Rousseff partiu para o ataque à candidata do PSB, Marina Silva. Em um discurso focado na "defesa das instituições", a presidente relembrou o período ditatorial para criticar o discursos da ex-senadora de que não governa com partidos, mas sim com pessoas.

"Em uma democracia, quem não governa com partidos está flertando com o autoritarismo", afirmou a presidente, fazendo referência a uma recente declaração de Marina segundo a qual governará, se eleita, com os "melhores" de cada partido.

Ela procurou, também, associar o discurso de Marina à ditadura militar que, segundo ela, foi o período em que "poucos e bons" governavam. "Eu me lembro da ditadura, onde o que se dizia era o seguinte: empresário é para fazer negócio, estudante é só para estudar, todas as pessoas têm que trabalhar. Uns poucos, uns bons, governarão", disse. "Poucos e bons governaram, essa era a visão mais atrasada, que nós na época chamávamos a visão da tecnocracia, de que tinha no Brasil (sic) escolhidos que não eram escolhidos pelo povo e que eram os mais capazes", acrescentou a petista.

A fala da presidente ocorre um dia após a divulgação de nova pesquisa que mostrou Dilma empatada com Marina Silva no primeiro turno da disputa presidencial com 34% das intenções de voto e, no segundo turno, uma vitória de Marina com 10 pontos de vantagem.

Dilma também atacou o programa de governo de Marina, que prevê uma redução da participação do Estado na economia e uma menor intervenção de bancos estatais. "Se diminuírem o crédito do banco público, acaba o Minha Casa Minha Vida", afirmou a presidente, referindo-se ao principal programa habitacional do governo e bandeira de sua campanha à reeleição. Ela explicou ainda que somente os bancos públicos conseguem financiar o programa. "A política de subsídio garante que a gente complete o dinheiro das pessoas que ganham até 1600 reais para que elas possam comprar uma casa", afirmou. "Os bancos privados colocariam esse dinheiro? Certamente que não", desafiou.

Ela também lembrou que o agronegócio, por meio do plano Safra, e até a agricultura familiar são financiados por bancos públicos. "Hoje todo o dinheiro do plano Safra e da agricultura, tanto a grande quanto a média e a pequena, é financiado pelo governo federal por meio de bancos públicos", disse a presidente. "Não é só o Minha Casa Minha Vida que vai acabar, o mais grave é que também não vai ter plano Safra do agronegócio."

Questionado sobre as pesquisas de intenção de voto, o vice-presidente Michel Temer desconversou. "Não preocupa não, nós temos um mês e quatro dias de campanha", disse. Neste mesmo período, em 2010, o Datafolha apontava a presidente com 47% das intenções de voto contra 29% de José Serra (PSDB) e 9% de Marina. Mas, naquela época, as pesquisas apontavam a vitória de Dilma no 2.º turno.

Tentando não deixar transparecer preocupação com os novos números do Datafolha, Temer deixou claro que a campanha precisa "politizar" e reforçou o discurso da "preocupação com as instituições". "Temos que mostrar o que o governo fez, mostrando mais mudanças para o futuro e, do outro lado, a política, nosso governo é obediente às instituições", disse.

Redes sociais. O perfil de Dilma no Facebook divulgou ontem um texto que comenta a exclusão de temas caros aos homossexuais do programa de governo de Marina. O texto afirma que Marina é "um grande ponto de interrogação", chama a ex-ministra do Meio Ambiente de "evangélica fervorosa" e diz que ela, assim como o PSB, apesar do discurso da "nova política", se utilizam de "velhas práticas". / Colaborou Lucas de Abreu Maia

Dilma convoca imprensa para atacar Marina

• Presidente diz que programa do PSB significa redução do emprego no país

Fernanda Krakovics – O Globo

BRASÍLIA — A presidente Dilma Rousseff, que disputa a reeleição, convocou a imprensa neste domingo para dizer que a proposta de governo de sua principal adversária no momento, a candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, significa redução de emprego e é prejudicial à indústria nacional.

— Hoje eu li o programa de governo da candidata e vi propostas que me deram muita preocupação em relação ao emprego e à indústria nacional — afirmou a presidente, que não respondeu a perguntas.

Dilma ressaltou a política de conteúdo nacional de seu governo, principalmente para a indústria naval, e disse que os empregos no setor subiram de 2.500 vagas no ano 2000 para 81 mil em julho deste ano, com a previsão, segundo ela, de alcançar 100 mil postos no ano que vem. A presidente afirmou ainda que a indústria automobilística ganhou relevância em seu governo, atraindo 12 unidades, como da Nissan, Audi, Hyundai e Land Rover.

— Eu não fui eleita para desempregar ou reduzir a importância da indústria. Não serei eleita para isso. Minha proposta sempre será criar empregos cada vez mais qualificados — disse Dilma.

Aécio diz que Dilma já perdeu a eleição

• Candidato tucano ao Planalto participou de jogo com artistas e políticos no centro de futebol do ex-jogador Zico, no Rio de Janeiro

Tiago Rogero - O Estado de S. Paulo

RIO - Candidato do PSDB à presidência da República, o senador Aécio Neves afirmou no início da tarde deste domingo, 31, que já é certa a derrota de Dilma Rousseff (PT) na eleição. "O atual governo fracassou, essa é a questão central, e não vencerá as eleições o grupo que está hoje no poder", cravou o tucano, que voltou a criticar o programa de governo da adversária Marina Silva, do PSB. Segundo Aécio, que participou de jogo com artistas e políticos no centro de futebol do ex-jogador Zico na zona oeste do Rio de Janeiro, o PSB traz em seu programa temas defendidos historicamente pelo PSDB, e já criticados num passado recente por Marina e pela presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT.

Depois de dizer que Dilma não vencerá, Aécio afirmou que das "duas alternativas competitivas que aí estão", uma é a do PSDB (a outra, a do PSB). "Apresentamos uma alternativa absolutamente coerente com nosso passado, com aquilo que pensamos lá atrás, e com o que queremos fazer pelo Brasil. E a população brasileira terá a oportunidade de avaliar entre essas propostas, até porque não há nada mais velho na política do que o discurso adaptado às circunstâncias do momento", disse, em referência às corriqueiras críticas que Marina Silva faz ao que tem chamado de "velha política".

Aécio rebateu as críticas do candidato a vice de Marina, Beto Albuquerque. Ontem à noite, em evento no Rio, Albuquerque afirmou que, para criticar o programa de Marina, Aécio deveria primeiro lançar o seu. "As diretrizes foram lançadas. Talvez o candidato Beto não esteja acompanhando de perto as discussões que fizemos ao longo dos últimos anos. Será lançado nos próximos dias, em data pré-estabelecida, mas não é pra se ofender", disse Aécio.

"Eu apenas encontrei no programa do PSB as defesas das mesmas posições que nós defendemos historicamente, no ponto de vista da macroeconomia, da transformação do Bolsa Família em um programa de estado, a meritocracia no setor público. Lamento apenas que, no momento em que implementamos essas medidas, nenhum deles estava ao nosso lado para ajudar", afirmou.

Participam do jogo, além de Zico e Aécio, os ex-atletas Bebeto (campeão mundial de futebol em 1994 e candidato à reeleição como deputado estadual no Rio) e Giovanni (ex-jogador de vôlei, candidato a deputado federal pelo PSDB em Minas Gerais) e artistas como o ator e cineasta Márcio Garcia. Aécio jogou com a camisa 45 no mesmo time de Zico, que vestiu a 10.

Aécio mira críticas a Dilma e diz que o PT deixará o poder

• Presidenciável deu declaração a jornalistas antes de participar de jogo com ex-atletas em clube do Zico

Alexandre Rodrigues – O Globo

RIO - Em busca de uma reviravolta nas pesquisas, o senador Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência da República, passou a tarde de domingo no centro de futebol do ex-jogador do Flamengo e da Seleção Brasileira Zico, na Zona Oeste do Rio. Aécio participou de um jogo de futebol com ex-atletas e artistas que apóiam a sua candidatura e assinou uma carta com compromissos com políticas de popularização e profissionalização do esporte.

Antes de entrar no gramado, Aécio disse que a principal interpretação das pesquisas de intenção de voto é a de que o governo da presidente Dilma Rousseff não será reeleito e o PT deixará o poder. Sobre a sua posição em terceiro lugar nas sondagens, atrás de Marina Silva (PSB), empatada com Dilma em primeiro, ele disse que ainda há tempo de os brasileiros compararem os projetos políticos alternativos antes da escolha definitiva.

— O atual governo fracassou. Essa é a questão central. E não vencerá as eleições o grupo que hoje está no poder. Das duas alternativas competitivas que aí estão, nós apresentamos uma, coerente com nosso passado e o que queremos fazer pelo Brasil. A população vai ter oportunidade de avaliar essas propostas, até porque não há nada de mais velho na política do que o discurso adaptado às circunstâncias do momento — afirmou.

Sobre o tom das críticas que tem feito à Marina, disse que isso não o afasta de um apoio dela se chegar ao segundo turno.

— Ao contrário, eu tenho sempre ressaltado que respeito todas as candidatas, especialmente Marina. Cobro que cada candidato diga com clareza o que pretende fazer adiante — disse Aécio.

