quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Opinião do dia: Fernando Henrique Cardoso

"Acho difícil. Sabemos mais ou menos o quadro. Luciano Huck poderia ser o novo, não tinha alma política e por isso estava sendo esperado como renovador; Joaquim Barbosa, que falam de vez em quando, nunca teve opinião política real. Quem mais? Os demais são políticos conhecidos e calejados. Essa hipótese do novo é difícil de se concretizar.

A campanha está uma confusão danada, nem começou ainda, o Geraldo Alckmin, que provavelmente será o candidato do PSDB, tem condições de aparecer no momento oportuno.

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Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, ex-presidente da República, Valor Econômico, 22/02/2018.

Roberto Freire: Segurança na ordem do dia

- Diário do Poder

Desde há muito, como atestam todos os levantamentos feitos pelos principais institutos de pesquisa, o temor em relação à escalada da violência e a sensação de insegurança generalizada aparecem no topo das preocupações dos brasileiros de norte a sul do país. No Rio de Janeiro, em especial, o índice de 40 mortes por 100 mil habitantes registrado em 2017 (ante 36,4 por 100 mil em 2010), além dos 688 tiroteios ou disparos com arma de fogo mapeados somente em janeiro deste ano pelo aplicativo Fogo Cruzado, escancaram uma situação que já atingiu as raias da calamidade pública. Para que se tenha uma ideia, houve um aumento de 117% nesses registros em relação ao mesmo período de 2017 – em média, foram 22 tiroteios por dia no primeiro mês do ano.

Nesse sentido, é evidente que o decreto de intervenção federal nas áreas de segurança pública e inteligência no Estado do Rio, assinado na última semana pelo presidente Michel Temer e aprovado por ampla maioria tanto na Câmara quanto no Senado, é uma medida drástica e extrema, mas necessária neste momento. É importante destacar que tal decisão foi tomada com base na Constituição (Art. 36, § 1º), com indicação prévia de sua amplitude, do prazo limitado e das condições de execução, além da nomeação de um interventor, no caso um general do Exército brasileiro. Tudo de acordo com o texto constitucional e a democracia em pleno vigor no país.

Zeina Latif *: A economia da intervenção no Rio

- O Estado de S.Paulo

O governo tem o mérito de ter encaminhado uma lista relevante de reformas

A intervenção federal no Rio de Janeiro foi mais uma manifestação da perspicácia política das lideranças do governo. Com uma tacada conseguiram tirar o monopólio da agenda de segurança pública de um importante concorrente, dar sinal de força a aliados infiéis e colocar a oposição na desconfortável situação de criticar uma medida com apelo popular.

A decisão indica que a cúpula do governo mudou o foco. Nenhuma novidade. Políticos experientes calculam o tempo todo o custo-benefício de suas escolhas, e a agenda de reformas econômicas perde pontos em anos eleitorais em favor de agendas de cunho mais político.

Isso não significa que nada mais será aprovado este ano no Congresso. Há muito empenho dos ministérios e do Banco Central e, em alguns casos, de congressistas para aprovar reformas estruturais. O calendário eleitoral é, no entanto, um fator limitante.

Importante registrar, porém, o mérito do governo de ter encaminhado uma lista relevante de reformas. Molda-se a agenda política e o próximo presidente não irá partir do zero.

O impacto político e eleitoral da intervenção vai depender do seu sucesso. Mesmo que os avanços sejam tímidos em termos de indicadores de violência, a percepção de melhora da segurança pela sociedade poderá ter consequências políticas.

Raul Jungmann: Mandado coletivo, uma falsa polêmica

- O Globo

Tome-se por hipótese que uma investigação policial identificou em determinado prédio residencial o cativeiro em que sequestradores mantêm reféns. A polícia, no entanto, não sabe em que apartamento estão o bandido e suas vítimas. Pede, então, ao juiz um mandado que lhe permita vistoriar todo o prédio para localizar o esconderijo e salvar vidas.

Esse é o fundamento de um mandado coletivo de busca e apreensão, que tanta celeuma causa há dias, apesar de ser utilizado desde 2012, ainda que não tenha produzido jurisprudência específica. O recurso pode ser essencial em algumas circunstâncias para a conclusão de um trabalho de inteligência e investigação, depende de concessão judicial e não constitui regra, mas exceção. Não obstante, é alvo de questionamentos que o condenam por antecipação, na suposição de que será utilizado ao bel-prazer da autoridade policial, quando e onde bem entender.

Antes de mais nada, é preciso enfrentar a hipocrisia intelectual que, à semelhança dos traficantes nas favelas, coloca os inocentes como escudo de suas teses para aparentemente defendê-los (sem mandato para tal) de um instrumento que os favorece e que só pode ser utilizado com autorização judicial, caso a caso. Valem-se da topografia carioca, de morros e asfalto, para condenar os mandados em comunidades cuja característica é de habitação geminada, comumente utilizada pelos traficantes — não raro à força — para esconder seus arsenais de armas e drogas, dificultando a ação da polícia.

Maria Cristina Fernandes: Um modelo de coabitação com o crime

- Valor Econômico

Bandido ninguém aguenta; mata um, aparecem 50

O presidente da República era secretário de Segurança Pública em São Paulo quando surgiu o Primeiro Comando da Capital. Tanto a volta de Michel Temer ao cargo que ocupara nos anos 1980 quanto a criação do PCC decorreram do massacre do Carandiru, que custou a vida de 111 presos.

Foi para vingar a morte de seus parceiros de cárcere e combater os maus tratos do sistema prisional que o grupo se organizou. Nesses 25 anos, o PCC, que é comandado de dentro dos presídios, chegou a decretar um toque de recolher na capital até se transformar na principal facção criminosa do país.

