domingo, 23 de março de 2014

Opinião do dia: Marco Aurélio Nogueira:

Nunca a política foi tão ruim. Falta praticamente tudo nela: ideias, estadistas, lideranças, discurso, qualificação técnica, interação com a sociedade. É quase um cenário de fim do mundo: terra arrasada, à espera de algum herói que dê sentido e ponha ordem no caos. Difícil localizar alguma fonte de esperança. O fato de o País ter melhorado na sequência do fim da ditadura militar - progressiva e lentamente a partir da Constituição de 1988 - fornece um contraste que dramatiza a questão: como foi possível chegarmos tão longe com a política que temos, ou que não temos?

*Professor titular de Teoria Política e diretor do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da UNESP. Maiorias paralisantes, O Estado de S. Paulo, 22 de marços de 2014

Dilma aprovou refinaria no Japão ciente de cláusula

Presidente, que diz que mudaria posição sobre a compra de Pasadena se soubesse de Put Option, autorizou negócio com esse mesmo item em 2007

Andreza Matais, Murilo Rodrigues Alves, Fábio Fabrini - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Como presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil do governo Lula, aprovou em 2007 a aquisição de parte de uma refinaria no Japão. Diferentemente do que ocorreu um ano antes, quando, segundo Dilma, o conselho decidiu comprar a refinaria de Pasadena, nos EUA, usando informações incompletas, os integrantes do colegiado da estatal foram avisados, no caso japonês, da existência da cláusula Put Option, que obriga uma das partes da sociedade a comprar a outra em caso de desentendimento.

Em texto assinado pela Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto e encaminhado ontem ao Estado, Dilma disse ter autorizado a compra da refinaria japonesa Nansei Sekiyu com base num "resumo" elaborado pela diretoria internacional da Petrobrás, na época comandada por Nestor Cerveró, no qual "está referida a existência de cláusulas contratuais que materializaram o Put Option, bem como as informações técnicas correspondentes". No caso da refinaria de Pasadena, a presidente havia informado aoEstado que o resumo que recebeu do mesmo Cerveró, demitido ontem de um cargo de diretor na BR Distribuidora, era "falho" e omitia condições do contrato como as cláusulas de Put Option e Marlim (que garantia à sócia da Petrobrás um lucro mínimo independentemente da situação do mercado).
Dilma disse na nota de terça que, se soubesse das cláusulas, não apoiaria o negócio. As declarações da presidente sobre Pasadena provocaram forte reação no meio político e empresarial.

Sobre a refinaria Nansei Sekiyu, em Okinawa, Dilma justificou que "a aquisição estava alinhada com a estratégia geral da companhia (...) no que se referia ao incremento da capacidade de refino de petróleo no exterior" e ressaltou que "a refinaria detinha uma vantagem (...) por possuir um grande terminal de petróleo e derivados".

Documentos internos da empresa, aos quais o Estado teve acesso, mostram que o conselho, presidido por Dilma na época, aprovou a compra de 87,5% do negócio no Japão. O ministro Guido Mantega (Fazenda) também era integrante do conselho e avalizou a compra. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli citou o contrato da refinaria de Okinawa como exemplo de que o Put Option era comum nos contratos da empresa, colocando em dúvida a versão da presidente de que foi surpreendida pela cláusula no caso Pasadena. O contrato do Japão não continha a cláusula de Marlim.

Negócio. A compra da refinaria Nansei foi aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobrás em novembro de 2007. O negócio se assemelha à compra de Pasadena em pontos como o fato de a refinaria japonesa, que custou US$ 71 milhões, não processar o óleo pesado produzido pelo Brasil. Segundo pessoas envolvidas no negócio, a Petrobrás foi obrigada a fazer investimento bilionário para adequá-la e reparar danos. Procurada, a estatal não quis falar sobre a Nansei Sekiyu.

A Petrobrás chegou a anunciar que tinha um comprador para a refinaria japonesa em 2013. No entanto, com a licença de funcionamento da unidade vencida, o negócio não foi adiante. A petroleira colocou a refinaria como um dos ativos de que pretende se desfazer para reforçar o caixa e dar conta do plano que prevê investimentos de US$ 236,7 bilhões entre 2013 e 2017.
A refinaria foi comprada de um grupo japonês ligado à americana Exxon Mobil. A Petrobrás nunca detalhou publicamente os investimentos feitos na instalação.

Colaborou Lisandra Paraguassu

Eduardo Campos levanta suspeita de desvalorização proposital da Petrobrás

Governador de Pernambuco diz que jogada é estratégia para desvalorizar e vender a empresa

Tiago Décimo - O Estado de S. Paulo

Ao comentar sobre as suspeitas de irregularidades em contratos da Petrobrás, o governador de Pernambuco e pré-candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos, levantou suspeita sobre uma possível desvalorização proposital no valor de mercado da empresa, durante um evento realizado neste sábado, em Salvador.

"Às vezes, fico desconfiado se isso não faz parte de um jogo para desvalorizar e vender a Petrobrás", disse o presidenciável. "Queremos que as posições sejam deixadas claras. Em 2010 (durante a campanha eleitorial), a hoje presidente (Dilma Rousseff) acusou o candidato do PSDB (José Serra) de querer fazer um processo de privatização da Petrobrás. Três anos depois, a empresa vale metade do que valia e está mais endividada. É preciso ter um debate muito consistente, que não omita da sociedade o que houve, efetivamente."

Campos também criticou a condução da crise, por parte do governo e do conselho de administração da empresa. "A gente não pode achar que a saída de uma pessoa pode resolver um problema que é mais complexo", comentou, sobre a demissão do diretor financeiro da BR Distribuidora, Nestor Cerveró. "A gente não pode achar que agora está tudo normal. É fundamental o esclarecimento sobre essas questões."

Apesar da suspeita, o governador pernambucano disse considerar ser "cedo" para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as ações da empresa. "Vários parlamentares da bancada do PSB já assinaram o pedido de criação da CPI, mas nós, da direção partidária, achamos que temos de ter tranquilidade para cumprir as etapas necessárias. Isso para que, depois, não venham fazer leituras equivocadas, de que estamos nos valendo (politicamente) de uma situação de constrangimento do governo, mesmo que tenha sido gerada pelo próprio governo."

O PSB é um dos partidos que pediu a convocação da presidente da Petrobrás (Graça Foster) e do ministro das Minas e Energia (Edison Lobão) para prestar os esclarecimentos necessários ao Congresso. "É necessário primeiro ver a etapa das convocações, ver os esclarecimentos prestados, para que a bancada do PSB possa tomar uma posição", explicou. "Se os esclarecimentos forem insuficientes, não teremos problema em decidir formalmente, pela direção do partido, pela criação da CPI."

Segundo Campos, é necessário "cuidado" na condução dos processos de investigação, para não prejudicar a empresa. "Minha preocupação, neste momento, é não deixar a Petrobrás vulnerável, é preservar a empresa por tudo o que ela significa para o Brasil e para a economia brasileira", observou. "A gente tem esse tipo de preocupação, que não haja uma disputa política sobre o tema."

O presidenciável participou, neste sábado, do 3º Encontro Regional Programático, evento promovido por PSB, Rede Sustentabilidade e PPS para a confecção do programa de governo que será apresentado pela coligação durante a campanha eleitoral. Também estiveram na reunião os líderes do PPS – deputado Roberto Freire, do PE – e da Rede (Marina Silva), além de deputados, senadores e lideranças regionais dos partidos, como as pré-candidatas do PSB ao governo baiano, Lídice da Mata, e ao senado, Eliana Calmon.

Eduardo Campos critica administração da Petrobras

Em Salvador, o pré-candidato a Presidência afirmou que “não pode haver terrorismo eleitoral” e que Bolsa Família é uma conquista das famílias mais pobres

O Globo

O pré-candidato a presidente da República pelo PSB, Eduardo Campos, criticou a administração da Petrobras, afirmou que o país quer mudança e disse que Bolsa Família é uma vitória das famílias mais pobres e que não se pode usá-lo como forma de terrorismo eleitoral. A fala ocorreu em Salvador, durante um encontro programático que contou com a presença de Marina Silva e da juíza Eliana Calmon.

O governador de Pernambuco afirmou que é necessário proteger a Petrobras e criticou a série de erros na administração da empresa nos últimos anos.

— Precisamos proteger a maior empresa pública do Brasil, formada por trabalhadores de grande qualidade — afirmou Campos que, mais uma vez, disse que o Brasil quer mudanças — O povo quer mudança em 2014. Não há marketing, maquiagem ou tempo de TV que mude isso.

A crítica tem relação com a pesquisa sobre a disputa presidencial, feita pelo Ibope, que indica a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno. Campos aponta a sua eleição para o governo de Pernambuco como um exemplo de mudança em disputas eleitorais.

— Comecei com 4% nas pesquisas, ganhei com 63% e cumpri todos meus compromissos.
O Bolsa Família também foi um dos temas abordados por Eduardo Campos que elogiou o programa mas criticou sua gestão.

— Queremos ter o direito de não achar normal que as filhas do Bolsa Família de hoje sejam as mães do Bolsa Família de amanhã. Não se pode fazer terrorismo eleitoral. O Bolsa Família não está em debate, ele é uma conquista das famílias mais pobres.