Pênalti mal marcado
O candidato chegou pouco depois das 14h e foi aplaudido pelos convidados de Zico que o aguardavam numa área ao lado do campo onde eram vendidos churrasco no espeto e bebidas. Havia ex-atletas como Bebeto, Dada Maravilha e o ex-integrante da seleção de vôlei Giovane, e artistas como Marcio Garcia, Mauro Mendonça, Eri Johnson, Fagner e Paula Burlamaqui.

Aécio jogou cerca de vinte minutos nos dois tempos da partida e marcou dois dos cinco gols da vitoria do seu time, liderado por Zico. Um dos gols foi de pênalti, claramente favorecido pelo juiz e pelo goleiro, tudo compatível com o clima de descontração do evento.

— Está chegando a hora da virada! — gritava um locutor para a pequena plateia de militantes com bandeiras, repetindo a frase que estampava um cartaz no fundo do campo.

O time dos adversários fez três gols. Entre o primeiro e o segundo tempos, Aecio ficou na beirada do campo com gelo aplicado no joelho esquerdo, que demostrava sentir, mas não economizou fôlego correndo em campo. A equipe de comunicação do candidato fez imagens e colheu depoimentos para o programa eleitoral gratuito na TV.

Aécio diz que governo fracassou

• "Eu tenho um projeto para o país e o Brasil não é para amadores", diz o candidato do PSDB à Presidência

Alessandra Mello – Estado de Minas

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, disse ver contradições nas atuais propostas da candidata do PSB, Marina Silva, em relação a posições adotadas por ela quando era passada filiada ao PT. Marina deixou a legenda em 2008. Segundo ele, o PSDB não contou com o apoio dessas forças políticas na aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal e na defesa do agronegócio, considerada por ele fundamental para a economia e geração de empregos. "Eu vejo na proposta do PSB um número muito grande de contradições em relação àquilo que se propõe hoje e que se praticou no passado, em todas as áreas. Lamento que, no momento em que lançamos essas medidas, nenhum deles estava ao nosso lado para ajudar", disse.

Ele também mencionou o lançamento do Plano Real, em 1994, durante o governo Itamar Franco, e a valorização da meritocracia no setor público, que segundo ele, ainda enfrentam contrariedades dos adversários. "Mas acho que durante a campanha eleitoral vai ficar muito claro quais são as propostas de cada candidato. Eu tenho um projeto para o país e o Brasil não é para amadores", afirmou Aécio, que participou hoje no Rio de Janeiro de uma partida de futebol promovida por Zico e apoio à candidatura do tucano.

Questionado sobre o desempenho de Marina, Aécio disse que respeita a adversária. "Ela é uma candidata competitiva e agora terá a oportunidade de externar as suas propostas, terá a oportunidade de dizer no que acredita de verdade", afirmou. "O que é importante neste momento, que vamos tomar uma decisão desta dimensão para o futuro do Brasil, é que cada candidato diga com absoluta clareza o que pretende fazer em relação à política econômica, em relação à nossa política externa", disse.

Aécio reforçou que, caso eleito, promoverá uma política fiscal transparente. Para isso, disse que vai contar com um time dos melhores especialistas para conduzir a economia e fazer o Brasil voltar a crescer. "É de emprego que os brasileiros precisam para viverem melhor. O atual governo fracassou e não vencerá as eleições o grupo que está no poder. Das duas alternativas competitivas que aí estão, nós apresentamos uma completamente coerente", ressaltou Aécio.

No evento promovido por Zico para Aécio, participaram atletas e artistas como Alexandre Torres, Bebeto, Giovani, Helton Leite, Marcio Garcia, Bruno Coimbra, Maurinho, Ricardo Cruz, Fagner, Eri Johnson, Claudio Adão, Robson Caetano, Maciel e Ricardo Rocha. De uniforme verde amarelo, Aécio jogou com a camisa 45, número do PSDB, e Zico com a 10, mesmo número que usava quando jogou no Flamengo.

Durante o evento, Aécio assinou uma “Carta Compromisso pelo Esporte Brasileiro”. Nela, o candidato se compromete a estimular a prática esportiva e torná-la uma ação de estado para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros. O documento tem nove pontos, entre eles a desburocratização da legislação e a criação de um comitê para promover parcerias entre os entes públicos, com o objetivo de estimular o esporte no país. (com agências)

PMDB já acena para candidata do PSB

• 'Temos condições de dar governabilidade a Marina', diz vice-líder na Câmara, Danilo Forte

Caio Junqueira e Ricardo Brito - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - As chances efetivas de vitória de Marina Silva na eleição presidencial já levam a ala do PMDB que apoia a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB) a dar como certa a adesão da legenda a um eventual governo seu. A avaliação desse grupo é a de que as chances de recuperação do tucano são difíceis e a perspectiva de poder hoje está com Marina.

Isso faz com que a histórica divisão do PMDB ganhe novos contornos. Se antes da campanha o debate era levar ou não o partido a apoiar a reeleição de Dilma Rousseff, agora ele começa a se dar entre compor ou não com Marina e o momento em que essa sinalização deve ser feita.

A cúpula peemedebista, responsável pelo apoio pró-Dilma e que tem em Michel Temer, Renan Calheiros e José Sarney seus expoentes, quer colocar a máquina do partido para derrotar Marina no 2.º turno. Em caso de vitória de Marina, esse grupo fala em dar os tradicionais 100 primeiros dias de trégua ao seu governo para, nesse período, aguardar os sinais da ex-ministra. Prevê, porém, uma relação hostil. Justamente por onde a outra ala planeja crescer. Geddel Vieira Lima, candidato ao Senado pela Bahia, tem interesse em liderar esse movimento.

Os aecistas do PMDB, em processo de transfiguração para neo-marineiros, querem começar a emitir os sinais da adesão ao fechar das urnas do primeiro turno. Estão espalhados por Estados como Bahia, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, prontos para deflagrar esse processo. "Marina já sinalizou que abrirá o diálogo com os políticos. Temos plenas condições de dar sustentabilidade e governabilidade a ela", disse o vice-líder da bancada da Câmara, Danilo Forte (CE).

Até mesmo peemedebistas egressos de Estados que apoiam Dilma avaliam que o PMDB estará com Marina se ela vencer. "O PMDB é um partido pragmático. Não teria problemas em se reposicionar e integrar a base de Marina", disse Saraiva Felipe (MG), ex-ministro da Saúde do governo Lula.

Além de derrotar Dilma, essa ala do PMDB pretende aproveitar o embalo para contestar Temer no comando da sigla. Afinal, é ele o maior avalista do acordo com o PT. Assim, a eleição de Marina resultaria em um reposicionamento interno de forças políticas na legenda.

Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS) seriam os interlocutores naturais, uma vez que próximos a Marina. Mas o problema é que eles não têm força interna para, sozinhos, conduzirem o partido rumo a ela.

Uma aposta é que os governadores eleitos pelo partido possam fazer essa intermediação, uma vez que há uma dependência financeira grande dos Estados em relação à União, o que torna a aproximação necessária.

Nomes como os senadores Eduardo Braga (AM) e Eunício Oliveira (CE) e o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), que lideram as pesquisas eleitorais em seus Estados, são algumas opções. Entretanto, por motivos óbvios, a relação também terá necessariamente de passar pelo Congresso Nacional, onde o cenário hoje colocado para comandar as duas Casas é de dois peemedebistas conhecidos por jogar duro com o Palácio do Planalto: o senador Renan Calheiros (AL) e o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). Uma vez eleitos, o jogo terá de passar por eles.

Não uso minha fé com fins políticos, afirma Marina

- Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - A candidata Marina Silva afirmou à Folha, por meio de sua assessoria de imprensa, que nunca instrumentalizou sua fé com fins políticos.

"Não faço de palanques púlpitos nem de púlpitos, palanques. Minhas decisões políticas são elaboradas, discutidas e implementadas nos espaços da institucionalidade da política. [...] Nunca instrumentalizei minha crença religiosa para um fim político."

Marina afirmou ainda que, para as pessoas de fé, "a vida é uma oração, um processo constante e intenso de relacionamento com Deus".

Acrescentou: "Para os cristãos de qualquer corrente teológica, a Bíblia é a base de sua fé. O exercício da fé é um direito de ordem pessoal, assegurado pela Constituição do Brasil. Apenas aqueles que se pautam pela intolerância religiosa encaram esse direito como elemento que conspira contra o Estado laico e o Estado de Direito".

Ela também argumenta que mesmo "o presidente tem direito de vivenciar espaços de sua vida num ambiente restrito à sua pessoalidade sem a obrigatoriedade de compartilhar essa experiência com a chamada opinião pública".

Ela ressaltou que Eduardo Campos também era um homem de fé. "Esse elemento de sua persona era mais um dos tantos dos quais tínhamos grande identidade. Atribuir-lhe agora a autoria de uma declaração sobre nosso relacionamento, sem que ele tenha o direito de confirmá-la ou refutá-la, é um desrespeito à sua memória."

Aliados de Marina afirmam ainda que foi Lula quem chamou pastores evangélicos para orar por ele no Planalto, durante a crise do mensalão.

'Política não deve mandar na religião, nem religião na política', afirma vice de Marina

• Campanha do PSB intensifica esforço para desvincular imagem da candidata de grupos religiosos mais conservadores em meio à polêmica exclusão de temas caros à causa gay do plano de governo menos de 24 horas após o lançamento

Roldão Arruda e Lucas Azevedo - O Estado de S. Paulo

A campanha da candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, vem intensificando esforços para desvincular a sua imagem de grupos religiosos mais conservadores da área evangélica. Ontem, durante ato de campanha no Parque Farroupilha, em Porto Alegre, o candidato a vice na chapa, deputado Beto Albuquerque, defendeu a laicidade do Estado e disse que o governo do PSB não vai privilegiar nenhuma religião. "Não podemos fazer um governo desta ou daquela religião. Precisamos fazer um governo para os brasileiros", afirmou. "Nem a política deve mandar na religião, nem a religião na política. Temos que ser laicos."