O crescimento da organização, que hoje tem sucursais em quase toda a América do Sul, foi concomitante ao aumento da população carcerária e à redução nos índices de violência em São Paulo. O Estado que hoje exibe a mais sustentada curva de redução de homicídios do país é também aquele que viu nascer e prosperar o PCC.

Esta coexistência atravessou os mandatos de quatro governadores e a carreira de uma geração de procuradores, juízes, policiais e um ministro do Supremo Tribunal Federal, além do atual presidente da República.

Míriam Leitão: Ritmo da economia

- O Globo

Quando o IBGE divulgar o PIB de 2017, no dia 1º de março, o número deve ficar em torno de 1%, mas o resultado do último trimestre ficará pequeno, entre 0,1% e 0,3% em comparação com o terceiro. Vai parecer que o PIB está desacelerando. Mas os economistas acreditam que a economia está ganhando fôlego. As famílias vão gastar R$ 100 bilhões a menos com dívidas e isso alavancará o consumo em 2018.

O Itaú Unibanco estima que o PIB do quarto trimestre subiu apenas 0,1% em relação ao terceiro. O Bradesco e o BNP Paribas projetam 0,3%. Por essa forma de se olhar, a economia parece estar perdendo vigor, já que no primeiro trimestre houve uma forte alta de 1,3%, seguida de um número de 0,7%, no segundo, e de 0,1% no terceiro. O problema, explicam os economistas, é que o crescimento da agropecuária ficou concentrado no primeiro trimestre e agora está “roubando” PIB dos outros trimestres, do ponto de vista estatístico:

— O quarto trimestre deve ser baixo, em relação ao terceiro, mas por uma questão estatística. O PIB da agricultura ficou concentrado no primeiro trimestre e por isso ele ficou negativo nos outros três. Mas quando a gente olha para as outras duas formas de comparação do PIB, sobre o trimestre do ano anterior e no acumulado em 12 meses, a tendência de aceleração é clara — explica o economista Artur Passos, do Itaú.

Celso Ming: Apesar de tudo, a economia se recupera

- O Estado de S.Paulo

Então, ficamos assim: para, de alguma maneira, escamotear seu fracasso de conseguir aprovar a reforma da Previdência, o governo Temer inventou a intervenção na política de segurança no Rio de Janeiro. E para, de alguma maneira, compensar o incompensável, tratou de anunciar uma raspa de tacho com cerca de 15 projetos que já estavam dormindo na prateleira. Entre os 15 projetos, está a privatização da Eletrobrás e a formalização da autonomia do Banco Central.

Têm razão aqueles que argumentam que, para ter eficácia, a intervenção não pode ter prazo prévio de validade tão curto. Chicago e Nova York não acabaram com o crime organizado em apenas dez meses, como o governo Temer pretende fazer acreditar. Se der certo, a operação não passará de uma varrida de lixo para atrás da porta, sem ataque às causas. Por isso, não dá para acreditar em seu êxito duradouro.

No entanto, apesar da improvisação e do fracasso mencionado e já sobejamente comentado, a intervenção contra o crime e contra outras manifestações da metástase do Estado do Rio tem notório apelo eleitoral.

O povão quer ver bandido na cadeia, quer show de apreensão de armas e de tóxicos e anseia por alguma sensação de que pode fazer na rua uma chamada de celular sem risco de ser roubado. E de que recuperou alguma tranquilidade ao circular de carro na Linha Vermelha. Durante alguns meses, é possível proporcionar uma impressão assim.

Mas não terá nunca o alcance do Plano Real, que garantiu a derrubada sustentável da inflação e da recuperação do poder aquisitivo da população. Segurança por aqui há muito não vem sendo levada a sério, mas durante alguns meses essa operação pode passar a impressão de que começou a ser.

Bruno Boghossian: Blindagem eleitoral

- Folha de S. Paulo

O Palácio do Planalto se empenhou para retirar Michel Temer da arena eleitoral em que foi jogado pelo marqueteiro Elsinho Mouco. Auxiliares correram para tentar blindar o presidente e evitar que o lançamento prematuro de sua candidatura à reeleição trave o governo no momento em que ainda tenta ganhar fôlego.

Temer não abandonou os planos de disputar um novo mandato —pelo contrário, só começou a tratar essa hipótese com seriedade há pouco mais de um mês. O presidente, porém, sabe que será despido do poder de que ainda dispõe caso vista agora o uniforme de candidato.

A estratégia de Temer sempre foi aproveitar a força do cargo para atender às demandas de partidos aliados, conquistar apoio no Congresso e fazer avançar sua agenda. Só então, poderia acumular musculatura suficiente para se lançar à reeleição.

Assim, o presidente esperava superar, até junho, outros candidatos de centro-direita, como Rodrigo Maia (DEM) e Geraldo Alckmin (PSDB).

Equilibrado sobre uma popularidade pífia e com 1% nas pesquisas eleitorais, Temer foi lançado no ringue cedo demais e sem luvas —como um pugilista franzino exposto a ataques de todos os lados.

Ricardo Noblat: Ditadura, nunca mais. Democracia sem ordem, tampouco!

- Blog do Noblat

A Constituição garante o direito à vida. Mas a que tipo de vida?

A intervenção na área de segurança pública do Rio inaugura uma discussão que jamais por aqui foi enfrentada: que preço a sociedade está disposta a pagar na luta contra o crime organizado ou espontâneo?

Dito de outra maneira: até onde ela está disposta a ir para tentar resgatar a paz e a ordem revogadas por cerca de quase 70 mil homicídios a cada ano, o que faz do Brasil um dos países campeões da violência?

A discussão não interessa aos extremistas à direita e à esquerda, muito menos em ano eleitoral. A eles só interessa o discurso que atribui a culpa de tudo a um e ao outro lado e que possa resultar em votos grátis.