Wagner diz que não havia contrato e contradiz declarações de Dilma

Fernando Duarte - A Tarde (BA)

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), negou a existência de contrato quando o conselho de administração da Petrobras tomou a decisão de comprar a refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

"Em fevereiro de 2006, nem contrato existia. Se tomou uma decisão estratégica de comprar uma refinaria nos Estados Unidos", afirmou Wagner, à época ministro de Relações Internacionais do governo Lula e membro do conselho.

A afirmação contesta a declaração da presidente Dilma Rousseff de que o resumo executivo elaborado pelo diretor da área internacional da Petrobras era "técnica e juridicamente falho".

"Eu não vi nada de errado na decisão de 2006. Eu insisto que a decisão é macro, nunca desceu a detalhes de ver cláusula por cláusula de um contrato desses", disse o governador. Para ele, a decisão unânime sinaliza que, naquele momento, a aquisição era uma boa opção.

"Eu participei de uma votação que decidiu estrategicamente o interesse da Petrobras de ter uma posição no mercado americano. Essa posição se consolidou na refinaria de Pasadena. Um conselho de administração não vai ler um relatório de três mil páginas", justificou.

Wagner não criticou diretamente as declarações da presidente ou do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, hoje secretário de estadual Planejamento. O governador disse defender a apuração do caso. "Será investigado se teve problema na concretização do contrato. Vamos esperar", assinalou.

Para ele, a oposição faz o seu papel ao tentar capitalizar politicamente o desencontro de informações sobre a compra da refinaria norte-americana.

"Não vejo como estratégia dela, mas é claro que a oposição vai se aproveitar disso para produzir desgaste", disse, ressaltando que o Tribunal de Contas da União e a Polícia Federal já avaliavam se houve dano à coisa pública.

Comissão
Em Brasília, partidos de oposição vão se reunir terça-feira para articular estratégia para emplacar a CPI da Petrobras no Congresso.

O encontro será liderado pelo provável candidato à presidência e senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o presidente nacional do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP).

O tucano defendeu na quinta-feira a criação de uma CPI mista para aprofundar as investigações sobre a aquisição da refinaria de Pasadena (EUA) pela estatal brasileira.

"Aqueles da base do governo que dizem querer investigar essa questão e que já nos ajudaram a aprovar a comissão externa envolvendo outras denúncias na Petrobras, como no pagamento de propina por parte de uma empresa holandesa, esperamos que possam nos ajudar para que essa questão seja esclarecida", declarou.

Para ser instalada, a CPMI precisaria das assinaturas de 27 senadores e de 171 deputados. O jornal O Estado de S.Paulo revelou que, em 2006, a presidente Dilma Rousseff, então ministra e presidente do conselho de administração da Petrobras, votou a favor da compra de 50% da refinaria americana.

Ao justificar seu voto, Dilma disse que só apoiou a medida porque recebeu "informações incompletas" de um parecer "técnica e juridicamente falho". A Petrobras acabou desembolsando US$ 1,18 bilhão na operação.

No mesmo dia em que Aécio "convocou" o "blocão" dos deputados insatisfeitos com o governo a trabalhar pela criação da comissão, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se mostrou contra a iniciativa. "Não sou favorável a partidarizar. Mas se o governo não apurar direitinho, abre espaço (para CPI)", disse.

Aécio diz que Dilma não está 'capacitada' para governar

Pré-candidato, senador tucano diz que vai reunir oposição no Congresso, na próxima semana, para tratar de CPI para investigar Petrobras

Silvia Amorim – O Globo

CAMPOS DO JORDÃO (SP) - Pré-candidato do PSDB à Presidência da República, o senador Aécio Neves usou neste sábado as denúncias envolvendo a Petrobras para dizer que a presidente Dilma Rousseff não está "capacitada" para governar o país. Aécio anunciou a realização de uma reunião no Congresso na próxima semana para buscar votos para a abertura de uma CPI. Sobre esse assunto, o mineiro passou por uma saia-justa nesta manhã, durante visita ao município de Campos do Jordão, interior paulista, quando o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse, em entrevista antes da chegada do mineiro, que não seria necessária a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito se outras investigações estiverem sendo conduzidas no âmbito federal.

- Talvez ela não esteja capacitada para governar o Brasil e nós estamos vendo que o Brasil é o país do improviso. Me dou o direito de dizer que a desastrada intervenção da presidente no setor elétrico, que trouxe tantos prejuízos ao Brasil, ao tesouro e riscos de apagão, tenha sido tomada porque a presidente tenha lido só o resumo e não o conteúdo completo de todas as informações que orientavam em direção contrária à intervenção que se fez no setor elétrico. Foi um crime para com o país- disse Aécio, em entrevista antes de discursar para prefeitos, vereadores e correligionário no 58º Congresso de Municípios de São Paulo.

Depois de conversar a sós com Alckmin, com quem comeu um pastel antes de chegar ao evento, o senador negou que houvesse divergência entre o que defende ele e o governador paulista. Aécio afirmou que conversou com Alckmin e que este tinha a mesma opinião a favor da CPI.

Em seu discurso, Aécio voltou ao tema das denúncias envolvendo a Petrobras e convocou a militância a defender na próxima campanha a "reestatização" da estatal:

- Na última eleição, nos acusaram de querer privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil e outras empresas públicas. Isso jamais aconteceu nem foi pensado. O que nós queremos hoje é reestatizar a Petrobras, tirá-la das mãos de um grupo político, que dela se apoderou para fazer negócios irresponsáveis. Vamos buscar a decência na gestão pública.

Compra de refinaria japonesa agrava quadro, diz oposição

Ricardo Brito - Agência Estado

Líderes de partidos de oposição afirmaram neste sábado que a situação da presidente Dilma Rousseff se "agrava" com a revelação, publicada neste sábado, 22, pelo jornal O Estado de S. Paulo, de que a então presidente do Conselho de Administração da Petrobras tinha conhecimento de uma das cláusulas na compra de parte de uma refinaria no Japão em 2007.
Ao contrário do caso japonês, Dilma disse que desconhecia a existência da cláusula Put Option, que obriga uma das partes da sociedade a comprar a outra em caso de desentendimento, quando aprovou a aquisição de parte da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), um ano antes.

Em texto assinado pela Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto e encaminhado ao jornal, Dilma disse ter autorizado a compra da refinaria japonesa Nansei Sekiyu com base num "resumo" elaborado pela diretoria internacional da Petrobras, na época comandada por Nestor Cerveró, no qual "está referida a existência de cláusulas contratuais que materializaram o Put Option, bem como as informações técnicas correspondentes".

No caso da refinaria de Pasadena, a presidente havia informado ao Estado que o resumo que recebeu do mesmo Cerveró, demitido ontem de um cargo de diretor na BR Distribuidora, era "falho" e omitia condições do contrato como as cláusulas de Put Option e Marlim (que garantia à sócia da Petrobras um lucro mínimo independentemente da situação do mercado). Ela informou que, se soubesse das cláusulas, não apoiaria o negócio.

Em 2012, a estatal pagou US$ 1,18 bilhão por toda a refinaria de Pasadena, que, sete anos antes, havia sido negociada por US$ 42,5 milhões à ex-sócia belga. A compra da unidade está sob investigação do Tribunal de Contas da União, Polícia Federal e Ministério Público Federal. A oposição vai se reunir na próxima semana para decidir se apoia a criação de uma CPI para investigar a transação.

"Eu acho que, diante do fato posto, qualquer tentativa de explicação só agrava a situação", afirmou o vice-líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR). "Falar que não sabia dos detalhes, compromete. Falar que sabia, compromete também. Não tem alternativa para o governo não ter tomado nenhuma providência para apurar os fatos desde o final de 2012 e demitir os responsáveis", completou o tucano, referindo-se à falta de respostas ao pedido de explicações que apresentou sobre a operação de Pasadena.

Para o presidente e líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN), a revelação de que um ano depois, em uma operação semelhante, Dilma avalizou uma operação com a cláusula Put Option só reforça a necessidade de se apurar o caso da refinaria comprada pela estatal nos Estados Unidos.

"Em jogo, está a palavra da presidente da República. É um jogo gravíssimo", afirmou Agripino. "É um assunto grave e impõe esclarecimentos sob pena de alguém estar mentindo. A coisa está a cada dia que passa mais enrolada, mais cheia de mistério", completou.

Em seminário, PSB cobra mais apoio para o Nordeste

Eduardo diz que "não pode haver terrorismo eleitoral"

Frase foi dita durante o Encontro Programático do PSB, que está sendo realizado em Salvador (BA)

Diario de Pernambuco

O governador e pré-candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB) não poupou críticas à Petrobra, durante o Encontro Programático do PSB, que está sendo realizado em Salvador (BA). Sobre a Petrobras, que está sob alvo de investigações, ele disse "é preciso proteger a maior empresa pública do Brasil".

Segundo Eduardo, "não pode haver terrorismo eleitoral". Ele também aproveitou para defender o aprimoramento do programa federal Bolsa Família. "O Bolsa Família não está em debate, ele é uma conquista das famílias mais pobres. Queremos ter o direito de não achar normal que as filhas do Bolsa Família de hoje sejam as mães do Bolsa Família de amanhã", disparou.