As críticas ao que seria uma excessiva dependência da candidata em relação a grupos mais conservadores se intensificaram após ela ter prometido em seu programa a defesa de reivindicações do movimento gay e, menos de 24 horas depois, divulgar uma errata na qual recuava nas questões principais daquele capítulo. A decisão da candidata ocorreu após alguns pastores e políticos da bancada evangélica terem exigido que ela se retratasse, sob pena de perder os votos da comunidade evangélica.

Em sua conta do Twitter, o pastor Silas Malafaia, destacado ativista contra as reivindicações do movimento de defesa dos direitos de gays, lésbicas, travestis e transexuais, afirmou que Marina, "a candidata membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus", estava fazendo "uma defesa vergonhosa da agenda gay". Em seguida, ameaçou: "Se Marina não se posicionar até segunda, na terça será a mais dura e contundente fala que já dei até hoje sobre um candidato a presidente".
Preocupação. Marina divulgou a errata no sábado, atribuindo o que havia sido publicado - defesa clara do casamento entre pessoas do mesmo sexo e da criminalização da homofobia - a uma "falha processual na editoração do texto". A mudança provocou críticas de ativistas do movimento gay e fora dele.

"A errata foi um banho de água fria, mas nós já sabíamos que, dos três candidatos que se destacam nas pesquisas, ela é a que sempre se manteve mais distante da população LGBT", disse ontem o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Carlos Magno. "O mais preocupante , porém, é ver a candidata se distanciando de uma das grandes conquistas da democracia, o Estado laico."

O escritor Milton Hatoum, um dos mais importantes ficcionistas brasileiros da atualidade, traduzido em várias línguas, anunciou publicamente ontem a retirada de seu nome de uma lista de personalidades, intelectuais e artistas que haviam declarado apoio a Marina. "Não acredito em falha processual na editoração do texto. Foi uma falha moral. Uma falha de princípios éticos. Uma falha com os compromissos republicanos de um Estado laico", disse o escritor ao Estado. "Não quero eleger um presidente da República que seja refém de bancadas religiosas. Tenho pavor disso."

A campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) usou o episódio para definir Marina como "uma evangélica fervorosa" em post publicado no Facebook no fim de semana. Para o ex-governador tucano Alberto Goldman, um dos coordenadores da campanha de Aécio Neves, a "errata" da campanha do PSB "é uma agressão à nossa inteligência".

Ele disse em seu blog que, ao excluir o apoio às propostas em defesa do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e de criminalização da homofobia, a ex-ministra do Meio Ambiente demonstrou "clara submissão a grupos que a apoiam, na linha da velha política".

Ação conjunta. Enquanto o vice de Marina tentava desvincular a candidata de grupos religiosos mais conservadores, o comitê LGBT da campanha divulgava uma nota na qual confirma a versão de que houve um erro na editoração do capítulo que trata dos direitos dos homossexuais.

Segundo o comitê, o que saiu publicado foi a pauta integral reivindicada pela base do PSB e representantes da Rede de Marina - e não o que havia sido aprovado pela coordenação política da campanha. "Não vamos aceitar que uma falha de diagramação desqualifique nosso debate pela construção de uma nova política", diz o texto. "Nossa luta é pela defesa do Estado laico e por um Brasil que respeite a todos."

A nota foi produzida após um longo e ruidoso processo de consultas internas, ao final do qual vários dos participantes disseram que não dariam entrevistas por orientação da campanha.

Campanha do PSB espera mais ataques e reforça atuação no Rio

Renata Batista – Valor Econômico

RIO - Apesar do discurso de que é preciso manter a humildade, a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, abriu com agenda e discurso de favorita sua campanha de rua no Rio de Janeiro, mas sem material de campanha. O Estado, onde alcançou o segundo lugar em 2010, é considerado prioritário por seus estrategistas. Nem mesmo a necessidade de esclarecer às dúvidas geradas pela retificação de dois itens do programa de governo divulgado na véspera arrefeceu uma Marina que no sábado percorreu - sorridente - uma das principais vias da Rocinha, acompanhada de aliados e dezenas de jornalistas, inclusive de emissoras de TV estrangeiras. Predominou a tese de ataque à candidatura em decorrência de seu crescimento.

Em discurso para militantes, reunidos pelo PSB em uma casa de shows na Lapa, Marina chamou de "movimento" o crescimento de sua candidatura e pediu uma campanha limpa. Antes, porém, o candidato a vice-presidente, Beto Albuquerque, e aliados de vários partidos conclamaram a plateia a responder as críticas e sinalizaram para o acirramento da disputa.

"Vamos fazer a campanha de limpeza da campanha. Vamos ser coerentes", disse Marina, que mais cedo havia atribuído as correções no programa a um engano. "Não é que seja uma revisão. O texto que foi publicado não é o texto que havia sido mediado. Foi apenas retornado o texto da mediação, porque havia sido cometido o engano", afirmou, questionada sobre as mudanças nos itens sobre união civil de homossexuais e sobre energia nuclear. Mediação, segundo a candidata, foi o esforço de reunir e avaliar diversas contribuições recebidas da sociedade civil.

A expectativa de candidatos e dirigentes partidários, salientada para os militantes no encontro da tarde de sábado, é que a campanha deve ficar mais dura para Marina a partir de agora. Ontem, o PSB divulgou nota sobre dois ataques ao site oficial da campanha, que ficou fora do ar por cerca de uma hora no sábado e por 20 minutos ontem. "Não tenho dúvida de que os ataques serão feitos com intensidade no tempo que resta de campanha", resumiu o presidente do PSB no Rio, o deputado federal Glauber Braga.

Sem referências diretas às suspeitas de irregularidades no uso do jatinho que transportava Eduardo Campos, Albuquerque voltou a dizer, em tom crítico, que as circunstâncias do acidente permanecem desconhecidas. Frisou também que Marina e ele serão "alvo de injustiças e agressões", mas acenou para a defesa das instituições. "Eu e Marina não seremos eleitos para fazer o que dê na cabeça, mas para fazer o que está na lei, na Constituição", disse.

Entre os aliados, o discurso já é de vitória, pelo menos no Rio, apesar do noticiário recente sobre o possível impacto negativo da política da candidata para exploração de petróleo no pré-sal e, consequentemente, para a economia fluminense. O Estado é considerado prioritário não apenas pelo histórico de votação da candidata, mas também porque foi um dos mais ativos nas manifestações de 2013. Historicamente, o eleitor fluminense tende a se posicionar majoritariamente na oposição.

Participaram da agenda nomes como o deputado federal e líder na corrida para o Senado, Romário Farias, o deputado Alfredo Sirkis e o ex-secretário de segurança, Luiz Eduardo Soares. Após acompanhar Marina durante todo o sábado, o deputado federal, Miro Teixeira (Pros), se despediu, na abertura do encontro com militantes, anunciando para ela e para a plateia, de cerca de 200 pessoas: "Tenho que ir embora. Mas já está eleita".

Outro aliado, o ex-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet) e candidato a deputado federal pelo PPL, Fernando Siqueira, foi mais incisivo e disse que o discurso de Marina para o pré-sal "converge" com o dele. Para Siqueira, o pré-sal deve ser usado para viabilizar as energias sustentáveis. "Tentam intrigá-la com a sociedade brasileira. Quem está falando isso não quer a Marina porque quer manter o status quo", disse, e conclamou: "Vocês estão convidados a continuar nas ruas para dar suporte a Marina e ao Beto para governar o povo brasileiro".

A participação popular foi exaltada em vários momentos dos discursos, sem deixar de lado a defesa da institucionalidade. "A gente não pode sair das ruas, mas esse ano também temos que ir para as urnas porque só nas ruas não mudamos nada", disse Albuquerque.

Em Porto Alegre, ontem, Beto Albuquerque procurou atenuar a possível interferência de líderes religiosos na campanha e na retificação do programa de governo sobre os direitos homossexuais: "Nem a política deve mandar na religião nem a religião na política".

Em sua avaliação, os compromissos previstos no programa são "mais avançados" e "mais claros" que aqueles dos adversários Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) para a mesma questão. Albuquerque disse que havia "exagero" em assumir no programa algo que cabe ao Parlamento, em referência a projetos relacionados ao tema - entre eles está o projeto 122/06 que criminaliza a homofobia e cuja defesa constava na primeira versão divulgada pela campanha de Marina, depois retificada. (Colaborou Sandra Hahn, de Porto Alegre)

Recessão pode gerar demissões, diz Aécio

Rodrigo Polito e Luiz Henrique Mendes – Valor Econômico

RIO e RIBEIRÃO PRETO (SP) - Terceiro colocado nas pesquisas para a eleição presidencial e abastecido pelo recuo de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, Aécio Neves (PSDB) adotou o tema econômico como principal arma para atacar a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição. Segundo o senador, se o cenário econômico permanecer ruim, haverá queda do número de empregos no país.