É mais fácil assim. A retórica inflamada e de ocasião camufla a realidade, dispensa o exame aprofundado da questão e contorna perguntas incômodas que detestariam enfrentar.

O Exército teve êxito na missão que a ONU lhe confiou de restabelecer a ordem no Haiti? Por que dizemos que lhe faltam treinamento e experiência para fazer o mesmo por estas bandas?

Márcio Coimbra: Intervenção moral

- Diário do Poder

O Rio de Janeiro vive em estado de falência completa. Falência das instituições, dos quadros políticos, da sociedade em geral. É um aperitivo do processo de desconstrução pelo qual passa o Brasil. O método vai mais além. Inverte princípios, enaltece o crime e a malandragem, despreza o mérito e subverte valores basilares da constituição de uma sociedade fraterna, virtuosa e vitoriosa. O caminho trilhado há tempos somente tem um resultado, este que estamos vivendo, perplexos e aparvalhados.

O governo, ponto central do desequilíbrio, entrega benesses em troca de apoio para permanecer no poder. Grupos políticos revezam-se no comando das instituições com o intuito de saquear os cofres públicos. Mesmo com royalties do petróleo, Pré-Sal, investimentos internacionais, Olimpíadas e Copa do Mundo, que despejaram caminhões de recursos no Rio, o poder púbico foi incapaz de entregar reformas educacionais, melhorias no sistema de saúde, investir em segurança, modelos de organização urbana ou desburocratizar a máquina governamental para os empreendedores. Nada foi feito além de obras superfaturadas e maquiagens urbanas para ludibriar os olhos dos turistas e dos cariocas. Pão e circo.

Apenas entre 2014 e 2016 o Rio de Janeiro recebeu R$ 235 bilhões em investimentos. Não faltou dinheiro. Faltou competência e honestidade. O volume de recursos desviados pela organização criminosa chefiada pelo ex-Governador Sergio Cabral deixa evidente que o crime se infiltrou no Estado. A política fluminense está apodrecida. A Lava Jato, em seu capítulo carioca, pede o ressarcimento de 2,28 bilhões de reais aos cofres públicos. Até o momento conseguiu recuperar apenas R$ 451,5 milhões. O volume assusta, mas certamente é muito maior, pois somente na Operação Fratura Exposta são investigados desvios de mais de 300 milhões na área da saúde. Enquanto isso, o governo investe R$ 75 milhões no Carnaval e R$ 74 milhões na segurança pública. Um escárnio.

Luiz Carlos Azedo: O sobrevivente

- Correio Braziliense

Com a saída de cena de Luciano Huck, a ala tucana insatisfeita com o estilo de Alckmin também já começa a ensaiar o coro “Doria, presidente!”

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, começou articulações para montar seus palanques regionais a partir de entendimentos com os caciques do PSDB. Ontem, em Brasília, ele se reuniu com senadores e deputados da legenda e manifestou a intenção de iniciar as conversas sobre a situação eleitoral de cada estado, a começar por Minas Gerais, onde o “candidato natural” é o senador Antônio Anastasia (PSDB). Alckmin, porém, não conseguiu unificar o seu palanque em São Paulo.

O problema chama-se João Doria, o prefeito da capital, no exercício do cargo há 14 meses. É uma ironia, pois sua eleição se deve à ousadia de Alckmin nas eleições municipais de 2016. A relação entre os dois é de desconfiança, desde quando Doria aproveitou o embalo da própria vitória eleitoral e saiu pelo país como possível candidato a presidente da República. A movimentação agastou a relação entre ambos e somente não foi à frente porque administrar a maior cidade do país não é um passeio pela Avenida Paulista. A queda de popularidade do prefeito nas pesquisas de opinião provocou um recuo de Doria, que também perdeu a possibilidade de se candidatar a presidente pela legenda quando Alckmin assumiu o comando do PSDB.

O sonho de Alckmin era um palanque unificado em São Paulo, que viabilizasse sua aliança com o PSB, a partir do apoio dos tucanos paulistas à reeleição de Márcio França (PSB), o vice-governador do estado. Mas os tucanos paulistas optaram por lançar a candidatura de Doria ao Palácio dos Bandeirantes, o que dificultou a vida de Alckmin. França promete passar o rodo em quem não apoiá-lo e também não pretende sair do PSB. A alternativa que restou foi a dos dois palanques, que costuma ser um foco permanente de crises nas campanhas.

ITV: Ambição em Excesso

Governo deveria focar no que de fato é prioridade para prosseguir nas reformas do Estado, em vez de apostar em um pacote inviável de ser aprovado até dezembro

O menor dos problemas da lista de novas prioridades do governo para este ano é ser requentada. O que chama atenção é o tamanho de sua ambição. É difícil crer que rol tão ousado quanto caudaloso avance num ano eleitoral, sob gestão cuja força política e apelo popular são frágeis.

A lista, com 15 pontos, foi apresentada ao público à guisa de servir como substituta ao naufrágio da reforma da Previdência, inviabilizada de vez depois da intervenção federal na segurança pública do Rio. No afã de mostrar serviço, o governo transpareceu agir de forma açodada.

Em seus menos de dois anos de existência, a gestão Michel Temer já mostrou a que veio. Mudou a agenda do país e, com isso, conseguiu resultados dignos de nota. Herdou uma nação destroçada e vai entregar ao sucessor uma casa bem mais arrumada. Quem nega isso desconhece o óbvio.

Os indicadores econômicos estão aí para todo mundo ver: a inflação que namora mínimas históricas, o juro básico que jamais foi tão baixo e, sobretudo, a volta do crescimento econômico. Saímos da recessão para expansão próxima a 1% em 2017, segundo estimativa do Banco Central divulgada no início da semana, e rumamos para o (bom) patamar de 3% neste ano.

