terça-feira, 27 de junho de 2017

Opinião do dia – Vinicius Mota

Procuradores tornam-se líderes declarados de cruzada contra "tudo o que está aí" na política. Juízes da corte constitucional suspendem prerrogativas obtidas nas urnas, contornando o que a Carta expressa, como se fosse ato banal.

Para abater o inimigo, o procurador-geral dá imunidade a um dos maiores corruptores da história. O Supremo diz que é isso mesmo e nada pode fazer diante de um acordo de delação. Criou um monstro inquisidor capaz de tudo devorar.

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Vinicius Mota é jornalista, “Guerra de trincheiras”, Folha de S. Paulo, 26/6/2017

Gilmar Mendes diz que república de promotores e juízes seria decepcionante

Em São Paulo, ministro defende discussão urgente da reforma política

Mariana Sanches, O Globo

SÃO PAULO - O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes defendeu na tarde desta segunda-feira que o Brasil precisa discutir a reforma política como um “tema urgente” ao país. Segundo ele, porém, a solução não sai do Judiciário. Nas palavras do ministro, uma república de promotores ou de juízes seria decepcionante.

— Já trocamos os políticos que buscam votos pelos militares. Alguém pode imaginar que pode agora trazer uma república de promotores ou de juízes. Creio que ficarão decepcionados com o resultado — disse o ministro, que completou o raciocínio arrancando risos da plateia:

— Até com gestores, nós juízes e promotores não somos lá muito bons. Se nós considerarmos os paradigmas que adotamos na gestão, se nós fossemos administrar o deserto do Saara talvez faltasse areia. Portanto moderação com esse tipo de pretensão, com quem sonha com democracia de juiz, ou com uma ditadura de juiz.

Homem forte dos governos Lula e Dilma, Palocci é condenado

Mesmo em ofensiva para tentar acordo de delação premiada, o ex-ministro Antonio Palocci foi condenado ontem pelo juiz Sergio Moro a 12 anos e dois meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. No processo, Palocci é acusado de repassar US$ 10,2 milhões da Odebrecht a João Santana e Mônica Moura, marqueteiros de campanhas dos ex-presidentes Lula e Dilma. Na sentença, Moro afirma que as declarações do ex-ministro de que teria muito a contribuir com a Lava-Jato soaram como “ameaça” para que outros o auxiliassem a sair da prisão. O ex-ministro está proibido de exercer cargo ou função pública por 24 anos.

Moro condena ex-ministro Palocci a 12 anos de prisão

Para juiz, declarações de réu sobre colaboração parecem ‘ameaça’

Gustavo Schmitt, Cleide Carvalho, O Globo

-SÃO PAULO- O ex-ministro Antonio Palocci foi condenado pelo juiz Sergio Moro a 12 anos e dois meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo que envolve pagamentos de US$ 10,2 milhões feitos pela Odebrecht aos marqueteiros do PT, João Santana e Mônica Moura. O juiz determinou que Palocci permaneça preso e ressaltou que ele se aproveitou do cargo de ministro da Casa Civil para participar como intermediário do PT no esquema de corrupção envolvendo a empreiteira e a Petrobras.

O ex-ministro está proibido de exercer cargo ou função pública por 24 anos, o que corresponde ao dobro da sua pena. O assessor de Palocci, Branislav Kontic, foi absolvido por falta de provas.

Na sentença, Moro afirmou que as declarações do ex-ministro de que teria muito a contribuir com a Lava-Jato soaram mais como ameaça para que terceiros o auxiliassem a sair da prisão do que propriamente uma “declaração sincera de que queria colaborar com a Justiça".

Procurador denuncia Temer ao Supremo por corrupção passiva

Janot denuncia Temer por corrupção

Procurador-geral da República imputa crime ao presidente no caso JBS; outras acusações formais, como crime de obstrução de Justiça, deverão ser feitas ao peemedebista pelo chefe do Ministério Público Federal

Breno Pires, Fábio Serapião e Luiz Vassallo, O Estado de S. Paulo

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou criminalmente nesta segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal o presidente Michel Temer por corrupção passiva com base na delação dos acionistas e executivos do Grupo J&F, que controla a JBS. O ex-assessor especial do presidente e ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures também foi acusado formalmente.

É a primeira vez na história da República brasileira que um presidente é acusado formalmente de crime durante o exercício do mandato. Em 1992, Fernando Collor de Mello foi denunciado quando já estava afastado do cargo.