"O Brasil vive hoje um processo de recessão técnica que significa para as pessoas que os empregos que estão sendo gerados hoje deixarão de ser gerados mais adiante. Não existe emprego, sobretudo de boa qualidade, quando não existe crescimento" afirmou ontem Aécio, antes de participar de uma partida de futebol promovida em parceria com o ex-jogador Zico, no Rio.

Diante do quadro econômico atual, Aécio sentenciou que o PT deixará o governo em 2015. "O atual governo fracassou. Essa é a questão central. E não vencerá as eleições o grupo que está hoje no poder", completou o tucano.

Com relação à ascensão de Marina Silva (PSB) nas pesquisas, Aécio reconheceu que ela é uma "candidata competitiva", mas cobrou clareza com relação às propostas da ex-senadora. "O Brasil não é para amadores. Vejo na proposta do PSB muitas contradições entre o que propõe e o que praticou no passado. Não há nada mais velho na política do que o discurso adaptado às circunstâncias do momento", afirmou.

Ainda com relação à nova concorrente, Aécio comentou, sábado, durante campanha em Ribeirão Preto (SP), que o programa de governo apresentado pelo PSB, que defende a revalorização do tripé econômico, "é a maior homenagem" que ele poderia receber. Para o senador, o programa de Marina Silva "consagra as teses" que o PSDB defende ao longo de sua história.

Sobre o programa de governo do PSDB, Aécio contou ontem que o partido lançará o documento nos próximos dias. O texto, segundo ele, será coerente com a história do partido.

Questionado sobre investigação do Ministério Público de Minas Gerais, de supostas irregularidades no programa Poupança Jovem, criado por ele quando era governador do Estado, Aécio disse que não foi citado no caso.

"Tem que perguntar para o promotor, que abriu [a investigação] em 2009, e eu nem fui citado com relação a isso. Tem que tomar muito cuidado com essas notícias que vêm em vésperas de eleição. Eu faria uma pergunta: alguém que abriu a investigação em 2009 e não citou o Estado até hoje? Fica para você a pergunta", disse o senador a jornalistas.

Aécio: eleitor escolherá melhor alternativa

• Ultrapassado por Marina, tucano afirma que leitura principal das pesquisas é a saída do PT do poder

Alexandre Rodrigues – O Globo

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, disse ontem que a principal interpretação das pesquisas de intenção de voto é a de que a presidente Dilma Rousseff (PT) já perdeu a reeleição e o PT deixará o poder. Para o senador, a eleição deste ano será decidida entre a candidatura dele e a de Marina Silva (PSB), que o ultrapassou nas sondagens e empatou com Dilma em primeiro lugar, de acordo com pesquisa do Datafolha divulgada na semana passada. Sobre a sua posição em terceiro lugar, ele afirmou que ainda há tempo para sua campanha levar as propostas aos eleitores para que eles possam comparar os dois projetos políticos alternativos ao PT antes de fazer a escolha definitiva nas urnas.

- O atual governo fracassou. Essa é a questão central. E não vencerá as eleições o grupo que hoje está no poder. Das duas alternativas competitivas que aí estão, nós apresentamos uma, coerente com o nosso passado e com o que queremos fazer pelo Brasil. A população vai ter oportunidade de avaliar essas propostas, até porque não há nada de mais velho na política do que o discurso adaptado às circunstâncias do momento - afirmou Aécio, que voltou a apontar inconsistências e contradições no discurso de Marina.

Semelhança de programas
O tucano negou que tenha classificado o crescimento de Marina nas pesquisas como "uma onda", embora tenha usado a expressão sem citá-la diretamente há uma semana, em visita ao comércio popular da Saara, no Rio. Na ocasião, ele disse que política e eleições muitas vezes funcionam como o mar, "as ondas vêm". Agora, o tucano reconhece a candidata do PSB como "competitiva", mas se disse "animado" para levar sua campanha até o fim, cobrando mais clareza de Marina.

- Nunca disse que era uma onda. Respeito a posição de Marina, uma candidata competitiva. Ela agora terá a oportunidade de dizer ao Brasil no que acredita de verdade - disse Aécio, pouco antes de entrar em campo para um jogo de futebol com ex-atletas e artistas que o apoiam no complexo esportivo do ex-jogador Zico, na zona oeste do Rio. - Vamos até o último dia, defendendo o que acreditamos ser melhor para o Brasil. O atual modelo fracassou por improviso, por inexperiência. Não queremos que o Brasil fracasse novamente.

Aécio repetiu que viu muitas semelhanças entre o programa de governo apresentado por Marina na última sexta-feira e as ideias que ele e seu partido defendem, embora tenha sido cobrado pelo vice na chapa de Marina, Beto Albuquerque (PSB), por ainda não ter lançado o seu. O tucano não quis dar uma data, disse apenas que já apresentou as diretrizes e que seu plano será divulgado "nos próximos dias". Sobre as críticas que tem feito a Marina, Aécio afirmou que não o afastam de um apoio dela se chegar ao segundo turno.

- Ao contrário, eu tenho sempre ressaltado que respeito todas as candidatas, especialmente Marina. Cobro que cada candidato diga com clareza o que pretende fazer adiante - amenizou. - Boas intenções todas as candidaturas trazem, mas o Brasil precisa de mais do que isso.

Aécio classificou a estagnação econômica do governo Dilma de "grave crise". E disse que tem condições de escalar "os melhores" para comandar a economia, não o "segundo ou terceiro time":

- Não existe emprego, sobretudo de boa qualidade, quando não existe crescimento. As próprias negociações salariais serão feitas em prejuízo do trabalhador. O Brasil precisa rapidamente encerrar esse ciclo de governo que fracassou para iniciar um outro, de retomada do crescimento a partir da credibilidade daqueles que vão assumir o o governo.

Analistas cortam previsão para o PIB a 0,52% em 2014

• Na semana passada, dados do IBGE, que mostraram contração de 0,6% no 2º trimestre

- O Globo

RIO - Analistas do mercado financeiro reduziram, pela 14ª vez consecutiva, a previsão para o crescimento da economia brasileira neste ano. Segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, a nova projeção é de alta de apenas 0,52% em 2014, bem menor que a expectativa de 0,70% da semana passada.

O relatório é o primeiro a sair após o IBGE divulgar o resultado do PIB do segundo trimestre, que não só mostrou contração de 0,6% no segundo trimestre, mas também revisou o dado relativo aos primeiro trimestre, que ficou negativo em 0,2%. As duas quedas seguidas caracterizaram a chamada recessão técnica.

Os números decepcionaram ainda mais os analistas, que já estavam pessimistas em relação à economia do país. Na quinta-feira, antes da divulgação dos dados do IBGE, a mediana das projeções indicava alta de 0,69%. Na sexta-feira, a estimativa caiu para os 0,52% reveleados nesta segunda. O resultado ruim também influenciou as projeções dos economistas para o ano que vem. Agora, a previsão é de alta de 1,1% (frente a 1,2% apontada na semana passada).

Em relação à inflação, a estimativa dos economistas permaneceu a mesma. A previsão é que o IPCA feche o ano em 6,27%. Para 2014, a mediana das projeções subiu levemente, de 6,28% para 6,29%.

Também não houve alteração da projeção para a taxa de juros deste ano, que foi mantida em 11% ao ano. Já para o ano que vem, a mediana das previsões subiu para 12% ao ano. Nas últimas semanas, as estimativas para a Selic de 2015 têm oscilado entre 11,75% e 12% ao ano, influenciadas principalmente pelas projeções para a alta de preços do ano que vem.

Ricardo Noblat: À espera de Marina

- O Globo

"Não existem salvadores da pátria. A pátria é uma construção de homens e mulheres."
Marina Silva

Há dez dias, onde você leu: "Nosso grande adversário é o PT", disse Aécio Neves, candidato do PSDB a presidente da República, em viagem a Dourados, Mato Grosso do Sul; agora, leia: "Nosso grande adversário é Marina Silva", candidata a presidente pelo PSB, e que substituiu Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo. De fato, Aécio ainda não disse que Marina é sua grande adversária. Nem precisava...

ELEIÇÃO SURPREENDENTE como esta só houve uma desde o restabelecimento da democracia no país em 1985. Há quatro anos, Lula elegeu Dilma com larga folga de votos. Como estava previsto. Há oito anos, ele se reelegeu — também como estava previsto. Foi há 12 anos, sem surpresa alguma, que Lula subiu pela primeira vez a rampa do Palácio do Planalto.

EM 1989, NÃO. Naquele ano, mais de 20 candidatos disputaram a primeira eleição direta para presidente depois de 21 anos de ditadura. O nome que parecia o mais forte, Ulysses Guimarães, do PMDB, amealhou menos de 5% dos votos no primeiro turno. Os livres atiradores Fernando Collor e Lula se bateram no segundo turno. Collor venceu — sem partido, sem preparo, sem compromissos.

FOI ABERTA a temporada de tiro ao alvo em Marina. E a acusação mais leve que lhe fazem nas redes sociais é de que poderá vir a ser o novo Collor. Ou o novo Jânio Quadros. Militantes do PT e do PSDB se digladiam para ver quem consegue provocar mais danos à imagem da candidata. Jânio foi o presidente que renunciou ao mandato em agosto de 1961 depois de seis meses no cargo.