Alguns poderão questionar: mas e todo o resto? Sim, as mazelas, os problemas, as deficiências permanecem. Mas quem, em sã consciência, pode cobrar que se mude estado tão deteriorado das coisas - que é, nunca se deve esquecer, como o PT deixou o Brasil - em tão curto período? Reconstruir custa trabalho, muito trabalho, e tempo.

É muito relevante que a economia nacional esteja se reerguendo. Sem crescimento econômico, nada mais se ajeitará. Não haverá produção, nem emprego e muito menos o dinheiro dos impostos de que o Estado precisa para cuidar melhor das enormes carências do povo brasileiro.

Michel Temer e seu governo têm o mérito inegável de ter trazido as reformas estruturais de volta à pauta nacional, depois de mais de uma década de ausência e sabotagens. Perseverar nesta direção é o que importa, e é mais que suficiente para os dez meses - ou cerca de metade disso, se considerarmos o ritmo de trabalho do Congresso em ano de eleição como este - que faltam para o fim deste mandato.

A lista de prioridades divulgada anteontem mais parece um programa para quem tem quatro anos de governo, tamanha a sua pretensão. Embora insuficiente para compensar o enterro da reforma da Previdência e apaziguar a situação fiscal, praticamente tudo ali é relevante. Mas, convenhamos: é impossível realizar até dezembro.

Uma reação estranha: Editorial | O Estado de S. Paulo

As 15 medidas anunciadas recentemente pelo governo federal como suas novas prioridades na área econômica não são tão novas assim. Treze delas já estavam em tramitação no Congresso. No entanto, o fato de não serem inéditas não diminui a sua importância. Há ali algumas propostas de extrema urgência, com significativo impacto nas contas públicas e no ambiente econômico. É de interesse público, portanto, a aprovação das 15 propostas. E o apoio do Palácio do Planalto a essas medidas pode ser uma valiosa ajuda na sua tramitação no Congresso.

Por isso, não se entende a reação agressiva dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), ao anúncio das 15 medidas. O presidente do Senado ironizou: “Que pauta prioritária é essa que eu não sei?”. Já Rodrigo Maia, que chamou o plano do governo de “café velho e frio”, arrematou: “Não conheço os 15 projetos, nem li, nem vou ler”.

Em primeiro lugar, essa alegada surpresa não condiz com os fatos. Rodrigo Maia e Eunício Oliveira conheciam essas 15 medidas e estavam cientes da sua prioridade. Os dois estiveram em reuniões com membros do Executivo nas quais se debateram os temas prioritários para a economia do País. Não é possível afirmar, por exemplo, que o programa de simplificação tributária – uma das 15 propostas do governo federal – seja um assunto novo, que estaria sendo imposto agora pelo Executivo. Trata-se de tema que há anos vem ocupando lugar de destaque nos debates sobre a modernização da economia com vistas a assegurar-lhe maior eficiência e competitividade.

Não há motivo para melindres. Dificultar a tramitação desses projetos simplesmente por ter sido o governo federal quem recordou a sua importância seria um ato tacanho, incompatível com o bom exercício dos cargos de presidentes da Câmara e do Senado.

Agenda alternativa do governo preenche o vazio até as eleições: Editorial | Valor Econômico

A reforma da previdência, o segundo mais importante passo para consertar as contas públicas após o teto de gastos, saiu de cena, para provavelmente só voltar no próximo governo. Nem mesmo as generosas e desfiguradoras concessões feitas pelo governo de Michel Temer foram suficientes para reunir apoio a ele entre os deputados. A agenda de 15 pontos, um apanhado de projetos no Congresso, é importante e a maior parte das medidas vão na direção correta. Do ponto de vista da urgência e do impacto a curto prazo sobre o déficit público, não são muito relevantes.

Um dos responsáveis pelo arquivamento da reforma são, em primeiro lugar, o presidente Michel Temer, que protagonizou um diálogo comprometedor com Joesley Batista no Palácio do Jaburu. Sua atitude quase lhe custou o mandato e a duras penas conseguiu que, por duas vezes, a Câmara dos Deputados o livrasse de ser investigado. Naquela altura, havia provavelmente apoio suficiente para a PEC.

Depois, os deputados mostraram mais uma vez irresponsabilidade com as finanças públicas e uma contradição flagrante com o que votaram antes. Aprovar um teto de gastos que se estende, em tese, por 20 anos é uma medida dura, que só se sustenta se um segundo passo necessário for dado, o da própria reforma da previdência. Apoiando-se na falsa premissa de que votar a favor dessa reforma significa não se reeleger, e, mais ainda, fazendo coro com corporações que tentam manter a qualquer custo seus privilégios, os deputados recusarem-se a levantar o pilar mais importante do limite de despesas aprovado.

O presidente Temer fez uma fuga para a frente, ao trocar uma derrota previsível na questão da previdência, por uma intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro. Os dois problemas, o desequilíbrio previdenciário e a segurança fluminense, são muito graves, embora a possibilidade de obter dividendos políticos imediatos pondo o Exército no comando das polícias e dos presídios no Rio seja maior - se tudo der certo, o que está longe de ser uma certeza.

Devaneios autoritários: Editorial | Folha de S. Paulo

Ideia de mandados coletivos dá uma mostra do improviso que cerca intervenção

Apresentada como resposta imperativa ao agravamento da crise de segurança no Rio de Janeiro, a intervenção federal decretada pelo presidente Michel Temer (MDB) já dá sinais do ânimo atabalhoado e imprevidente que a orientou.

Tanto é assim que se coloca em debate eventual autorização para buscas e apreensões indiscriminadas nas áreas de maior violência.

Tais mandados coletivos de busca, cujo uso foi cogitado pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS), não encontram respaldo na ordem constitucional vigente.

Na visão de diversos especialistas, trata-se de verdadeira aberração jurídica. Iniciativas desse tipo, tomadas por magistrados de primeira instância em poucos casos isolados, já sofreram, aliás, enfática rejeição em tribunais superiores.