Eduardo também falou sobre a sua eleição para o governo de Pernambuco. "Comecei com 4% nas pesquisas, ganhei com 64% e cumpri todos os meus compromissos", disse. Dessa vez, o Encontro Programático do PSB está discutindo os problemas e questões da Região Nordeste. "O Nordeste não é parte dos problemas do Brasil, e sim parte da solução!", exclamou.

Marina Silva (Rede), aliada do governador de Pernambuco, também aproveitou o momento para destilar críticas à gestão da presidente Dilma Roussef (PT). "Não existe no Brasil uma governabilidade com base em programa, só em distribuição de cargos", acusou Marina.

Em Salvador, Eduardo visitou o ex-governador baiano Waldir Pires. Pelo Facebook, o socialista disse que quando se elegeu em 2006, e já não contava com o avô Miguel Arraes, se inspirou em Pires e no escritor Ariano Suassuna.

A convocação de Ciro para minar Campos

Campanha de Dilma vê ex-ministro que ficou 10 anos no PSB como arma contra governador

Tânia Monteiro, Eduardo Bresciani - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O convite feito na semana passada pelo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, para que o ex-ministro Ciro Gomes (PROS) integre o grupo que coordenará a campanha da reeleição da presidente Dilma Rousseff tem como principal objetivo servir de contraponto ao governador de Pernambuco e pré-candidato ao Planalto, Eduardo Campos (PSB).

A ideia é que essa função seja desempenhada de duas maneiras. Internamente, Ciro terá o papel de ajudar a apontar os pontos fracos do candidato, levantados a partir dos dez anos de relação partidária mantida entre 2003 e 2013 n o PSB. Fora do comitê, o ex-ministro será responsável pelas respostas mais fortes contra Campos. Usará, assim, seu conhecido estilo agressivo para defender Dilma. A orientação é que os ataques sejam feitos também à ex-ministra Marina Silva, que deve ser a vice na chapa do PSB.

Interlocutores de Ciro afirmam que neste ano será possível ele finalmente dar o troco em Campos que, a pedido do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, articulou o partido a se posicionar contrário ao seu interesse em se candidatar a presidente da República em 2010.

Desde então, ao longo do governo Dilma, Ciro e seu irmão, o governador do Ceará, Cid Gomes (PROS), passaram a ser as vozes dissonantes dentro do PSB contrários à candidatura Campos em 2014.

Tanto que a situação ficou insustentável. Em setembro de 2013, o PSB deixou o governo, os irmãos Gomes saíram do partido presidido pelo pernambucano e migraram para o recém-criado PROS - sexta legenda de Ciro na vida pública.

Memória. O ex-ministro já deve participar da próxima reunião da coordenação da campanha de Dilma. Terá de esquecer comentários feitos por ele em 23 de julho passado, em entrevista à Rádio Verdes Mares, de Fortaleza, quando criticou Dilma e usou palavras de baixo calão para se referir à aliança do governo.

"A Dilma não é má pessoa. É uma pessoa decente, uma pessoa trabalhadora. É meio arrogante, muito inexperiente, muito muito muito inexperiente, isso já estava dito lá atrás, eu cansei de falar muitas vezes e cercada de gente de quinta categoria, esse é o grande problema, pilotando uma aliança que é assentada na p..., com licença aqui da má expressão, na fisiologia, na roubalheira, no clientelismo. É isso aí", disse Ciro, na entrevista à rádio cearense.

A assessoria do ex-ministro não confirma a existência do convite para a coordenação, que teria sido feito na quarta-feira por Mercadante, durante almoço com a direção do PROS no Palácio do Planalto. A assessoria de Ciro não fez comentários sobre a entrevista, esclarecendo apenas que "a candidatura da presidente Dilma é a melhor para o Brasil entre as que estão colocadas".

O chamado para Tasso voltar às urnas

Por palanque no Ceará e para reduzir força de Dilma no Nordeste, Aécio convoca ex-senador

Débora Bergamasco, - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Com a urgente necessidade de conseguir um palanque de peso no Nordeste, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato à Presidência, pressiona o empresário e ex-governador do Ceará Tasso Jereissati a retornar ao mundo político. Apesar de sentir falta da vida pública, o tucano cearense sinaliza não estar disposto a entrar na disputa caso suas chances de vitória não sejam muito altas - e disso dependem os movimentos dos irmãos Cid e Ciro Gomes, do PROS. Tasso resiste, pois não suportaria outra derrota como a de 2010, quando não foi reeleito senador.

Aécio sabe que não conseguirá vencer a presidente Dilma Rousseff (PT) no Nordeste, mas tem como estratégia não deixar a petista abrir larga vantagem por lá. O Ceará é fundamental na matemática tucana: é o terceiro maior colégio eleitoral da região, atrás da Bahia, onde o PT é governo, e de Pernambuco, do governador e pré-candidato do PSB Eduardo Campos; é o sétimo do País em número de eleitores; e já foi um reduto do PSDB no passado. Tasso comandou o Ceará por três mandatos - o primeiro, nos anos 80, ainda pelo PMDB e os outros dois no PSDB - e ajudou a eleger o primeiro governador tucano no País - por ironia, o hoje aliado de Dilma e do PT Ciro Gomes.

Em 2010, decepcionado após perder a vaga no Senado para Eunício Oliveira (PMDB) e José Pimentel (PT), Tasso sumiu do cenário político e mergulhou em seus negócios. Há quatro anos ele representava a Coca-Cola em quatro Estados. Desde então, triplicou esse número e distribui o refrigerante em 12 unidades federativas. Inaugurou e ampliou mais três unidades do Shopping Iguatemi e seu grupo criou uma nova cadeia de centros comerciais chamada Bosque dos Ipês.

Apesar de apoiá-lo em qualquer que seja sua decisão, a família de Tasso, que já teve problemas de coração, não gostaria de vê-lo novamente envolvido com política. O motivo é que, apesar do dia a dia corrido de homem de negócios, hoje ele ainda consegue dedicar-se aos seus como nunca foi possível nos tempos de vida pública. Recentemente, tirou uma semana para levar os netos para a Disney, por exemplo. Foram sete dias andando nos brinquedos do parque como se fosse criança, relata uma pessoa próxima a ele.

Cenários. Se Tasso topar voltar à política, a aliança ideal vislumbrada por Aécio Neves seria ter o correligionário como candidato ao Senado e o peemedebista Eunício Oliveira concorrendo ao governo. Tasso só não topa a dobradinha caso tenha de enfrentar Cid ou Ciro Gomes - e a força dos irmãos, detentores da máquina estadual há oito anos - na disputa pela única vaga de senador em jogo.

Aproveitando a onda de descontentamento do PMDB com o PT e o aparente projeto hegemônico do PROS no Estado, Aécio tem conversado sistematicamente com Eunício para formar chapa com os tucanos. Na semana passada, chegou-se a falar em uma aliança formal. Tasso também sentou para conversar com o peemedebista.

Entretanto, os principais personagens políticos do Ceará estão à espera da definição de Cid sobre seu futuro. Eunício prefere a aliança natural com o PROS, que integra a base aliada de Dilma, e não com o oposicionista PSDB. Mas Cid não quer indicar um concorrente ao Senado na chapa de Eunício - o governador quer alguém de seu próprio partido para suceder-lhe no Executivo cearense.

Em viagem ao Ceará na semana passada, Dilma sinalizou repetidas vezes que torce para que PROS e PMDB fechem o acordo regional, um modo de evitar que os peemedebistas debandem para os tucanos no Estado.

Por isso, Eunício tem dito a pessoas próximas que quer tentar todas as possibilidade de se aliar com um partido da base dilmista. Ele se dá o prazo até abril para desatar o nó e decidir seu destino. Costuma dizer que não ficará sozinho por causa dos irmãos Gomes, que têm histórico de traição política, pois teme ser enrolado até junho, prazo que inviabilizaria sua aliança com outras legendas. E já se baseia no exemplo do senador Delcídio Amaral (PT-MS) que, sem acordo regional, deve acabar se unindo com o PSDB em Mato Grosso do Sul. Caso os desentendimentos entre PMDB e PROS permaneçam no Ceará, o partido de Aécio Neves pode enfraquecer um dos palanques de Dilma.

PV oficializa candidatura de Eduardo Jorge à presidência

Olívia Bulla | Agência Estado / A Tarde (BA)

Em nota divulgada neste sábado, o Partido Verde (PV) oficializou a pré-candidatura de Eduardo Jorge à presidência da República, na corrida eleitoral de outubro. Durante evento na Assembleia Legislativa de São Paulo, ele aproveitou para apresentar o documento "Viver Bem. Viver Verde", com dez diretrizes para a elaboração de um programa do PV para o Brasil.

"O que o PV quer é a revolução de mudar a forma de viver", afirmou Eduardo Jorge, na nota. De acordo com o comunicado, o documento "Viver Bem. Viver Verde" está disponível no site do Partido.

Além de Eduardo Jorge, outros nomes também oficializaram a pré-candidatura aos governos estaduais durante o encontro de hoje, como Gilberto Natalini (governo do Estado de São Paulo), Rosane Ferreira (governo do Paraná), José Carlos Lima (governo do Pará), Marcelo Lelis (governo do Tocantins) e Roberto Rocco (governo do Rio de Janeiro).