BEBIA MUITO. E era meio doido. Renunciou para dar um golpe com o apoio dos militares e o respaldo da maioria dos eleitores. Nem conseguiu apoio nem respaldo. Collor teve o mandato cassado pelo Congresso devido à suspeita de que se envolvera em grossa roubalheira. O que Marina tem a ver com Jânio e Collor? Por enquanto nada. E é razoável supor que nada venha a ter.

COMO COLLOR, se diz que Marina chegaria à Presidência sem base de sustentação no Congresso. Mas não foi por isso que Collor caiu. O PSB de Marina é um partido de médio porte. Se eleita, ela pretende governar com "os melhores". Nada impede que haja "melhores " em todos os partidos . E que por isso ela acabe contando com uma bancada razoável de deputados e senadores.

MARINA NADA TEM de boba. Anunciou que governará somente quatro anos. Ainda não disse, mas o provável é que se veja tentada a ficar à margem de sua sucessão. Para dar o bom exemplo. Para evitar o uso na eleição da máquina administrativa. Sendo assim por que o Congresso criaria dificuldades para ela? A sucessão de Marina seria deflagrada logo com dois anos de governo.

O PSDB DE AÉCIO está pronto para anunciar seu apoio a Marina no segundo turno. A essa altura, ninguém ali, nem mesmo Aécio, acredita que Marina possa se perder pelo meio do caminho. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não esconde dos mais íntimos sua opinião favorável a que o PSDB, se convidado, ajude Marina a governar . O destino do PT será a oposição.

POR FALAR EM PT: Você viu Lula por aí? Corre a informação de que ele não está bem de saúde. E de que só por isso participa pouco da campanha de Dilma. Viajou com ela a alguns estados. Gravou mensagens para a televisão. Mas nada que lhe cobrasse muito esforço. Certo? Lorota! A saúde dele vai bem. Lula espera que Dilma suplique sua ajuda. Dilma pensou que venceria sem dividir o palco com Lula. Arrisca-se a ser vítima de sua própria arrogância

José Roberto de Toledo: Fé, voto e grana

- O Estado de S. Paulo

Os marinês é um erro de concordância que transcende a gramática. Consiste em dizer platitudes com convicção, vender generalidades com ar de novidade e evitar especificidades para não assumir compromissos. Não é porque o diabo mora nos detalhes que o divino há de ser genérico. Muito ao contrário.

Tome-se o texto "Para assegurar direitos e combater a discriminação" - expurgado menos de 24 horas depois de publicado no programa de governo de Marina Silva (PSB). Escrito em português, era cristalino nas suas propostas: legalização do casamento de homossexuais, execução de aborto pelo SUS nos casos previstos em lei, equiparação da homofobia ao racismo, material didático para educação anti-homofóbica.

Confrontada com as ideias que havia acabado de lançar por escrito, a candidata saiu-se com um genérico e insignificante "o Estado é laico". Marina fez que não entendeu, mas os pastores e, principalmente, os líderes da bancada evangélica entenderam muito bem - e deixaram isso óbvio pelo Twitter.

Líder do PMDB na Câmara e membro da evangélica Sara Nossa Terra, Eduardo Cunha disparou: "Marina, que levou em 2010 boa parte dos votos dos evangélicos, assumiu em seu programa de governo posições contrárias à família". E desafiou: "Quero ver qual liderança evangélica ou católica terá coragem de defender candidatura com esse programa".

Cunha bateu no ponto fraco: na simulação do Ibope de segundo turno entre Marina e Dilma Rousseff (PT), a candidata do PSB só ganha da petista porque tem duas vezes mais eleitores evangélicos do que a rival. Elas empatam entre os católicos.

"É uma vergonha o programa de governo do PSB de Marina no que tange à causa gay - prevê casamento, adoção de crianças", tuitou Silas Malafaia, da Assembleia de Deus. Na véspera, ele explicara por que endossa a candidatura do Pastor Everaldo (PSC): quer aumentar seu cacife agora para exigir compromissos por escrito de quem vier a apoiar no segundo turno.

Nem precisou esperar tanto para colher os frutos da ameaça. A "errata" do programa do PSB veio logo em seguida, com a devida tradução para o osmarinês do texto sobre direitos e combate à discriminação. Ficou ambíguo e genérico o suficiente para agradar Malafaia. "Melhoraram muito", comemorou.

A nova versão do programa de Marina nada mais é do que a prática do governo Dilma. Por pressão dos evangélicos, a presidente voltou atrás no decreto que permitia às mulheres pobres usar o SUS para abortos permitidos por lei. Também é bom lembrar que, em 2010, Malafaia apoiou o PSDB.

Nada de original, portanto, na atitude de Marina. Ceder no conteúdo para ganhar votos é a essência da política de compromisso. A candidata chama isso de "nova política", e seus eleitores podem até acreditar. O marketing e a fé são livres. Só não se deve esperar milagres pela adoção de uma novilíngua.

Siga o dinheiro. As primeiras prestações de contas das campanhas deixaram claras as apostas dos financiadores. O PMDB ficou com quase 1 de cada 4 reais doados principalmente por empresas a candidatos, comitês e partidos, segundo estudo conjunto da Transparência Brasil e do 'Estadão Dados'. A causa é a consequência: não importa quem vença, o PMDB estará no poder.

As doações foram centralizadas no comando do partido, que fez a redistribuição para os candidatos. É uma conexão orgânica, institucional - do poder financeiro com o poder de fato. Isso é mais forte e impactante do que qualquer slogan eleitoral. Bancar o PMDB é uma maneira de assegurar que nada mude.

Caixa curto. O PT arrecadou um terço do que conseguiu o PMDB. Se não reverter logo a falta de dinheiro, o partido corre o risco de uma derrota eleitoral histórica.

Pós-errata. Da próxima vez que Marina disser a um jornalista mais impertinente que ele ou ela não leu seu programa de governo, arrisca-se a ouvir: "Nem a senhora".

Valdo Cruz: Velha roupa suja

- Folha de S. Paulo

Entramos na reta final da eleição presidencial. Nos trinta e poucos dias que antecedem o pleito, quando boa parte do eleitorado ainda vai definir, de fato, seu voto. Tem suas preferências, mas pode alterá-las ao sabor do vento.

O de hoje sopra a favor de Marina Silva (PSB). Está mais para um vendaval, derrubando tucanos em pleno voo e causando turbulências insuportáveis numa viagem que os petistas imaginavam segura.

A ordem no quintal petista é manter o sangue frio, mas a roupa suja já começou a ser lavada. Subiu o tom das críticas internas à presidente Dilma Rousseff e seus estrategistas.

A cada pesquisa, o eleitorado renovava e aumentava seu desejo por mudanças. Já a campanha dilmista ficava presa a dar uma lavada no velho enxoval e vendê-lo como produto de primeiríssima qualidade.

Estratégia fadada ao fracasso, na visão de um petista graúdo, até num segundo turno contra Aécio Neves. Sem falar na resistência de Dilma em acatar os conselhos de Lula para admitir erros e sinalizar mudanças na economia. Agora, com cheiro de recessão no ar, pode ser um pouco tarde e soar falso, diz o petista.

Equívocos à parte, a eleição está indefinida. Até os tucanos sonham com uma reviravolta. Se teve uma, por que não duas? O lema: entre a continuidade do que está dando errado e o sonho que pode virar pesadelo, melhor a mudança segura.

Pode ser, mas a tendência de hoje é Marina e Dilma no segundo turno. A ambientalista, que até agora só teve vento a favor, passa a ser alvo. Suas contradições serão exploradas.

Munição ela já deu aos oponentes ao pôr e retirar do seu programa a exploração da energia nuclear e o apoio ao casamento gay e à criminalização da homofobia. Diz ter sido um erro, mas será cobrada por isso.

A tática da desconstrução de Marina envolve, porém, risco. Pode ser vista como último recurso da velha política contra o novo. Só que não há outra saída para PT e PSDB.

Renato Janine Ribeiro: O novo programa do PSB

• Uma participação maior do povo é o tema principal

- Valor Econômico

Confesso: o programa de governo que li com maior atenção foi o de Marina Silva. Posso criticá-lo e o farei, mas jamais ocultei a admiração por ela e pelo que traz para a discussão pública. Vejamos as propostas políticas do início de seu Eixo I, "Estado e democracia de alta intensidade". Recomendo a leitura do programa. Um dos maiores elogios à candidatura é que ela escreve e assina o que realmente quer. Não é um documento só para a Justiça eleitoral. Tenho ouvido gente dizer que programa se compra ou se encomenda, e depois se esquece. Advirto: não é essa a intenção da candidata.

O melhor da Rede é a vontade de empoderar a sociedade para discutir o que, hoje, é monopólio dos partidos e dos políticos. O projeto acerta ao dizer que não bastam choque de gestão ou eficiência gerencial, pois conferem mais poder ao gestor e desconhecem o caráter essencialmente político, até popular, da reforma do Estado - que deve aumentar seu teor de democracia, assim como democratizar mais a sociedade. A democracia atual é de baixa qualidade porque avessa às formas de participação: diagnóstico de esquerda, com o qual o PSDB dificilmente concordaria. Marina quer mais povo, não menos, no Estado. Critica a concentração de poder. Exige transparência, facilitada pelos recursos digitais hoje disponíveis. Não é fortuito que só ela, dentre as lideranças de oposição, não tenha atacado o decreto de Dilma Rousseff sobre a participação popular. Propõe "plebiscitos e consultas populares, conselhos sociais ou de gestão de políticas públicas, orçamento democrático, conferências temáticas e de segmentos específicos". Elenca um rol admirável de formas de participação.