Não poderia ser diferente: de posse de um mandado coletivo, membros das forças de segurança estariam autorizados a entrar, armados de fuzil, na casa de qualquer pessoa —contra a qual o motivo básico de suspeita não raro seria, sem dúvida, o de habitar favelas e bairros de periferia.

Num lapso revelador do improviso a cercar as ações federais, o ministro chegou a falar em mandados coletivos de captura, corrigindo-se depois. A menos que se viva numa ditadura, só é possível prender uma pessoa devidamente identificada e com razões objetivas.

Rebelião sindical contra a reforma trabalhista: Editorial | O Globo

A resistência à modernização das relações de trabalho leva sindicatos a desrespeitarem o Congresso e a agirem como se o imposto sindical ainda existisse

O momento por que o país passa, com necessidade de ajustes nos gastos públicos, apresenta vários exemplos de como grupos de privilegiados na sociedade, dentro e fora do Estado, reagem com vigor ao risco de perdas necessárias à estabilização da economia e à modernização do sistema produtivo.

A reforma da Previdência é caso evidente, pelo tamanho e características do problema, bem como pelas resistências corporativistas. O sistema como um todo precisa ser atualizado para uma nova realidade demográfica, de crescente parcela de idosos, com expectativa de vida em ascensão — uma boa notícia —, sem que o fluxo de entrada de jovens no mercado de trabalho, novos contribuintes do INSS, financie o aumento dos gastos com aposentadorias e benefícios. Resultado, déficits.

Há, ainda, a enorme disparidade entre a aposentadoria do assalariado do setor privado e do servidor público, em favor deste, injustiça que grupos organizados do funcionalismo não admitem que seja eliminada. É o que está à espera do novo presidente.

Alckmin deve intervir nos maiores colégios eleitorais

Eleição. Governador paulista, pré-candidato do PSDB à Presidência, terá a palavra final sobre candidaturas tucanas nos Estados; maior preocupação é com o palanque em Minas

Pedro Venceslau Adriana Ferraz e Renan Truffi | O Estado de S. Paulo.

BRASÍLIA - Pré-candidato à Presidência, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, vai ter a palavra final sobre as candidaturas do PSDB aos governos estaduais. De acordo com aliados do tucano, a ideia é usar uma resolução partidária de 2014 que deu carta branca à executiva do partido para promover intervenções nos diretórios regionais quando necessário.

Naquele ano, o senador Aécio Neves (MG) era presidente do PSDB e pré-candidato ao Palácio do Planalto, assim como Alckmin agora. A proposta foi aprovada na época pelo diretório nacional, apesar de sofrer forte resistência interna.

A preocupação no entorno de Alckmin é que ele fique sem palanques fortes nos principais colégios eleitorais do País. Pelo mapa atual, o PSDB não tem opções competitivas em Minas Gerais, Rio, Bahia e Pernambuco, que representam cerca de 30% do eleitorado nacional.

Por ora, o partido contabiliza 12 pré-candidaturas consideradas “consolidadas” pela cúpula tucana, mas parte delas pode acabar sendo sacrificada em nome do projeto nacional. Alckmin tem dito a aliados que nesses casos é normal que “a ordem venha de cima”.

Potenciais aliados do PSDB na eleição presidencial de outubro, PSD, DEM, PSB e PPS devem apresentar ao governador suas listas de prioridades regionais. Essa equação será decisiva para os tucanos.

O DEM calcula nove potenciais candidaturas estaduais, sendo Goiás, Rio, Bahia e Rio Grande do Sul as prioritárias. A legenda pede que os tucanos apoiem Ronaldo Caiado em Goiás, César Maia no Rio, ACM Neto na Bahia e Onyx Lorenzoni no Rio Grande do Sul.

Candidatura Temer enfrenta resistência no próprio MDB

Em reunião da sigla, ministro defende nome do presidente na disputa presidencial, mas correligionários desconfiam do seu potencial eleitoral

Vera Rosa, Igor Gadelha e Daiene Cardoso | O Estado de S. Paulo.

BRASÍLIA - A possível candidatura do presidente Michel Temer a um segundo mandato enfrenta resistências não apenas em partidos da base aliada do governo, mas no próprio MDB. Defendida nos bastidores por ministros que ocupam gabinetes no Palácio do Planalto, a estratégia para lançar Temer ganhou os holofotes depois que o governo anunciou a intervenção na segurança pública do Rio.

Em reunião da Executiva Nacional do MDB, ontem, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, fez uma defesa enfática da candidatura de Temer. A portas fechadas, Marun declarou que o presidente tem “todas as chances” de ganhar. “Eu disse que precisamos nos preparar para isso”, afirmou o ministro ao Estado. Ele disse ter conversado sobre o assunto com Temer, na segunda-feira. “A posição dele, hoje, é a de não disputar. Agora, quando os adversários se preocupam com isso, significa que estamos no caminho certo.”

Reconduzido à presidência do MDB por mais um ano, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), ouviu a defesa feita por Marun, mas não seguiu na mesma toada. Disse que o partido trabalha para ter candidato próprio à Presidência, mas citou outros nomes além de Temer, incluindo o do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Sem espaço no PSD, Meirelles negocia filiação ao MDB.

“Nós estamos discutindo qual é o nome mais viável, mais factível, que possa ganhar as eleições”, afirmou Jucá.

Em conversas reservadas, porém, dirigentes do MDB sustentam que Temer somente será candidato se, em abril, chegar a dois dígitos de aprovação. Dono de altos índices de impopularidade, o presidente aposta em uma agenda mais social para melhorar sua imagem.

Eleições motivam críticas de Maia e Eunício ao Planalto

Presidentes da Câmara e do Senado buscam protagonismo e não querem parecer que são ‘pautados’ por Temer

- O Estado de S. Paulo.