A CPI não pode esperar: O Estado de S. Paulo / Editorial

Embora não tenha relação com a decisão que levou a Petrobrás a fazer o que há de ter sido o pior negócio de sua história - a compra da Refinaria de Pasadena, onde enterrou perto de US$ 1,2 bilhão -, a prisão do ex-diretor de Refino e Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa dá razão a todos quantos, no Congresso Nacional, defendem a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar, entre outras ocorrências obscuras na petroleira, a transação que pode ter acobertado ilícitos como superfaturamento e lavagem de dinheiro. Apesar da relutância do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à ideia, o senador Aécio Neves, pré-candidato do PSDB ao Planalto, pretende pedir na próxima terça-feira a abertura de uma investigação a cargo de deputados e senadores, a chamada CPI mista.

Costa - que tinha enorme influência na Petrobrás na gestão José Sérgio Gabrielli - foi um dos redatores do contrato em que a empresa se atolou, e ainda ajudou o então diretor da sua área internacional, Nestor Cerveró, a produzir o resumo executivo, "técnica e juridicamente falho", como diz agora a presidente Dilma Rousseff, no qual se teria baseado, quando encabeçava o Conselho de Administração da estatal, em 2006, para autorizá-la a investir em Pasadena. Ao lado de Gabrielli, da sua sucessora Graça Foster e de Cerveró, Costa foi intimado a depor no inquérito em curso desde o ano passado no Ministério Público Federal do Rio de Janeiro. Tamanha era a sua desenvoltura junto aos políticos que ele foi guindado ao primeiro escalão da Petrobrás, em 2004, com o apoio do PP e as bênçãos dos sobas peemedebistas José Sarney e Renan Calheiros.

Mas, passados seis anos, Costa foi incluído na lista de executivos dos quais Graça queria se livrar - e, a partir daí, como consultor e dono de empresa, parece ter mergulhado em águas ainda mais turvas do que aquelas em que teria nadado de braçada na estatal. Acabou enredado em um esquema de branqueamento de valores da ordem de R$ 10 bilhões, que operava em sete Estados e no Distrito Federal, desmanchado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), com a prisão de 24 suspeitos. Costa teve a prisão temporária decretada por um juiz federal do Paraná por suas lucrativas ligações com o megadoleiro Alberto Youssef, figura de primeira grandeza no caso Banestado (a remessa ilegal para o exterior de US$ 30 bilhões, ao longo dos anos 1990). Na moradia do ex-pezzonovante da Petrobrás, a polícia achou R$ 751 mil, US$ 181 mil e € 11 mil em dinheiro vivo.

O órgão suspeita que Costa mexia os seus pauzinhos para que a petroleira assinasse contratos milionários com uma certa Labogen Química, do setor de fármacos, cujo controlador oculto seria Youssef. "Pode-se estar diante de mais uma ferramenta para sangria dos cofres públicos", alerta a PF, aludindo a relatórios de inteligência segundo os quais a Labogen visa a "objetivos bem distintos de seu objeto social". Matéria-prima para uma investigação parlamentar há de sobra, portanto. O fato de ser este um ano eleitoral não deve adiar a sua eventual instalação para 2015. Possivelmente poderá dar dores de cabeça para os políticos que apadrinharam Costa e Nestor Cerveró - em relação a este, aliás, o senador petista Delcídio Amaral e o colega Renan Calheiros, do PMDB, travam uma animada disputa de "toma que o afilhado é teu".

Mas sustentar que a CPI teria o poder de prejudicar a candidatura Dilma, ainda que a oposição o queira, é um fraco pretexto. "Não acuso a presidente de improbidade", apressou-se a ressalvar o adversário Aécio Neves. "Ela é uma pessoa de bem." O seu problema, como se sabe, é outro: os autodestrutivos impulsos autoritários que, no caso, a levaram a dar "um tiro no pé", como o ex-presidente Lula teria avaliado, segundo a Folha de S.Paulo, a decisão de "trazer para dentro do Planalto" o imbróglio da refinaria. O veículo foi a nota com que a sucessora atribuiu o seu apoio à compra de 50% da instalação ao documento de Cerveró que omitia cláusulas críticas do contrato. Antes, ela rasgou o texto convenientemente anódino que lhe enviara a amiga Graça Foster para tirar Pasadena do mapa das atribulações da empresa. Pior para as duas.

Projeto de aumento da bancada do PT preocupa PMDB

Queixa de peemedebistas é que petistas tentam obter hegemonia no Congresso às custas dos aliados

Fernanda Krakovics – O Globo

BRASÍLIA - Além das demandas não atendidas na reforma ministerial e da falta de acordo para alianças nos estados nas disputas para governador, o projeto do PT de se tornar a maior bancada, tanto na Câmara quanto no Senado, assumindo assim o comando das duas Casas, é mais um motivo de irritação do PMDB, cuja força está baseada justamente no seu peso no Congresso. A meta dos petistas é crescer, nas eleições de outubro, de 87 para, no mínimo, 100 deputados federais, e de 13 para 20 senadores.

Peemedebistas reclamam que o PT tenta construir seu projeto de hegemonia às custas dos aliados, que sustentam o governo Dilma Rousseff:

- Se fosse natural, não tinha problema, era do processo democrático. O problema é o uso da coalizão com esse objetivo. Na hora de barrar a CPI da Petrobras, o governo vai em cima do PMDB, que fica com o ônus de barrar a investigação. Mas na hora de entregar máquina e dar notícia de criação de universidade, é o PT quem vai, é o PT quem leva - disse o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).

Lideranças petistas tentam minimizar a revolta dos aliados, que cresce a cada dia, refletindo-se nas votações da Câmara:

- Que partido não quer aumentar sua bancada? - disse o líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (SP).

O PT já tem a maior bancada na Câmara, mas fechou, em 2007, um acordo com o PMDB para promover um rodízio na presidência da Casa, o que está em vigor até hoje. Já no Senado, o PT é a segunda maior bancada e os senadores peemedebistas nunca aceitaram fazer um revezamento nos moldes da Câmara. O resultado é que, na atual legislatura, o PMDB tem a presidência das duas Casas, o que torna a presidente Dilma refém do partido em momentos de crise. É isso que o PT quer evitar que se repita.

- A orientação é que onde não couber candidatura do PT (ao governo do estado), nossa prioridade é ter candidatos ao Senado - disse o líder petista no Senado, Humberto Costa (PE).
Atualmente o PT tem 13 senadores e o PMDB, a maior bancada, tem 20. Mas, nas eleições de outubro, quando o Senado vai renovar um terço da Casa, sete senadores do PMDB terminam o mandato e somente três do PT.

O PMDB queria aumentar sua participação no governo de cinco para seis ministérios, o que não foi aceito pela presidente Dilma. Revoltado, o líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), formou um "blocão", já esvaziado pelo governo, com cerca de 250 deputados, e aprovou convocações e convites a dez ministros, além de travar a votação do marco civil da internet, que é prioridade do Palácio do Planalto.

‘Dilma gestora’ é alvo de Aécio e Campos com crise na Petrobrás e no setor elétrico

Aprovação de compra de refinaria e risco de racionamento de energia elétrica abrem brechas para oposição atacar imagem da presidente

Eduardo Bresciani, Isadora Peron, Pedro Venceslau e Tânia Monteiro - O Estado de S. Paulo

As crises envolvendo a Petrobrás e o setor elétrico do País colocam na berlinda a imagem de boa gestora que a presidente Dilma Rousseff explora desde a época em que ocupava o ministério de seu padrinho político e antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. As duas áreas estão diretamente ligadas à sua passagem pelo governo federal como titular da pasta de Minas e Energia e da Casa Civil.

Seus opositores na corrida presidencial acreditam, agora, que terão uma forte arma contra a vantagem da petista nas pesquisas de intenção de voto - se a eleição fosse hoje, ela venceria Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) no primeiro turno.

Na semana passada, o senador tucano foi o que mais tirou proveito político da crise na Petrobrás. Em uma prévia do que pretende levar à campanha sobre o tema, discursou na tribuna do Senado e cobrou a responsabilidade de Dilma. "Desde que assumiu a Presidência a atual presidente, o prejuízo, a perda de valor de mercado, somadas Petrobrás e Eletrobras, chega a cerca de US$ 100 bilhões. Essa é a gestão eficiente, é a condução dada por alguém que conhece dos assuntos?"

Conforme revelou o Estado na quarta-feira passada, Dilma apoiou em 2006, quando era ministra da Casa Civil e comandava o Conselho de Administração da Petrobrás, a compra de 50% de uma polêmica refinaria em Pasadena, nos EUA. O valor total do negócio ultrapassou US$ 1 bilhão, apesar de, poucos anos antes, a mesma refinaria ter sido comprada por uma empresa belga por US$ 42,5 milhões.

Ao tentar justificar sua decisão em nota oficial enviada ao jornal, a presidente disse que se baseou num parecer "falho" e "incompleto". Ressaltou ainda que, se soubesse das cláusulas que obrigariam a estatal a comprar os 100% da refinaria anos depois, nunca teria apoiado o negócio.