O projeto de fazer a política sair dos gabinetes, das câmaras, para estar na sociedade, seja em reuniões presenciais, seja em formas de atuação virtuais, é ético e oportuno. É enorme o atual desinteresse pela política, o desdém pelos políticos; quer-se reverter isso. O PT na oposição falava em democracia direta, a Rede em democracia de alta intensidade. Não são a mesma coisa. O PT pensou na democracia direta a partir de movimentos sindicais, aos quais se associavam, com igual legitimidade, movimentos sociais e de vizinhança, grupos unidos por queixas e projetos comuns, como homossexuais, negros, mulheres, usuários de drogas, artistas, em suma, quem acreditasse que outro mundo é possível. A Rede saúda os movimentos sociais "históricos" e quer combiná-los com "as mobilizações que surgem por meio das novas tecnologias", em referência às assim chamadas revoluções do Twitter e do Facebook. É um pouco vago, mas saúdo esse aprofundamento do projeto de democracia participativa de Franco Montoro ou essa retomada da democracia direta do PT em suas primeiras décadas.

Mas, quando chegamos à página 15, um "box" pretende traduzir este arrazoado - sério, correto, prioritário - em medidas que devam "deflagrar" a reforma política. Contudo, esse minirresumo executivo não bate com a filosofia antes exposta. Os meios não dialogam com os fins! Da filosofia se passa para medidas práticas - mas sem relação com ela. No "box", é só política institucional. O que se propõe de prático e de imediato? Primeiro, a coincidência de todos os mandatos, inclusive municipais, numa única eleição a cada cinco anos, sem reeleição. Já defendi a reeleição e não volto ao tema. Mas há no país uma queixa constante sobre as eleições federais e estaduais que, sendo simultâneas, nos fazem preencher ao mesmo tempo cinco ou seis cargos. Somar-lhes as municipais fará elegermos de uma só vez sete ou oito cargos. Ora, se este ano a campanha presidencial nublou a dos governadores, para não falar dos legislativos, como será se renovarmos todos os cargos ao mesmo tempo? E por que eleições mais espaçadas, e não mais frequentes? Tudo isso despolitiza. A escolha será menos meditada do que já é hoje. O que vai contra os ideais do programa.

E uma contradição: quer-se preencher os "cargos proporcionais" segundo "a Verdade Eleitoral", definida como a regra de proclamar eleitos os candidatos individualmente mais votados, sem levar em conta o partido ou coalizão a que pertençam. É curioso que isso seja exatamente o "distritão" proposto pelo vice-presidente Michel Temer. Aliás, assim os cargos deixam de ser preenchidos proporcionalmente, portanto a expressão "cargos proporcionais" deveria ser trocada por "deputados e vereadores". Mas isso acaba com os partidos. Na verdade, as candidaturas avulsas, adiante recomendadas, deixam de ser a exceção e se tornam a regra. Todas as candidaturas serão avulsas. Não conheço país no mundo que adote esse critério, dado que esses cargos são preenchidos pelo voto ou distrital ou proporcional.

Há duas más consequências: primeira, cada candidato terá como adversários todos os demais candidatos, não sendo de seu interesse aliar-se ou somar suas forças a ninguém que dispute o mesmo cargo. Segunda, os partidos se liquefazem.

Assim o mandato deverá pertencer ao eleito, não ao partido. Daí, a troca de partidos estará na lógica do sistema. Há o risco de que, em vez de criar canais paralelos aos da democracia representativa, esta última fique mais frágil, mais vulnerável ao canto de sereia do Poder Executivo. Isso pode até piorar nossa política! Porque, enfim, o programa tem um descompasso entre a meta nobre da maior participação popular, mas que não se traduz em nada concreto, e as reformas concretas, só que confusas e possivelmente com efeitos indesejados. Ainda estamos longe do ideal, que aprovo, de uma democracia de alta intensidade.

Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo.

Paulo Brossard: Afundando

- Zero Hora (RS)

Tantas coisas estranhas têm ocorrido no ar e em terra que me lembrei de sentença de Aporelly, se não estou enganado, segundo a qual, além dos aviões de carreira havia mais coisas no ar, e com os extraordinários progressos da aviação, não há dia em que não suceda alguma novidade a despeito da minuciosa disciplina existente.

Como tenho reiterado, não me parece louvável a reeleição para cargos do Executivo. Singelo exemplo é a disparidade de meios, enquanto uns precisam de transporte de contribuições privadas, a senhora presidente usa e abusa do avião presidencial com fartas comitivas, valendo-se de recursos públicos para sua campanha de reeleição, como fez no último dia 22 em Porto Alegre.

O curioso é que a ânsia da reeleição se opere num momento em que a situação geral espelha-se no conjunto de realidades negativas, de resto, amplamente divulgadas. Uma refere-se ao recuo de 0,6% do PIB brasileiro no segundo trimestre, comparado aos três primeiros meses do ano, fato que os competentes avaliam como cenário recessivo; outrossim, noticia a imprensa que os investimentos em máquinas para investimentos tiveram retração de 5,3%. É imperioso reconhecer que a situação não é lisonjeira.

O chocante é que o ardor da reeleição seja comandado pela senhora presidente da República. Ora, a euforia oficial é paradoxal, pois a economia da nação está encalhada e o crescimento do PIB no ano passado foi inferior a 1%, mas a despeito dessas evidências, a senhora presidente, que não tomou medida já não digo eficaz, mas qualquer medida que se saiba, para alterar esta realidade no ano em curso, a única coisa que ela cogita é sua continuidade na Presidência. Para quê? O Brasil afundado e a senhora presidente dir-se-ia encantada com o mau sucesso que deseja inalterado. Confesso-me perplexo diante desse procedimento, postulando a prorrogação de seu quatriênio e sem dizer para quê, o silêncio implicaria a continuidade da estagnação.

Se não estou em erro, o governo falou na recuperação da confiança da sociedade. Quem diz recuperação parte da perda de algo, pois ninguém recupera o que não foi perdido. O que não foi perdido se conserva, não se recupera. Quer dizer, de momento a momento, os ilogismos tomam conta do panorama.

*Jurista, ministro aposentado do STF

Diário do Poder – Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• MG: governo paga shows de marqueteiro tucano
O marqueteiro Pedro Guadalupe, espécie de coordenador informal de mídias digitais da campanha de Aécio Neves (PSDB), recebeu nos últimos quatro anos mais de R$ 2,3 milhões do governo tucano de Minas Gerais. O governo mineiro bancou projetos de teatro e até de ilusionismo de Pedro Guadalupe. Só os dois últimos repasses, em 2013, pela da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, custaram R$ 669 mil.

• Ex-petista
O marqueteiro Guadalupe atuava antes no PT, assessorando a campanha de Patrus Ananias. Hoje mantém o site “Dilma Mente”.

• Generosidade
Os incentivos do governo de Minas para Pedro Guadalupe foram sempre generosos, e em 2012 o valor liberado foi de R$ 750 mil.

• Já te vi
O ilusionista Pedro Guadalupe teve seu nome associado à rumorosa negociação para o autor da página “Dilma Bolada” aderir aos tucanos.

• Pedro quem?
Guadalupe é citado como colega de trabalho, nos comitês do PSDB, mas oficialmente o partido nega qualquer relação com ele.

• Banqueira chavista faz a cabeça de Marina Silva
A tal “democracia direta”, através de conselhos populares e plebiscitos, além do controle externo do Congresso Nacional pela sociedade, faz parte do programa de governo de Marina Silva. Parece ter sido escrito na Venezuela e é aparentado com o projeto enviado por Dilma ao Congresso. Mas sua autoria não é de aloprado petista ou bolivariano chavista, mas sim da banqueira “socialista” Neca Setúbal, do Itaú.

• Independência do BC
Fruto da salada ideológica que cerca a candidata, Neca Setúbal levou Marina a defender enfaticamente a “independência do Banco Central”.

• Viva a liberdade
A independência do BC, à moda de Marina/Neca, exclui controles externos, sobretudo do Congresso, e dá total liberdade para os bancos.

• Neca e o BUS
Neca lembra o “Partido dos Usineiros Socialistas” (PUS), nas Alagoas de 1980. Deveria criar o BUS, “Banqueiros Unidos pelo Socialismo”.

• Posando para fotos
O governador Geraldo Alckmin resolveu voltar a acompanhar Aécio Neves, nas suas andanças em São Paulo, para afastar boatos de “traição”. Mas nem Aécio ficou convencido da sinceridade do gesto.

• Vagabundagem
O “esforço concentrado” de setembro está previsto para esta semana, mas nem o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), aposta que se realize. Os líderes decidirão se vão manter a vagabundagem geral dos liderados. É como perguntar se macaco gosta de banana.

• Bom pagador
Os deputados federais não trabalharam em agosto, a maioria não vai trabalhar em setembro, mas, tudo bem, a firma é rica: seus salários serão pagos integralmente. O contribuinte otário é bom pagador.

• Desde criancinha
No “Stella Grill”, ponto de encontro de jornalistas em Brasília, colunista provocou um velho amigo de Lula, antigo frequentador do restaurante: “O sr. já marinou?” A resposta dele: “Sempre fui marineiro…”

• O que é isso, general?
O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, chefiado pelo general José Elito, vai gastar R$ 45.445,04 comprando lençóis, colchas e fronhas, todos de 200 fios. Sem esquecer os travesseiros, claro.