BRASÍLIA - O confronto aberto pelos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), com o presidente Michel Temer – por causa do “plano B” do governo no Congresso, após o fiasco da reforma da Previdência – tem como pano de fundo as eleições. Os dois estão em busca de protagonismo na cena política e não querem parecer que são “pautados” por uma gestão impopular.

A reação começou após o decreto de intervenção federal no Rio. Maia e Eunício avaliam que Temer passou por cima do Legislativo ao tentar puxar para o governo a pauta da segurança pública. O clima piorou com o anúncio, feito pelo Palácio do Planalto, de uma “agenda alternativa” com 15 projetos econômicos, para compensar o enterro das mudanças nas regras da aposentadoria.

Para Maia, as medidas cheiram a “café velho e frio, que não atende à sociedade”. “Esses temas já estão na pauta aqui há muito tempo. De repente vira uma pauta do governo? A pauta da Câmara quem faz é a presidência da Câmara, não é o presidente da República. É uma questão de respeito institucional”, criticou ele.

Pré-candidato ao Palácio do Planalto, Maia atribuiu a Temer a intenção de criar um imposto para bancar a segurança pública. “Expliquei a ele: é inviável, porque, por lei, tem que ser para o próximo ano e por emenda constitucional não pode por causa do decreto da intervenção”, afirmou o deputado. A ideia do imposto, considerada extremamente impopular, ainda não foi tratada oficialmente pelo governo.

Temer rebate Lula e nega que ação no Rio seja eleitoreira

Petista disse que presidente quer avançar sobre 'nicho de eleitores' de Bolsonaro

Gustavo Uribe, Marina Dias, Daniel Carvalho e Carolina Linhares | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA E BELO HORIZONTE - O presidente Michel Temer rebateu nesta quarta-feira (21) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que a intervenção federal no Rio de Janeiro não foi motivada por interesses eleitorais.

Em nota, o emedebista afirmou que não seguirá em busca de "aplauso fácil", que a agenda eleitoral "não é e nem será causa" das ações governamentais e que a iniciativa no Rio de Janeiro não tem "significação eleitoral".

Auxiliares do presidente Michel Temer admitem que há um plano para a possível candidatura à reeleição do emedebista. Isso deverá ser colocado em prática em maio ou junho, quando os efeitos da intervenção federal na segurança pública do Rio poderão ser sentidos e, se positivos, ajudarão a melhorar a popularidade do mandatário.

Hoje, 70% da população considera o governo ruim ou péssimo, segundo o Datafolha. Temer aparece com apenas 1% das intenções de voto.

Esses assessores afirmam que era esperada a reação pública de adversários sobre a tentativa do presidente de se cacifar à reeleição ao mudar a agenda do governo, mas defendem que esse debate seja adiado, inclusive, para não desgastar ainda mais a imagem de Temer.

Em evento em Belo Horizonte (MG), Lula afirmou que Temer usa a intervenção para "se cacifar" na eleição.

"Não sei se vocês perceberam a sacada do Temer. ["] Ele está pensando com isso em se cacifar pra ser presidente da República na eleição de 2018", disse Lula, ressaltando que a pauta da segurança tem apoio da população enquanto a reforma da Previdência não tinha.

Temer nega uso eleitoral, mas faz agenda de candidato

Candidatura em construção

Temer lança campanha publicitária para defender intervenção e pede agenda positiva a ministros

Débora Bergamasco e Karla Gamba | O Globo

-BRASÍLIA- Enquanto tenta despistar suas intenções de vir a disputar a reeleição, o presidente Michel Temer começa a fazer movimentos na construção de sua candidatura com ações típicas de quem terá o nome nas urnas em outubro. O Palácio do Planalto está pedindo a todos os ministérios uma relação completa de realizações, possíveis inaugurações e anúncios de balanços positivos para que o presidente possa “faturar” com as ações. O governo iniciou também uma campanha publicitária para dizer que “vai tirar o Rio de Janeiro das mãos da violência”, embora a intervenção federal na Segurança Pública do estado mal tenha começado.

Após reunião da Executiva do PMDB que o reconduziu ontem à presidência do partido, Romero Jucá deixou a discrição de lado e afirmou que Temer é um nome para a eleição presidencial:

— Temer é uma opção do PMDB, se ele assim o entender. O partido defende candidatura própria. Agora, se será ou não Temer, o tempo e a própria decisão dele vão definir.

De acordo com aliados, Temer vem notando que muitos ministros fazem agendas próprias ou voltadas apenas para os seus próprios partidos. Com isso, chegam até a tentar excluir o presidente de eventos para concentrarem os holofotes em si. O drible também tem a intenção de evitar o contágio da alta rejeição de Temer, especialmente em estados do Norte e do Nordeste.

Por enquanto, estão sendo costuradas visitas para os próximos dias a São Paulo, Minas Gerais, Piauí e Pará. Neste último, Temer participará de uma cerimônia para regularização fundiária. Simbolicamente, vai contar a algumas centenas de paraenses que as casas e terras que eles temem perder por falta de documentação regular estarão salvas.

PRÉ-CANDIDATOS REAGEM
A ação na Segurança Pública no Rio é vista como um ponto de virada. O próprio marqueteiro do presidente afirmou que ele jogou “todas as fichas” na intervenção. Durante uma viagem de volta do Rio, Temer compartilhou com alguns ministros que sua ideia é “acompanhar de perto” o trabalho das forças federais. Disse ainda que, se for possível, quer ir semanalmente conferir a ação in loco. Na campanha publicitária iniciada pelo Planalto, o mote é “o governo que está tirando o país da maior recessão da sua história, agora vai tirar o Rio de Janeiro das mãos da violência”.