Executivos da Petrobrás e até o ex-presidente da estatal Sérgio Gabrielli questionaram a presidente num ponto que tem tudo a ver com a capacidade de gestão: disseram que as cláusulas que Dilma afirmava desconhecer são comuns em contratos do gênero.

"Esse caso é demolidor. Ela (Dilma) é um personagem criada pelo marketing do PT. A história de boa gestora é uma ficção. Ela ultrapassou seu nível de competência e mostrou toda a sua mediocridade", afirmou o líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Antonio Imbassahy (BA).

Pelo Twitter, o governador de Pernambuco, Eduardo campos, pré-candidato do PSB, disse: "Não é à toa que a Petrobrás vive, hoje, a maior crise desde sua fundação." Parceira de Campos no projeto presidencial, a ex-ministra Marina Silva também explorou o caso: "É inacreditável que (Dilma) tenha tomado uma decisão com base em informações incompletas e use isso para justificar o prejuízo", disse na sexta-feira.

"Esse caso da Petrobrás tem de ser visto também dentro de um contexto do fracasso da política energética e a deixa ainda mais vulnerável, porque ela construiu essa imagem de gestora nessa área e deveria entender mais", disse o líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF).

Aposta. Numa decisão política com grande repercussão social, Dilma antecipou em 2012 a renovação dos contratos das concessionárias de energia de 2015. Foi à TV anunciar a redução das tarifas de energia elétrica. Mas o Executivo não contava com a forte estiagem que assolou o País em seguida. Isso reduziu o potencial de geração das usinas hidrelétricas, a principal fonte energética brasileira. A escassez das chuvas obrigou o governo a aumentar o uso das usinas térmicas, cujo custo de geração de energia é mais alto. A conta ficou alta para o Tesouro e deve ser repassada ao consumidor, mas só em 2015, após as eleições de outubro.

Mesmo que o racionamento de energia não venha a ocorrer como no governo Fernando Henrique Cardoso, entre 2001 e 2002, Campos acredita que a instabilidade de um sistema diretamente controlado por Dilma quando ela foi ministra de Minas e Energia, de 2003 a 2005, tem potencial para causar estragos à petista. 

"Não faltou chuva ou vento. Faltou planejamento", afirma o líder do PSB na Câmara, deputado Beto Albuquerque (RS).

Na segunda-feira passada, Campos criticou Dilma ao falar sobre o risco de desabastecimento de energia. No mesmo evento, Marina classificou a crise no setor como "vexame". Dias depois, voltou ao tema: "É preciso um ministro que entenda de energia no Ministério de Minas e Energia", disse ela, em referência ao peemedebista Edison Lobão, que assumiu a pasta por indicação política.

A ex-ministra também acusou o governo de não assumir as responsabilidades e de querer achar um "bode ou uma cabra expiratória" para o problema. O comentário foi uma resposta à senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que disse esta semana que as dificuldades enfrentadas pela setor se devem em parte à postura que Marina teve quando era ministra do Meio Ambiente de Lula.

Blindagem. Os tucanos reconhecem que os apagões enfrentados por FHC foram decisivos para a derrota de José Serra na eleição presidencial de 2002. "O que aconteceu em 2001 agravou o quadro político e eleitoral para o PSDB e possibilitou a vitória do Lula. Mas aquele apagão foi enfrentado com a construção de termelétricas", diz o ex-governador paulista Alberto Goldman, vice-presidente nacional do PSDB.

Os tucanos consideram que hoje estão blindados de críticas sobre o período. Aécio incorporou o setor elétrico em seu discurso ainda em 2012, logo depois de a presidente anunciar que reduziria as tarifas de energia. Depois dos apagões na região nordeste ocorridos esse ano, o senador reforçou a artilharia e deixou claro que esse será um mote de campanha. Aécio acusa Dilma de ter descapitalizado as empresas de energia com a redução das tarifas. O argumento é que a presidente teria deixado as empresas do setor sem capacidade de investimento. Ele diz que os apagões "do governo do PT", somados, "certamente são maiores do que o que tivemos lá atrás".

Merval Pereira: De corpo e alma

A primeira entrevista mais longa para a televisão do ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, dada ao jornalista Roberto D’Ávila no seu programa de estreia na Globonews, é um depoimento revelador de como pensa e age um dos principais atores da atual cena pública brasileira.

Ele não apenas anuncia formalmente que não será candidato a nada nas eleições deste ano, como faz questão de separar sua atuação da vida política, da qual diz preferir se manter alheio.

Ocupando um dos principais gabinetes na Praça dos Três Poderes, ele se diz distante de “tudo o que se passa aqui (nessa Praça dos Três Poderes) que tenha caráter político”.

Retira também do processo do mensalão, do qual foi relator e alvo das críticas dos petistas, qualquer caráter político na sua atuação, mas reconhece que ele trouxe “um desgaste muito grande, com uma carga política exagerada, um pouco turbinada pela mídia também”. Ressalta que, por estratégia, tomou sempre as principais medidas ouvindo o plenário.

Certas penas não foram muito pesadas?, pergunta o entrevistador, e Barbosa rebate: “Ao contrário. Eu examino as penas aplicadas nesse processo e as comparo com as penas aplicadas aqui no STF pelas turmas, só que em casos de pessoas comuns, e (quem fizer a comparação) vai verificar que o Supremo chancela em habeas-corpus coisas muito mais pesadas”.

Ele não atribui à transmissão pela TV das sessões um papel importante nas atuações dos ministros, e fala de sua própria experiência: “A televisão me incomodava muito nos primeiro meses, depois me acostumei e nem noto que há televisão”.

Durante toda a entrevista o ministro procurou colocar-se como uma pessoa diferente do que o pintam, tanto em relação à sua carreira quanto ao seu comportamento na vida pública.

“No Brasil a vida pública é quase um apedrejamento. Acompanho a vida institucional de alguns países e noto uma diferença fundamental. Noto no Brasil um processo paulatino de erosão das instituições e esse apedrejamento parece fazer parte disso.

Exercer a função pública no Brasil, na visão de muitos, tornou-se um anátema. As críticas são muito acerbas e às vezes infundadas, fruto de incompreensão de como funciona o Estado”, comentou, denotando algum ressentimento.

A certa altura, comentando a descrição que fazem dele como uma criança pobre que teve que superar obstáculos para chegar onde chegou, Barbosa deixou clara sua posição:

“Ao contrário do que dizem de mim por aí, penso que raras pessoas no Brasil, incluindo pobres e as vindas da elite, tiveram e souberam aproveitar as oportunidades que eu tive. Não sinto isso como superação, as coisas foram acontecendo”.

Mesmo assim, lamenta que “pouca gente olha o meu currículo, só vê a cor da pele”. Ele diz que o racismo, que, confessa, já o fez chorar quando criança, “você sente sempre, mesmo quando ministro do STF”.

Citando Joaquim Nabuco, que disse que o Brasil levará séculos para se livrar da carga da escravidão, ele diz que seus traços “estão presentes nas coisas mais comezinhas, na repartição dos papéis na sociedade, aos negros posições mais baixas e salários menores”.

Ele se diz uma exceção, mas ressalta que jamais deixa que sua presença no STF seja uma desculpa para o racismo brasileiro. Barbosa não acha que seja uma missão sua combater o racismo, mas espera que sua presença possa tirar a carga racial das escolhas para o Supremo. “Espero que os presidentes (daqui para frente) saibam escolher bem pessoas para cá, que escolham um negro com naturalidade”.

O senhor não é às vezes muito rude?, perguntou Roberto D’Ávila a certa altura, e Barbosa foi incisivo: 

“Tem que ser, o Brasil é o país dos conchavos, do tapinha nas costas, o país onde tudo se resolve na base da amizade. Eu não suporto nada disso”.

Ele rejeita a acusação de que fica brabo quando é vencido, mas admite que “às vezes” se arrepende de palavras mais duras, mas justifica: “Sou um companheiro inseparável da verdade. Não suporto essa coisa do sujeito ficar escolhendo palavrinhas para fazer algo inaceitável. E isso é da nossa cultura.

Fonte: O Globo

Dora Kramer: Sem açúcar nem afeto

Para fins de análise do ambiente pré-eleitoral, muito mais significativos que os números da pesquisa do Ibope divulgados na noite de quinta-feira foram os efeitos provocados pela boataria nos três dias anteriores, de que a presidente Dilma Rousseff apresentaria acentuada queda nos índices de intenção de votos.

Era pura especulação. Ou, a julgar pela euforia prévia que se via nos corredores do Congresso e pelo otimismo do mercado financeiro materializado na valorização das ações da Petrobrás, Eletrobrás e Banco do Brasil na Ibovespa, torcida forte.

A pesquisa mostrou Dilma no mesmo patamar de 43% na preferência do eleitorado, bem à frente dos oponentes e ainda dentro do limite em que o Palácio do Planalto considera ser possível acreditar em vitória no primeiro turno.

Conviria, porém, que assessores palacianos prestassem atenção a esse dado de realidade algo inusitado. Não é normal que notícias de caráter negativo para o governo gerem uma expectativa positiva na economia e na política.

Natural, principalmente no caso de governante que se posiciona com o favoritismo da presidente da República, seria o contrário. O porto visto como seguro para políticos, investidores e empresários em geral é o governo. Em tese, a oposição representa a dúvida.