• Economizando cortes
O governo federal cassou a aposentadoria de apenas 23 funcionários públicos este ano. Cerca de 14 desses servidores aposentados estavam envolvidos em “ato relacionado à corrupção”.

• Ninguém merece
É muito ruim, para o contribuinte, a relação custo-benefício dos R$ 1,7 bilhão mensais gastos pelo governo do DF com salários dos servidores. As despesas correspondem a dois estádios Mané Garrincha por mês. E a qualidade dos serviços públicos piora a cada dia que passa.

• Balão murcho
Apesar de chegar a atingir 15% em pesquisas de intenção de voto para presidente, Joaquim Barbosa sumiu das eleições. Não apoia candidato algum e até sumiu do tão prometido Twitter desde 4 de agosto.

• Pensando bem…
…institutos de pesquisa não simulam segundo turno entre Marina e Aécio para não serem acusados de bullying.

Painel:: Bernardo Mello Franco

- Folha de S. Paulo

Concentração de renda
Os comitês de Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) devem declarar amanhã ao Tribunal Superior Eleitoral que arrecadaram, somados, menos que os cerca de R$ 80 milhões de Dilma Rousseff (PT) em dois meses de campanha. O tucano informará receita em torno de R$ 43 milhões. O PSB captou cerca de R$ 20 milhões até a morte de Eduardo Campos, no último dia 13, e precisou congelar a arrecadação para substituir o candidato. A nova conta, em nome de Marina, só será aberta hoje.

Sem pressa Apesar do atraso forçado, o comitê da ex-senadora não está preocupado com as finanças da campanha. Desde que disparou nas pesquisas, ela não para de ouvir promessas de ajuda.

Veja bem O tesoureiro do PSB, Márcio França, diz que não foi desautorizado no veto de Marina a empresas de tabaco, álcool, armas e fertilizantes. As firmas não ajudarão a candidata, mas continuarão a financiar o partido.

Pare as máquinas Para apagar o casamento gay da lista de promessas, Marina teve que suspender às pressas a impressão de seu programa de governo. Cerca de 300 exemplares foram para o lixo.

Fui eu O pastor Silas Malafaia, porta-voz do conservadorismo evangélico, comemorou a mudança de última hora. "Já viram o recuo de Marina devido às posições do povo de Deus?", festejou, no Twitter. Na sexta-feira, ele ameaçava atacar a candidata.

Te considero muito O vice de Marina, Beto Albuquerque (PSB-RS), elogiou ontem o pastor. "Malafaia é uma liderança religiosa muito grande no país", afirmou.

Que rei sou eu Ligado ao agronegócio, Albuquerque não gosta de ser chamado de ruralista pelos jornais. "Sou o primeiro ruralista sem terra, sem boi e sem cavalo..."

Bico longo Após aparecer no programa de Geraldo Alckmin em São Paulo, o vice de Marina apoiará outros candidatos tucanos. Já gravou para Beto Richa, do Paraná.

Na bronca O vice-presidente Michel Temer se irritou com a fala de Paulo Skaf em Jales (SP), no sábado. O candidato do PMDB ao governo paulista só citou Dilma e o vice nos cumprimentos iniciais.

Como o vento O comitê de Dilma enxergou no recuo de Marina sobre direitos dos homossexuais uma brecha para fragilizar sua imagem. Segundo petistas, a ex-senadora está emparedada entre convicções pessoais e posições partidárias, e muda de opinião conforme o público.

Melhor não Auxiliares da presidente ainda preferem, no entanto, manter distância do debate sobre costumes. A polêmica do aborto custou votos a Dilma em 2010.

Muito prazer Segundo o Datafolha, 14% dos eleitores de Marina dizem não conhecer Aécio, e 43% dos marineiros só "ouviram falar" nele. Por isso, o tucano continuará a se apresentar na TV.

Apito amigo Na pelada de ontem com ex-jogadores, Aécio foi presenteado com um pênalti duvidoso, como costuma acontecer com políticos em campanha. O senador bateu para fora, mas o juiz deu nova chance, alegando que o goleiro se adiantou.

Surpresa! A Justiça Eleitoral do Paraná negou pedido de Beto Richa para proibir Gleisi Hoffmann de chamá-lo de "Kinder Ovo". Segundo a petista, ele se diz surpreso sempre que é confrontado com problemas no Estado.

Deixa comigo O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto (PT), prometeu ajudar Eunício Oliveira (PMDB-CE) a reaver sua fazenda em Goiás. A propriedade foi invadida pelo MST.
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TIROTEIO
Vendo os lucros da Marina, a gente entende por que ela mudou. Agora que é milionária, confunde banqueira com educadora...
DO DEPUTADO VICENTINHO (PT-SP), sobre a presença de Neca Setubal, doutora em psicologia da educação e herdeira do Itaú, na campanha de Marina Silva.
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CONTRAPONTO
Só a muriçoca salva
Em campanha ao governo paulista, Paulo Skaf (PMDB) visitou recentemente a favela Muriçoca, na zona sul da capital. O lugar foi batizado assim por causa dos insetos que se proliferam à margem da represa de Guarapiranga.
A conversa correu como de costume: o candidato reuniu líderes locais, perguntou sobre problemas e pediu a um assessor que anotasse os pedidos. Antes de se despedir, o peemedebista quis saber como estava a atuação da PM na comunidade. Um morador foi rápido na resposta:
--Ah, doutor, quem faz a segurança aqui são as muriçocas. Nem os bandidos aguentam...

Ana Costa - Escravo da Alegria (Toquinho)

Vinicius de Moraes: Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.


O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

Los Angeles, 1946.


domingo, 31 de agosto de 2014

Opinião do dia: Aécio Neves

"É aquilo que eu alertava há muito tempo. Hoje fica claro que o país parou de crescer. Ele cresce negativamente. A tradução disso é que os empregos estão indo embora. Não há geração de empregos para jovens, para quem busca espaço no mercado de trabalho.

Aquele que acha que de forma solitária, ou messiânica, que pode apresentar um caminho, caminhando sobre as águas, e levar a todos a um futuro melhor, se frustará se acreditar nisso."

Aécio Neves, senador (PSDB-MG) e candidato a presidente da República. Discurso em S. Paulo, 30 de julho de 2014

Onda de mudanças se reflete em pesquisas nos estados do país

• Dos 17 governadores que tentam a reeleição, apenas cinco lideram as pesquisas

Fernanda Krakovics – O Globo

BRASÍLIA — Depois que 79% do eleitorado expressaram desejo de mudança em pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira, e após as manifestações que tomaram as ruas em junho do ano passado, os chefes dos governos estaduais em 16 das 27 unidades da Federação estão em situação difícil nas eleições deste ano. A crise afeta tanto os que disputam a reeleição quanto os que tentam emplacar o sucessor. Dos 17 que buscam um segundo mandato, apenas cinco lideram as pesquisas de intenção de voto. Três estão empatados, e sete, em desvantagem, de acordo com pesquisas Ibope e Datafolha. Não há levantamentos desses institutos na Paraíba e em Tocantins, onde os governadores disputam a reeleição. Em 2010, dos 18 que tentaram a reeleição, 13 foram bem-sucedidos, ou 72%.

Para o cientista político Claudio Couto, da Fundação Getulio Vargas (FGV), esse cenário é reflexo, sobretudo, das manifestações de junho:

— As manifestações já refletiam alterações na avaliação das condições gerais do país. Em março do ano passado, as pesquisas já mostravam que a opinião sobre a inflação começava a piorar, e essa é a política pública que mais afeta o humor da população. Esse mau humor dispersa em outras instâncias de governo (além da federal).

A análise do cenário eleitoral feita pelo cientista político Ricardo Caldas, da Universidade de Brasília (UnB), foi na mesma linha, destacando que há um desejo de mudança tanto no plano estadual quanto no federal, expresso no percentual de intenções de voto na candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva. Na pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira, ela está empatada com a presidente Dilma Rousseff, com 34%:

— Muita gente que ia votar em branco ou nulo escolheu Marina para protestar. De uma hora para outra, ela se tornou competitiva. Há uma identificação forte de Marina com mudança, sem fazer juízo de valor — afirmou Caldas.

Ele ressalta, no entanto, que, nas eleições, a mudança não é necessariamente para melhor:

— As pessoas estão um pouco cansadas, há um pessimismo generalizado. As pessoas querem mudança, mesmo que não seja espetacular. E mudança pode ser para melhor ou para pior. No Distrito Federal, por exemplo, o candidato de oposição, (José Roberto) Arruda, lidera. Ele já foi situação e é ficha-suja — disse ele.

Pesquisa Ibope divulgada na última terça-feira mostra o ex-governador José Roberto Arruda (PR) com 37% das intenções de voto para o governo do Distrito Federal, e o atual governador, Agnelo Queiroz (PT), com 16%, empatado com Rodrigo Rollemberg (PSB).

A candidatura de Arruda, porém, está sub judice. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determine o cancelamento imediato da candidatura de Arruda ao governo do Distrito Federal. O TSE confirmou a impugnação da candidatura do ex-governador na última terça-feira, com base na Lei da Ficha Limpa, mas ainda cabe recurso. Arruda foi condenado em segunda instância pelo Tribunal de Justiça a partir de um dos processos do mensalão do DEM.