Eleições passam a pautar mudanças no ministério

Andrea Jubé, Cristiane Bonfanti e Cristiano Zaia | Valor Econômico

BRASÍLIA - Com o enterro da reforma da Previdência, a conjuntura eleitoral vai pautar as mudanças nos ministérios até abril. A negociação de votos favoráveis à proposta sai de cena para dar lugar à composição de alianças nos Estados e no plano nacional. Foi nesse contexto que o presidente Michel Temer recomendou ontem ao PTB que aguarde as alterações que fará no primeiro escalão antes de apresentar um novo nome para o Ministério do Trabalho. Também no âmbito das mudanças ministeriais, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, do PP, informou ao Planalto que permanecerá no comando da pasta.

Um mês e meio antes do prazo para que os ministros deixem os cargos para concorrer em outubro, a reforma ministerial ganha corpo em compasso acelerado. De pelo menos 13 ministros que deixarão seus postos, o destino de três auxiliares foi traçado nesta semana.

Na segunda-feira, Temer demitiu a titular dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, para empossar o subchefe de Assuntos Jurídicos, Gustavo do Vale Rocha como interino, um nome de sua máxima confiança, com o objetivo de incrementar as ações na área social e tentar alavancar a baixa popularidade presidencial.

Com a candidatura à reeleição como plano B, Temer precisa se cacifar, ao menos, como um forte cabo eleitoral. O MDB de Temer terá candidatura própria ou reivindicará a vaga de vice-presidente em uma chapa competitiva, de modo que a nomeação para ministérios servirá como moeda de troca nessas composições.

Ontem, sem o pano de fundo da articulação para obter votos para a reforma previdenciária, o desfecho da crise envolvendo a escolha de Cristiane Brasil para o Ministério do Trabalho foi inesperado. O PTB foi um dos primeiros partidos a recomendar o fechamento de questão a favor das mudanças na aposentadoria, de olho na posse de Cristiane, filha de Jefferson, no ministério.

Desistência de Huck faz FHC duvidar de nome novo

Por Rosângela Bittar | Valor Econômico

BRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso está perdendo a expectativa, alimentada com muita ansiedade e preocupação por faixas do eleitorado e formadores de opinião, de que ainda vai aparecer um nome novo na política para a disputa eleitoral da Presidência da República este ano. "Acho difícil. Sabemos mais ou menos o quadro. Luciano Huck poderia ser o novo, não tinha alma política e por isso estava sendo esperado como renovador; Joaquim Barbosa, que falam de vez em quando, nunca teve opinião política real. Quem mais? Os demais são políticos conhecidos e calejados". Essa hipótese do novo é difícil de se concretizar, prevê.

O comentário foi feito em conversa para esclarecer movimentos a ele atribuídos no sentido de, depois de ter sido patrono da candidatura Huck, estaria agora sensível à postulação do empresário Flavio Rocha.

"Não conheço esse candidato, como ele se chama? Rocha. Nunca vi, pelo menos que eu me lembre. Não estou apostando em nada, alguns dizem até que encomendei pesquisa, que estou insatisfeito, tudo mentira", afirmou Fernando Henrique.

Presidente do PSDB lança Anastasia para disputa em Minas

Por Vandson Lima, Marcelo Ribeiro e Raphael Di Cunto | Valor Econômico

BRASÍLIA - O governador de São Paulo e presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin, principal presidenciável da sigla, entrou em uma campanha, encampada pela bancada mineira da Câmara e alguns prefeitos do Estado, para tentar convencer o senador Antonio Anastasia (MG) a aceitar uma nova candidatura ao governo de Minas. O senador, contudo, mostra-se resistente à ideia. A conversa entre ele e Alckmin ontem, em Brasília, foi inconclusiva, enquanto palanques próprios do partido em outros Estados já foram definidos.

No Rio Grande do Sul o candidato do PSDB será o ex-prefeito de Pelotas, Eduardo Leite, como candidato ao governo do Rio Grande do Sul. Com apenas 32 anos, Leite é o atual presidente do PSDB gaúcho. Eleito prefeito em 2012, ele optou por não concorrer à reeleição em 2016 para estruturar sua postulação ao comando do Estado este ano - sua vice, Paula Mascarenhas, foi eleita com seu apoio no primeiro turno em Pelotas.

Em Santa Catarina, o candidato será Paulo Bauer. Eleito em 2010, ele está em final de mandato no Senado. No Maranhão, será o senador Roberto Rocha. Presidente do PSDB no Amapá, o deputado federal Luiz Carlos ainda não bateu o martelo se será candidato ao governo.

A questão mineira terá uma nova ofensiva de Alckmin no início de março quando o governador deve viajar a Minas. "Anastasia é a candidatura natural. Tem experiência, é um dos melhores gestores do Brasil e Minas precisa do Anastasia. É um quadro excepcional, une o partido e também os aliados. É um grande nome. Ele sabe que eu gostaria que ele fosse candidato. Vamos ter uma boa solução", disse.

Charles Baudelaire: A uma passante

A rua, em torno, era ensurdecedora vaia.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão vaidosa
Erguendo e balançando a barra alva da saia;
Pernas de estátua, era fidalga, ágil e fina.
Eu bebia, como um basbaque extravagante,
No tempestuoso céu do seu olhar distante,
A doçura que encanta e o prazer que assassina.
Brilho… e a noite depois! – Fugitiva beldade
De um olhar que me fez nascer segunda vez,
Não mais te hei de rever senão na eternidade?
Longe daqui! tarde demais! nunca talvez!
Pois não sabes de mim, não sei que fim levaste,
Tu que eu teria amado, ó tu que o adivinhaste!

Roberta Sá - Mutirão de amor

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Opinião do dia: Roberto Freire

Não adianta tergiversar, não adianta buscar o oposicionismo fácil para se eximir da responsabilidade que todos nós devemos em relação à situação em que vive o Rio de Janeiro e pela segurança pública nacional.