Quando se tem um acontecimento como esse da semana passada é sinal de que há mudança de ares. No mínimo. Durante três dias o zunzum correu em Brasília e São Paulo. Dizia-se que uma pesquisa do Ibope registraria uma queda significativa de Dilma.

No Congresso, notadamente na Câmara, os deputados cumprimentavam-se numa alegria quase infantil. Vingativa. Como se a suposta derrocada confirmasse que a opinião pública teria dado razão aos parlamentares no embate que haviam tido com a Presidência, sob o comando do PMDB.

Na Bolsa de Valores, três dias seguidos de alta nas ações das estatais atribuídas pelos próprios operadores à expectativa da queda de Dilma nas pesquisas é o reflexo do desagrado com a política governamental.

O esperado, porém, não aconteceu. Mas os boatos e a reação a eles evidenciaram o ambiente de mau humor generalizado com a presidente. No ambiente do Congresso, uma pergunta simples - "Se Dilma não ganhar, para onde vai a base hoje governista?" - recebe uma resposta objetiva: "Para Eduardo Campos ou Aécio Neves, qualquer um dos dois, tanto faz, pois são políticos e compreendem muito melhor o mundo político".

A preocupação desse pessoal é com a perspectiva de piora nas relações de Dilma com o Congresso caso ela seja reeleita. Como não poderia mais concorrer a mandato algum, os parlamentares acham que a tendência seria que ela deixasse de lado de vez o Legislativo. Por esse raciocínio, a recomposição da harmonia no Parlamento passaria pela eleição de um dos candidatos da oposição. Ou pela candidatura do ex-presidente Lula.

Dentro do PT já começam a se inquietar mesmo aqueles que não achavam que era hora de voltar. Ninguém sabe a confusão que o voluntarismo de Dilma é capaz de arrumar e se reduz a esperança de que ela se reinvente a fim de transpor os percalços da campanha.

Refém. A necessidade de barrar a CPI da Petrobrás e nova série de convocações para explicar a compra da refinaria em Pasadena reforçam o poder do PMDB, que na crise ficou ao lado da presidente. Vale dizer, o vice Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros e o senador José Sarney.

A bancada da Câmara não pretende ajudar e espera que o Palácio não atue em tom de retaliação. Se houver ameaças e confrontos, a animosidade latente pode se tornar de novo evidente.

A saída para o governo nesse caso será fingir que quer "apuração rigorosa" e, nos bastidores, atuar com suavidade e habilidade para que nada aconteça.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Eliane Cantanhêde: Rasgando a fantasia

A Petrobras foi a estrela das eleições de 2010 e pode ser novamente na de 2014 --às avessas.

Durante toda a campanha de Dilma, Lula martelava que a oposição privatizaria a Petrobras, enquanto produzia mais de dez eventos para impregnar o imaginário popular com a ideia de que a empresa símbolo do país, o petróleo e os novos poços eram obras suas.

Botava sua candidata debaixo do braço, fantasiava-se com o macacão cor de abóbora e o capacete da Petrobras e borrava as mãos de óleo, insistindo numa autossuficiência no setor que nunca chegou.

Como ensina o marqueteiro João Santana, e o ilusionista Lula está careca de saber, campanhas não trabalham com a realidade, mas com símbolos, emoções e o imaginário coletivo. Se as versões não correspondem aos fatos, danem-se os fatos.

Os fatos, porém, são implacáveis. Mais cedo ou mais tarde, acabam rasgando fantasias e mentiras de palanque. Depois de Lula e Dilma, a Petrobras vive um desastre, deixou de ser a maior empresa do país nas Bolsas, ninguém mais fala em pré-sal, o belo programa do álcool evaporou. E os escândalos estão aí, exigindo explicações e um mínimo de coerência.

CPI não vai sair, porque a maioria governista é avassaladora, e mesmo que saísse não iria longe, porque já não se fazem CPIs como antigamente. Mas a operação Pasadena --pela qual a Petrobras pagou US$ 1,18 bilhão por uma refinaria que antes valia US$ 42,5 milhões-- mexe não só com símbolos, emoções e o imaginário popular. Mexe com a realidade e no sentido oposto ao de um presidente ofendendo regras e o bom senso metido num macacão cor de abóbora e criando ilusões na massa.

É por isso que Dilma diz uma coisa, Lula acha outra, Gabrielli se debate, Cerveró é demitido seis anos depois, de repente, e não há respostas minimamente satisfatórias à sociedade, aos acionistas e à própria história --que vai além de campanhas e de ilusionismos.

Fonte: Folha de S. Paulo

Alberto Dines: As partes e o todo

Nos próximos meses, precisaremos de uma harmonização dos dois modelos de ação: setorial e conjuntural

Operadores preferem mirar no varejo, caso a caso, inspirados nas anedotas em torno do mitológico serial-killer Jack, o estripador, que mutilava o corpo das vítimas. Analistas e estrategistas optam pela visão macro, abrangente, horizontal.

Nos próximos meses, precisaremos de uma harmonização dos dois modelos de ação: setorial e conjuntural. O dado mais remoto – a sucessão presidencial em Outubro -- é também o mais tangível e mais sensível. Seria insanidade acionar as emergências pontuais sem levar em conta as circunstâncias gerais, ou uma fixação exclusiva no cenário eleitoral sem a adoção de um elenco de medidas imediatas, enérgicas, nas diferentes zonas de atrito.

O ex-presidente FHC ofereceu na última quinta-feira mais uma lição de prudência e responsabilidade ao recomendar aos correligionários do PSDB a desaceleração na convocação da CPI para investigar os clamorosos erros cometidos pela direção da Petrobras na compra e venda da refinaria em Pasadena, Texas. Considera bem encaminhada a apuração de ilícitos e/ou incompetências, não quer partidarizá-la, sabe que além da radicalização eleitoral existem forças interessadas em aproveitar-se das lembranças de 1964 para despertar uma polarização latente, mais perigosa.

O governo federal segue a mesma linha cautelosa ao oferecer ajuda ao governador Sérgio Cabral Filho e à sua política de pacificação das favelas desafiada pela orquestração do crime organizado com milícias e políticos fluminenses. O PT tem um pré-candidato ao governo do estado e, mesmo assim, a presidente e seu ministro da Justiça entendem que a “Batalha do Rio” tem prioridade: precisa ser vencida, ou pelo menos controlada, nos próximos 70 dias.

Não se justifica o paroxismo pré-eleitoral que a cada dois anos em menor escala e a cada quatro com grande intensidade desfigura a administração dos negócios públicos. Numa democracia madura, estabilizada e perene, a disputa pelo poder e a troca do elenco de condutores devem processar-se com naturalidade sem estressar e traumatizar a governança e a governabilidade.

Os fantasmas do golpe de 1964 devem servir de advertência e não como estímulo ao confronto. A maior homenagem que se prestará ao enorme contingente de vítimas diretas e indiretas das ilegalidades cometidas será a normalização das nossas instituições.

Independente das bandeiras que empunham e dos níveis em que atuam operadores e estrategistas não têm outra saída senão a da convivência.

Fantasmas exorcizam-se, sossegam, quando as partes e o todo aprendem a convergir.

Fonte: El Pais / Observatório da Imprensa

Zander Navarro: A derrota, na ação e no pensamento

O que é um camponês? Num mundo comandado pela vida urbana, é pergunta que se tornou excêntrica. Todos nós, no entanto, intuímos sobre o seu significado, lembrando as famílias rurais "presas à natureza", seja pela pobreza extrema ou, então, por formas de dominação exercidas por terceiros.

No passado feudal, aristocratas subjugaram os camponeses para criar os "servos da gleba", mecanismo que garantia as provisões da corte. Foi expressão analisada por Raymond Williams, um culto marxista galês e um dos fundadores, nos anos 1960, dos chamados "estudos culturais" e da Nova Esquerda inglesa. O termo foi dissecado em seu pequeno livro Palavras-chave, publicado em 1976 e lançado entre nós longas três décadas depois. Na obra, camponês obedece à designação acima, mas o autor adverte que aquele sentido original havia "praticamente deixado de existir na Inglaterra no final do século 18".

As transformações produtivas substituíram-no por novas acepções relacionadas à expansão capitalista no campo. Antes uma classe cativa, transformou-se em outra, agora a dos trabalhadores livres. E assim desapareceram os camponeses como categoria de análise, o termo sendo então usado apenas como abuso verbal - "pessoas comuns, caipiras".

Se o significado de camponês e seu respectivo processo social são consagrados na literatura científica e na vida real, por que autoridades governamentais brasileiras vêm forçando um fantasioso discurso em torno da existência de "novos camponeses" no País? À luz do extraordinário desempenho da agropecuária no Brasil - em breve o maior produtor mundial de alimentos, superando os EUA -, por que esse surpreendente obscurantismo? Por que autoridades e seus muitos pesquisadores chapa-branca imaginariam existir a possibilidade de uma volta ao passado?