Um dos exemplos do aparente desejo de mudança é o Rio Grande do Sul. Lá, a senadora Ana Amélia (PP) está em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, com 39%. O governador Tarso Genro (PT), que disputa a reeleição, está em segundo lugar, com 30%.

Aliado de Tarso, o senador Paulo Paim (PT-RS) minimizou o quadro, afirmando que o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV começou agora, no dia 19 de agosto, assim como os debates na televisão. Para o petista, Tarso ainda terá a oportunidade de mostrar o que fez em sua gestão:

— Há no ar, claramente, uma onda de mudança. Quem conseguir se consolidar e mostrar o que fez será reeleito. A população não está mais preocupada com o discurso ideológico, quer ver o que você fez.

Em outra frente, os governadores que tentam eleger seu sucessores enfrentam ainda maior dificuldade. Nos oito estados onde há pesquisa, os projetos de continuidade passam aperto. Apesar de estarem em desvantagem neste momento, em dois estados os candidatos apoiados pelos governadores estão em trajetória ascendente. Em Pernambuco, Paulo Câmara (PSB) cresceu 18 pontos percentuais em um mês, após a morte do candidato do PSB à Presidência da República e ex-governador do estado, Eduardo Campos, que era seu padrinho político. Na liderança está o candidato do PTB, Armando Monteiro, com 38%. Câmara tem 29%.

Já na Bahia, Rui Costa (PT), que tem o apoio do governador Jaques Wagner (PT), cresceu de 9% para 15% entre junho e agosto, conquistando o segundo lugar, mas ainda bem atrás do ex-governador Paulo Souto (DEM), que já comandou o estado por duas vezes e está com 44%.(Colaborou Fábio Vasconcellos)

Decifrando Marina

• Analistas avaliam programa de governo da candidata do psb, que trará gastos adicionais de r$ 95 bi ao ano

Cristiane Jungblut, Renato Onofre, Tiago Dantas, Thiago Herdy, Germano Oliveira e Cleide Carvalho – O Globo

BRASÍLIA e SÃO PAULO - As propostas apresentadas na sexta-feira pela candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, vão provocar gastos adicionais de cerca de R$ 95 bilhões ao ano. O maior impacto será na área da Saúde, com a intenção de destinar 10% da receita corrente bruta da União para o setor: de R$ 54 bilhões em 2015, segundo o próprio Ministério do Planejamento. Pela regra proposta por Marina, deveria ser aplicado em Saúde um valor de R$ 153,4 bilhões (10% da receita corrente bruta de 1,533 trilhão). O valor da receita corrente bruta foi informado pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) e depois pelo Planejamento. O piso constitucional da Saúde para 2015 foi calculado em R$ 99,4 bilhões.

Na área das políticas sociais, Marina Silva propõe transformar o Bolsa Família em política pública permanente e oferecer o benefício a mais 10 milhões de famílias no programa. Hoje, são 14 milhões de famílias a um custo de R$ 27,1 bilhões. Há ainda a defesa de uma "terceira geração de programas sociais", que assegurem acesso a serviços públicos de qualidade e a plena emancipação das famílias beneficiadas (a chamada porta de saída dos programas sociais).

A professora Margarida Gutierrez, do Coppead da Universidade Federal do Rio (UFRJ), argumenta que é preciso dizer de onde virão os recursos:

- O Bolsa Família não é um programa caro, foram cerca de R$ 25 bilhões no ano passado. Com mais dez milhões, dobraria quase o gasto. Já aumentar em R$ 54 bilhões em Saúde é muito. Seria muito bom, mas isso implica redução de gasto em custeio. Parece que ela está trabalhando com um Orçamento que não tem de fato. É louvável, mas não é fácil.

BC autônomo é alvo de elogios
Num misto de críticas e elogios, analistas defendem a necessidade de Marina explicar melhor de onde vai tirar recursos para colocar em prática as propostas e analisam em que medida são factíveis.

Na área econômica, a autonomia do Banco Central, para o ex-ministro Maílson da Nóbrega, daria mais condições de a entidade preservar a estabilidade da moeda e o sistema financeiro.

- Será possível definir mecanismos de prestação de contas do BC, para que ele não se transforme em quarto poder - destacou Maílson.

Para o ex-diretor do Banco Central Carlos Tadeu de Freitas, a medida "gera perspectiva favorável para o futuro" - embora se trate de um processo que demorará, porque envolverá, ainda, a definição de mandatos para diretores e o papel deste Banco Central independente, com necessidade de aprovação pelo Congresso Nacional.

A decisão de defender a correção de preços administrados represados pelo atual governo, como gasolina e tarifa elétrica, também foi elogiada pelos ex-dirigentes do setor.

- É positivo, porque você não engana o eleitor. Países que dão menos subsídios são menos afetados em uma eventual crise - afirmou Carlos Tadeu de Freitas.

A proposta de diminuir o acesso a recursos subsidiados pelo Tesouro, por meio do BNDES, também foi elogiada pelos ex-dirigentes da área econômica.

- O BNDES precisa sofrer reformulação de tal maneira que continue incentivando a infraestrutura, mas não dando subsídios para setores que poderiam ir ao mercado buscar recursos. O subsídio custa caro ao Tesouro Nacional - defendeu Carlos Tadeu.

Na educação, mais do mesmo
Em relação às políticas para Educação, Neide de Aquino Noffs, da PUC-SP, diz que Marina está colocando no programa de governo para a Educação o que já está previsto no Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado no dia 25 de junho de 2014. Para ela, Marina não está fazendo mais do que sua obrigação ao anunciar a destinação de 10% do PIB no setor, uma vez que isso já está previsto na lei 13.005, que criou o PNE.

- Falta ainda fazer a articulação de quanto os governos municipais, estaduais e federal devem aplicar. Sobre o projeto de Marina para implantar a educação em tempo integral, também não é novidade, pois isso também está previsto dentro do PNE - ressaltou.

O professor Vitor Henrique Paro, da USP, qualifica a educação em tempo integral como uma "muleta" adotada tanto pela esquerda quanto pela direita.

Para Geraldo Ferreira Filho, presidente da Federação Nacional dos Médicos, a meta divulgada por Marina de vincular 10% da receita corrente bruta da União ao financiamento da Saúde é uma reivindicação da sociedade, inclusive da entidade que preside.

- Outros países que têm um sistema parecido com o brasileiro investem de 7% a 8% do PIB em Saúde, enquanto o Brasil investe de 3,5% a 4% do PIB, o que é muito baixo. Outro problema é que há má gestão, que é muito politizada e pouco técnica. Além disso, há a corrupção, o que desvia os já pequenos recursos para o setor - disse Ferreira Filho.

Segundo ele, o sistema hospitalar brasileiro precisa duplicar o número de leitos. Atualmente são 400 mil leitos, o que dá dois leitos por cada mil habitantes, enquanto países mais desenvolvidos têm de três a quatro leitos por mil habitantes.

Ainda sobre Saúde, Florentino Cardoso, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), avalia que a área não precisa apenas de mais dinheiro, porque, segundo ele, "a corrupção é desenfreada no setor".

Para a política, propostas polêmicas
Professor do departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Carlos Ranulfo avalia que as propostas na área de democracia e reforma política apresentadas por Marina Silva são genéricas, trazem poucas inovações - e, no que inovam, representam o atraso. Ranulfo analisa como "um desastre completo" a proposta de unificar as eleições no país, com mandatos de cinco anos. Para ele, o sistema que prevê a eleição dos mais votados para os cargos do Legislativo também é ruim, porque tira a força dos partidos, mas é coerente com o que ela vem defendendo.

- Unificar as eleições criará uma confusão na cabeça do eleitor, dificultar, porque ele terá que discutir o bairro e o país ao mesmo tempo. Quanto mais eleição, melhor. Para mim, é um atraso. Defender a eleição dos mais votados, independentemente dos partidos, piora o sistema, mas é coerente com a ideia dela de governar sem os partidos - afirma Ranulfo.

Para o professor, a ideia da candidatura avulsa não é algo ruim, mas teria impacto muito pequeno nas eleições no Brasil. Segundo ele, a não ser que seja muito rica ou tenha apoio de alguém com recursos, a pessoa não conseguirá se candidatar sem o apoio de um partido. Ele acha positiva a proposta de incentivos a plebiscitos e referendos, mas lembra que isso já está previsto na Constituição Federal e que o instrumento não deve ser banalizado.

Medidas ambiciosas na Segurança
No caso da Segurança Pública, o programa é ambicioso: propõe a construção de um Pacto Nacional de Redução de Homicídios, com a fixação de metas. Outra proposta é reforçar as verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública, prometendo multiplicar por dez a verba de 2013 e aumentar o efetivo da Polícia Federal em 50% nos próximos quatro anos.

- Não sei se aumentar em dez vezes o valor do Fundo Nacional de Segurança Pública é o melhor ou não. Mas o Brasil precisa investir mais na área. Essa ampliação é necessária. Os investimentos vêm caindo no governo Dilma. As propostas parecem bastante positivas - afirmou o professor Ignacio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj.

Em relação à política ambiental, o professor do Núcleo de Economia Agrícola e Ambiental da Unicamp José Maria Silveira disse que a meta de zerar a perda de cobertura florestal no Brasil é perfeitamente possível, assim como são necessárias medidas como a criação de novas unidades de conservação, atingindo 10% da área de cada bioma, e a extensão da fiscalização por satélite à caatinga, ao cerrado e à Mata Atlântica, como o que ocorre na Amazônia Legal.