No mesmo dia da edição do decreto, lançamos uma nota pública apoiando a medida, com PPS do Rio, dizendo que não era intervenção qualquer. Era uma intervenção federal junto à polícia, ao sistema penitenciário, aos bombeiros e à inteligência para quebrar a promiscuidade e a corrupção instalada no Rio entre a cúpula da polícia e o crime organizado.


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Roberto Freire é deputado federal (SP) e presidente nacional do PPS, em pronunciamento na Câmara, no dia do voto sobre o Decreto de Intervenção Federal na área de Segurança do Rio de Janeiro.

Rosângela Bittar: Rali da temperança

- Valor Econômico

A sucessão presidencial voltou seu teorema para SP

Depois do segundo não de Luciano Huck ao sistema eleitoral, e do primeiro não da Justiça ao ex-presidente Lula, a sucessão presidencial voltou seu teorema para São Paulo. As definições no Estado estão ligadas, fortemente, às indefinições nacionais, exatamente as que se situam entre os políticos de centro.

Por isso mesmo, as atenções do momento se concentram no governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o seu esforço para alçar voo numa campanha que, justiça lhe seja feita, ninguém ainda decolou de verdade. A não ser Jair Bolsonaro, mas lá atrás, no início, um impulso já em aparente refluxo ainda não medido com rigor pelas pesquisas.

A presença de São Paulo no atual cenário pós-Lula se reforça pela sucessão estadual. É essencial notar o vice-governador Márcio França (PSB), que assumirá o cargo com o pensamento na reeleição e constituirá pelo menos um dos palanques para o presidenciável Alckmin.

As provocações que tentaram, nos últimos dias, derrubar as perspectivas de França não foram engolidas, uma contribuição dele à sanidade da disputa. Tentou-se levá-lo para o PSDB, de forma a tornar mais confortável a caminhada do governador pela campanha presidencial. Era um pretexto, pois uma vez lá, França teria que se submeter a uma prévia e seria engolido pelos capitães da tropa tucana. O vice Márcio França declinou da arapuca.

Outra provocação foi prometer-se ao vice que Alckmin o apoiaria integralmente contra um candidato tucano. Essa o próprio Alckmin se encarregou de desfazer, declarando-se fiel cabo eleitoral do candidato do PSDB em programa popular de TV. Mas não recusou o palanque de França e nem poderá, por crime de lesa coerência. Afinal, foi e é seu fiel vice-governador.

Alckmin terá dois palanques mas os seus não deixarão que fique neutro. Assim, França também ficará livre para oferecer espaço a um candidato de seu partido caso a opção venha a ser por esse caminho, hipótese a cada dia mais improvável.

Para o PSDB, não será o passeio de sempre em São Paulo. As sondagens estão mostrando uma queda no eleitorado do partido no Sudeste e no Sul.

Vera Magalhães: Temer e o tempo

- O Estado de S.Paulo

Michel Temer joga com o tempo para responder à pergunta, cada vez mais repetida, sobre se será ou não candidato à reeleição. Sua condição, apenas e tão somente nesse campo, é vantajosa em relação a alguns dos virtuais oponentes: não precisa renunciar ao mandato e não é premido pelo prazo para escolher um partido.

Por isso, julga ter tempo para que os dois principais fatores que vão determinar suas chances eleitorais mostrem resultado: a recuperação da economia e o sucesso ou fracasso da intervenção federal no Rio.

São essas as variáveis capazes de mexer na sua ainda esquálida popularidade, sem cuja recuperação a candidatura deixará de fazer sentido para o próprio MDB, que sempre se pauta pelo pragmatismo na hora de definir a estratégia eleitoral.

O “deadline” para a decisão é junho, atestam os aliados. É nessa época que se definirão as alianças, essenciais numa eleição cujo resultado ainda será influenciado pelo peso da propaganda de TV.

São pouco menos de quatro meses para que a retomada do consumo e do emprego mostre se tem vigor para embalar um discurso de que o governo tirou o País do buraco econômico cavado pelo PT. E para que a intervenção no Rio melhore a sensação de segurança das pessoas – uma vez que a solução estrutural para o crime no Estado é algo fora do horizonte.

Até lá, pesquisas serão semanais, como num constante eletrocardiograma a medir os sinais vitais do presidente e sua chance de sobrevida eleitoral.

Bruno Boghossian: Seguir o dinheiro

- Folha de S. Paulo

Análise poderia revelar o enriquecimento de agentes que se associaram a criminosos

No fim de outubro, o ministro Torquato Jardim (Justiça) abriu uma crise no governo ao dizer que Luiz Fernando Pezão havia perdido o controle sobre a segurança pública no Rio. Afirmou ainda que os comandantes da polícia local eram "sócios do crime organizado".

O governador reagiu, indignado, e ameaçou interpelar judicialmente o ministro. O presidente Michel Temer interveio, repreendeu Jardim e pediu que ele evitasse novas críticas.

Pouco mais de três meses depois, Pezão e Temer reconheceram que a primeira frase do ministro estava certa. Ainda falta atacar a segunda. A intervenção federal no Rio comprovou a incompetência do governador para cuidar da segurança, mas a operação será um desperdício se não incluir também uma devassa sobre a corrupção policial no Estado.

Temer e seus subordinados evitaram, até agora, declarações públicas contundentes sobre a necessidade de investigação dos elos entre comandantes de batalhões, milícias e traficantes. Argumentam que o tema precisa ser mantido em sigilo para evitar prejuízo às apurações.

Nos bastidores, integrantes do governo discutem acionar o Coaf, a Receita e a Polícia Federal para examinar a movimentação financeira de integrantes das forças de segurança do Rio, o que poderia revelar o enriquecimento de agentes públicos que tenham se associado a criminosos.