Sigamos: e "povos tradicionais" o que seriam? Essa é outra expressão da narrativa dominante em nossos dias, destinada a desenvolver uma interpretação que possa corresponder não às realidades agrárias, mas apenas à ideologia de grupos partidários incrustados no Estado. Existiriam povos tradicionais no Brasil, excetuadas as comunidades indígenas? Novamente há aqui a idealização romântica que lembraria as centenárias comunidades rurais europeias, portadoras de facetas culturais específicas - e tradicionais. Omite-se que o adensamento da tradição exige longo tempo histórico de interação humana para ser enraizado e se traduzir em costumes e hábitos próprios, concretizando a autoidentificação de determinado grupo social. A História brasileira, no entanto, é muito diferente: somos uma nação de migrantes, ziguezagueando continuamente entre as diversas regiões do País, sem chances históricas para constituir uma cultura distinta em regiões particulares. Por isso nossa matriz cultural é rasa, facilmente mutável e resistimos à estabilidade. A maioria dos brasileiros nem sequer mora no seu local de nascimento e, assim, como poderia ter ocorrido o desenvolvimento de tradições e, por conseguinte, a constituição de povos ditos tradicionais?

A lista prossegue: o que dizer de certa agroecologia, objeto de diversas chamadas públicas e editais do Ministério do Desenvolvimento Agrário, do CNPq ou do Ministério do Desenvolvimento Social, nos quais nunca é oferecida a definição da palavra? Ou seja, recursos públicos distribuídos fartamente sem nem mesmo existir clareza alguma do que isso significaria em termos concretos. E a expressão agricultura familiar, que é hoje tão fortemente institucionalizada? Tem sido usada acriticamente. Sabem todos que a lei que a formalizou em 2006 sugere que os pequenos produtores não devem contratar assalariados e, adicionalmente, não ter outras fontes de renda que não as da atividade agrícola? Só então se credenciariam às políticas governamentais. Como justificar tamanha patranha? Por que pequenos produtores não podem contratar assalariados, alguém explicaria?

A história da esquerda, no Brasil ou internacionalmente, tem sido repetidamente pontuada por contínuos equívocos, práticos e teóricos, ou erros monumentais, alguns de intensa dramaticidade, pois implicaram vítimas. Apresenta, é certo, um lado virtuoso, sobretudo quando suas lutas impulsionaram a exigência política dos direitos ou uma ação mais democratizante do Estado, em diversos países. Parece inegável, contudo, que um de seus ramos, a esquerda agrária, sempre esteve à deriva e fez a opção pela cegueira, desde seu nascedouro. Marx nunca se interessou pelo mundo rural nem ofereceu nenhuma teorização a esse respeito, obcecado pelo surgimento do capitalismo industrial. Sobre o campo e suas transformações deixou notas esparsas e desinteressadas. Sem o seu farol, seus seguidores julgaram que o campo obedeceria à mesma dinâmica econômica da industrialização. Por exemplo, o aumento de assalariados rurais, o que não ocorreu em nenhuma região rural conhecida.

No caso brasileiro, a esquerda agrária no poder desde 2003 tem observado um evidente fracasso em suas ações e, reiteradamente, produzido apenas a mentira como sua meta política. A produção agropecuária vem-se concentrando em rapidíssima velocidade, consagrando a agricultura de larga escala, e a única questão social atual, no campo brasileiro, é o encurralamento da pequena produção rural. Nenhuma política operada tem produzido resultados práticos relevantes. São bisonhas suas ações, cujo fundamento é, sobretudo, a ignorância interpretativa sobre o mundo rural brasileiro e suas tendências principais. Ainda mais grave, a área agrária da Esplanada dos Ministérios é autista e hostil a qualquer debate, presa a ideologizações de infantilidade assustadora. É preciso mudar, com urgência, ou o campo petista entrará na História pela porta indesejada: vai consagrar o maior processo de concentração jamais visto num setor da economia brasileira.

Sociólogo, é professor aposentado da UFRGS

Fonte: O Estado de S. Paulo

Elio Gaspari: De GetulioVargas@edu para Dilma@gov

Excelência
Escrevo-lhe para felicitá-la. A senhora restabeleceu uma diplomacia discreta, diria mesmo de recusa a exibicionismos inúteis. Há dificuldades na Venezuela e agora surgiu a crise da Crimeia, mas estamos fora dos holofotes.

Peça ao Sarney a poesia "A Carga da Cavalaria Ligeira" de Lord Tennyson. Ele conta o ataque de cavaleiros ingleses contra uma tropa turca artilhada durante a batalha de Balaclava, na guerra da Crimeia do seculo 19. Li-a ontem para minha amada Aimée. Foi um desastre produzido por generais ineptos, mas o poema mostra como as potências fabricam mitos heroicos.

Minhas dificuldades foram maiores que as suas. Consegui ficar neutro durante a Guerra Civil Espanhola. Até onde pude, mantive-me longe do conflito europeu. Sem fanfarra, em maio de 1941, avisei ao embaixador japonês que se um país americano fosse atacado, nós seriamos solidários. Em dezembro eles bombardearam Pearl Harbor. Os americanos exigiam o controle de uma base aérea no Saliente Nordestino, pois sem a rota de Natal a Dacar ficariam aprisionados pelo Atlântico. Cedi. Lidei com embaixadores impertinentes e tive pavões no Ministério das Relações Exteriores. O Oswaldo Aranha achava que era o gerador do mundo, centro do universo.

Depois que saí da vida para entrar na história, há 60 anos, vieram o Juscelino com a tal de "Operação Pan-Americana", o Jânio com a "Politica Externa Independente", o Castello Branco com a "interdependente" e o Sr. Luiz Inácio da Silva, que se tornou um papagaio de pirata de crises internacionais. Usei essa expressão que hoje é comum aí, mas não sei se o fiz corretamente. As diplomacias de slogans são apenas propaganda política. Os generais mandaram tropas para ocupar a República Dominicana, num episódio que hoje se procura apagar. Chegamos ao ponto de o general Médici cobrar do presidente Nixon a deposição de Fidel Castro. Outro dia o Nixon me perguntou porque ele fez aquilo.

Diplomacia sem fanfarra tem um custo. Criticam-nos de todos os lados, acusando-nos de omissão. Há quem lhe ataque por estar próxima dos bolivarianos e também por ficar distante. Algum gabola da Comunidade Europeia resolveu botar fogo na Ucrânia sem prever a reação da Rússia. Em 1956 os americanos insuflaram a rebeldia húngara e em 1962 a dos cubanos de Miami. Fracassaram e abandonaram os aliados. O Pedro 2º lembrou-me de que manteve nossa neutralidade durante a guerra civil mexicana, quando os rebeldes fuzilaram-lhe o primo-irmão Maximiliano. Os franceses, que haviam insuflado sua aventura, abandonaram-no.

Quando nos metemos a buscar um papel maior que nossa importância internacional, invariavelmente acabamos dificultando a defesa dos nossos verdadeiros interesses. Parabéns, senhora.

Com todo respeito,
Getúlio Vargas

Cena brasileira. O presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, visitava o presídio de Porto Alegre quando um major da brigada pediu a palavra e contou que "somos 12% da população do Estado e 40% da população carcerária": "Deve ter alguma coisa errada".

Mal terminou a frase, ouviram-se mumunhas para que o major calasse a boca. Barbosa pediu que o deixassem falar. Em seguida, respondeu: "Eu percebi".

O que incomodou os áulicos? As estatísticas ou o fato de um negro levantar esse assunto para outro negro?

Pacificador. O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, zangou-se quando um pesquisador apontou a "pacificação" das estatísticas de homicídios do Estado.

Depois da morte de Cláudia Silva Ferreira, arrastada pela viatura que devia levá-la ao hospital, o repórter Marcelo Gomes informou o seguinte:

O subtenente Adir Serrano Machado, que estava na cena viu-se listado em 57 "autos de resistência" em que morreram 63 pessoas. Seu colega Rodney Archanjo, está em outros cinco, com seis mortos.

De duas uma, ou as estatísticas da polícia do Rio assemelham-se às reuniões dos conselhos do comissariado, ou policiais como Machado e Archanjo são versões modernas do Sargento York, o soldado americano da Primeira Guerra, magistralmente representado por Gary Cooper. Sozinho, York matou 28 alemães e capturou 132.

Como disse o viúvo de Cláudia, ao governador Sérgio Cabral: "Se não tivesse aquele cara que filmou, este seria só mais um caso. Tomou tiro, entrou no hospital e morreu".

Chegou a conta da Bolsa Conselho. A prática é velha: reforça-se o orçamento dos hierarcas nomeando-os para conselhos de empresas. Ela vale tanto na administração federal como nas dos Estados. Tome-se o exemplo de Dilma Rousseff. Em 2006, como chefe da Casa Civil, tinha um salário mensal de R$ 8.362. Em 2007, ganhava R$ 8.700 mensais como conselheira da Petrobras e de sua distribuidora. À Casa Civil ela ia todo dia, aos conselhos, uma vez a cada dois meses (e às vezes chegava atrasada).

O conselho de Itaipu, joia da coroa do comissariado, paga R$ 19 mil. Em 2012 havia treze ministros nas Bolsas Conselho e os doutores Guido Mantega e Miriam Belchior fechavam os meses com um total de R$ 41,5 mil. A comissária Belchior estava no conselho da BR Distribuidora, para quê, não se sabe.

Quando o PT estava na oposição, reclamava disso. No governo, acostumou-se. Agora chegou a conta. Como integrante (e presidente) do Conselho da Petrobras, Dilma é responsável pela aprovação da ruinosa compra de uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos. A repórter Andreza Matais obteve do Planalto uma nota, escrita pela doutora, informando que a decisão foi tomada com base num relatório "técnica e juridicamente falho". A ver. A ruína estava em duas cláusulas do contrato e elas viriam a custar US$ 820 milhões à empresa. A explicação segundo a qual esses dispositivos só chegaram ao conhecimento dos conselheiros depois da aprovação do negócio é plausível. Mesmo que a doutora só tenha percebido a ruína depois, era a poderosa chefe da Casa Civil. Quem pode tirar quaisquer dúvidas sobre o caso é o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que está preso na Policia Federal.

Numa estrutura séria, seria demitido o presidente da empresa, ou iriam embora os conselheiros que se julgaram desinformados. Os conselhos de estatais não são sérios, são bicos. O caso da refinaria acertou a testa da doutora Rousseff, a gerentona que pode ser acusada de viver num mundo de verdades próprias, mas nunca se meteu em transações tenebrosas. A vida é arte, errar faz parte. Enquanto houver hierarcas em boquinhas, o erro será a arte.

Fonte: O Globo

Número de mortes em protestos na Venezuela sobe para 33

Manifestantes da oposição prometeram permanecer nas ruas até que Maduro renuncie

Diego Ore - Reuters

CARACAS - Dois venezuelanos morreram por ferimentos causados por tiros durante os protestos contra o presidente socialista Nicolas Maduro, disseram testemunhas e a mídia local no sábado, elevando o número de mortes em quase dois meses de protestos contra o governo para 33.

Manifestantes da oposição que se queixam de aumento dos preços e escassez de produtos prometeram permanecer nas ruas até que Maduro renuncie, apesar de haver poucos sinais de que a pior onda de protestos no país em uma década irá forçá-lo a sair do cargo.

Argenis Hernandez, 26 anos, foi baleado no abdômen quando estava protestando perto de uma barricada no centro da cidade de Valência e morreu na manhã de sábado em um hospital próximo, de acordo com relatos da mídia local.

Um motociclista tentou atravessar a barricada e atirou contra os manifestantes quando eles não o deixavam passar, ferindo Hernandez.

O motorista Wilfredo Rey, 31, morreu na sexta-feira à noite depois de ser baleado na cabeça durante um confronto entre manifestantes e pistoleiros encapuzados na cidade ocidental de San Cristobal, de acordo com moradores do bairro onde ocorreu o incidente. Rey não estava envolvido nos protestos, disseram.

Protestos de rua da oposição começaram em fevereiro contra o aumento dos preços ao consumidor, a escassez de produtos e criminalidade desenfreada. Eles se intensificaram depois que três pessoas foram mortas em 12 de fevereiro, no centro de Caracas.

As manifestações, desde então, têm variado de marchas pacíficas a confrontos violentos entre a polícia e manifestantes encapuzados atirando pedras e coquetéis molotov.

O Conselho Permanente da OEA silencia a oposição venezuelana

A deputada venezuelana María Corina Machado durante evento em Washington.

Os Estados membros acordam que a sessão em que a deputada oposicionista Corina Machado de manifestaria será privada

Eva Saiz

WASHINGTON - A Venezuela impôs nesta sexta-feira, de novo, sua ascendência na Organização de Estados Americanos (OEA) sobre os países afins a ALBA e os indispensáveis estados caribenhos. Dessa vez, o Governo de Nicolás Maduro conseguiu silenciar o discurso da deputada opositora María Corina Machado ante o Conselho Permanente da OEA ao forçar, com seus votos, que a sessão se celebre a porta fechada. Com esta manobra, o oficialismo venezuelano trata de desvirtuar a legitimação da dissidência ao Governo do presidente Maduro ante a instituição e impedir que a reunião se converta em uma caixa de ressonância das denúncias contra o chavismo.

“Esta é a mesma censura, é a censura que nos impôs um regime na Venezuela e que seu braço censurador chega até aqui”, assinalou Machado à imprensa antes de que se iniciasse a reunião, quando já parecia iminente que a Venezuela conseguiria que a sessão fosse privada, algo que conseguiu aglutinando 22 votos a favor (bloco do Alba e afins –Brasil, Argentina e Uruguai-, 10 na contramão e uma abstenção).

A intervenção da deputada, que depois da prisão de Leopoldo López surgiu como líder moral da oposição venezuelana, unicamente poderá ser escutada de maneira imediata pelos Estados membros, ao não estar a imprensa nem se oferecer através do streaming da OEA, no entanto, o discurso de Machado, realmente, não será dirigido aos países que deram as costas à dissidência, por meio da própria OEA e de outros organismos regionais como o Mercosul e a Unasul, senão aos cidadãos latino-americanos.

De acordo com o que sugeriu nesta quinta-feira durante uma conferência no CSIS, Machado tem previsto apelar ao “apoio e a confiança” que lhe demonstraram os cidadãos venezuelanos e do resto do continente para pôr em evidência a indiferença de seus governantes ante a “repressão e tortura próprias de um Estado policial” exercidas pelas autoridades chavistas. Para Machado, em seu país não só está em jogo a democracia da Venezuela senão a de todo o hemisfério. “Não é um tema de confiança na OEA, temos confiança nos latino-americanos, nos povos das Américas que são os que, finalmente, farão seus Governos saberem que devem acompanhar no fortalecimento da democracia na região”, advertiu.

A Venezuela já conseguiu impor a incomum modalidade de sessão privada –a priori, as reuniões do Conselho Permanente são públicas- durante o debate, há duas semanas, para abordar a posição da OEA ante a crise nesse país. Então, os Estados membros aprovaram, só com a oposição dos EUA, Canadá e Panamá, uma decepcionante declaração que apoiava de maneira velada o labor de Maduro à hora de lutar com os protestos, eludia uma menção expressa à oposição e legitimava o foro de diálogo impulsionado pelo Governo e repudiado pela oposição.

Essa resolução e a aceitação da visita de chanceleres a Caracas proposta pela Unasul à que se empenharam nestes dias vários estados membros para impedir, sem sucesso, a presença de Machado no Conselho Permanente, requisitada pelo Panamá. Ainda que consiga calar a deputada, a Venezuela ainda contempla mais estratégias para enfraquecer o impacto do discurso da opositora. Dá-se por fato, que seus votos consigam que não se debata o primeiro ponto da ordem do dia que tem previsto discutir a situação na Venezuela e onde Panamá pensava outorgar a palavra a Machado.

Cabe a possibilidade de que o Panamá lhe permita falar durante o ponto do dia que trata sobre a comemoração do Dia Internacional da Mulher. Se o fizer, os mesmos países que votaram por que a sessão seja privada é muito provável que abandonassem a sala. Uma medida que também levaria a cabo se o embaixador panamenho esperar o turno de outros assuntos, ao final do Conselho, um artifício que, há pouco, se repetiu por motivo da visita do ex-presidente do Paraguai, Federico Franco.

Machado, no entanto, não abandonará a sede da OEA sem pronunciar um discurso no que, pelas declarações desta quinta-feira, apelará à Carta Democrática Interamericana. “Qualquer pessoa que objetivamente analise a situação do meu país se dá conta de que a Carta Democrática está sendo violada pela Venezuela e pelos demais países ao não a botar em prática, ao não a respeitar e a defender como é seu compromisso”, advertiu a deputada. No entanto, nem o secretário geral da OEA, José Miguel Insulza, nem sequer Panamá, EUA ou Canadá, os três países mais críticos com a infração das liberdades civis por parte do Governo de Maduro, consideram que se deem os requisitos pela força de um governo democraticamente constituído, a ruptura da ordem democrática e a alteração da ordem constitucional que afeta gravemente a ordem democrática- para invocar um instrumento que contempla a suspensão de um país da OEA.

Em público ou em privado, Machado teve a oportunidade, nesta sexta-feira, não só de invocar ante a organização “uma versão diferente da do regime, a versão do povo”, como ela mesma afirma, senão de dar visibilidade internacional a uma versão da realidade que se vive em Venezuela. Um gesto que, para a deputada, tem mais transcendência que o efeito mobilizador que possa provocar entre os membros da OEA, de cuja efetividade duvida, e que, uma vez mais, tem evidenciado a fratura que reina em seu seio e de sua incapacidade para influenciar na resolução de um conflito que já resultou em mais de 30 mortes.

Fonte: El Pais

Debate: 50 anos do Golpe e resistência social do campo

O Núcleo de Pesquisa, Documentação e Referência sobre Movimentos Sociais e Políticas Públicas no Campo do CPDA/UFRRJ convidam para o debate

Regime militar e meio rural brasileiro

Expositores:

- Leonilde Medeiros (professora do CPDA/UFRRJ)

Movimentos sociais rurais e a ditadura civil militar: formas de
organização e resistência

- Regina Bruno (professora do CPDA/UFRRJ)

Os organismos de intervenção fundiária (Supra, Ibra, Inda e Incra) e a repressão no interior do Estado

- Raimundo Santos (professor do CPDA/UFRRJ)

O golpe e o regime de 1964: interpretações

Dia - 26 de março de 2014 (quarta-feira), às 14.30

local: CPDA/UFRRJ - Av Pres. Vargas, 417 - 6º andar - Rio de Janeiro