Temer também poderá ser acusado pelo crime de obstrução à investigação de organização criminosa. O relatório da Polícia Federal foi encaminhado nesta segunda-feira ao Supremo, no qual também vê a mesma conduta criminosa do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) e do empresário e delator Joesley Batista. O ministro Edson Fachin concedeu mais cinco dias de prazo, contanto a partir desta terça-feira, 27, para a denúncia ser apresentada. A expectativa é que Janot apresente uma nova acusação formal, fatiando a medida.

Após denúncia, Temer se reúne com ministros e líderes

Presidente está discutindo próximos passos para reagir politica e juridicamente à acusação de Janot

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

Após a apresentação da denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o presidente Michel Temer se reuniu com ministros e líderes aliados, em seu gabinete, no Planalto, para começar a discutir as estratégias para reação.

Neste momento, Temer está com os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria-Geral, Moreira Franco. Além dos dois ministros, Temer também se reuniu com os ministros da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, da Fazenda, Henrique Meirelles, da Justiça, Torquato Jardim, e líderes no Congresso, deputado André Moura e senador Romero Jucá.

Silêncio no Planalto e estratégia na Câmara

Temer chama defesa para reunião no gabinete enquanto aliados buscam caminhos para barrar denúncia

Cristiane Jungblut e Leticia Fernandes, O Globo

-BRASÍLIA E SÃO PAULO- Instantes após ser denunciado por corrupção passiva pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o presidente Michel Temer se fechou em seu gabinete com a advogada-geral da União, Grace Mendonça, o ministro Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência) e advogados que cuidam de sua defesa no Supremo Tribunal Federal (STF).

O Palácio do Planalto optou por não se pronunciar após a apresentação da denúncia e disse que caberia aos advogados de Temer falar sobre o caso. O advogado Antonio Mariz de Oliveira, que defende o presidente afirmou ao GLOBO, no entanto, que só se pronunciaria sobre a denúncia após analisar todos os aspectos técnicos e jurídicos da acusação da PGR.

O ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) já havia deixado o Planalto quando o denúncia veio à tona, e o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), um dos mais próximos a Temer, informou que seguiria a agenda do dia normalmente.

— Por que interromperia? Ele está em agenda e continuará assim — disse um interlocutor do ministro.

Janot acusa Temer de corrupção

Janot denuncia Temer ao Supremo sob acusação de corrupção passiva

Letícia Casado, Camila Mattoso, Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou o presidente Michel Temer e seu ex-assessor Rodrigo da Rocha Loures ao STF (Supremo Tribunal Federal), nesta segunda-feira (26), sob acusação de corrupção passiva. Veja a íntegra da denúncia aqui.

Segundo Janot, o peemedebista foi o destinatário final de uma mala contendo propina de R$ 500 mil e de uma promessa de outros R$ 38 milhões em vantagem indevida, ambas da empresa JBS.

O intermediário das operações foi, segundo Janot, Rocha Loures, preso desde o dia 3 de junho e filmado pela polícia correndo com a mala contendo os R$ 500 mil. A informação de que a denúncia ligaria Temer à mala com propina foi antecipada pela Folha no último dia 11.

Janot pede que o presidente seja condenado a pagar R$ 10 milhões por danos morais à coletividade. Já o ex-assessor de Temer, R$ 2 milhões.

É a primeira vez na história brasileira que um presidente da República é acusado formalmente de crime no exercício do cargo.

Temer acusará Janot de tentar condená-lo sem provas

Gustavo Uribe, Marina Dias, Bruno Boghossian, Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Na tentativa de barrar a denúncia contra ele, o presidente Michel Temer partirá para o enfrentamento direto com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusando-o de tentar condená-lo sem provas.

Em reunião na noite de segunda-feira (26), no Palácio do Planalto, o peemedebista traçou com ministros e parlamentares estratégia de reação tanto política como jurídica contra a denúncia que pode afastá-lo do cargo.

O discurso que foi estruturado e será reproduzido em defesa do presidente é de que o procurador-geral atua contra a classe política em geral e que faz conclusões que não se sustentam pelos fatos.

Temer vai questionar interpretação da PGR e perícia da Polícia Federal em áudio de Joesley

Por Painel, Folha de S. Paulo

Tudo ou nada O Planalto vai apostar em diversas frentes para tentar desqualificar as denúncias de Rodrigo Janot contra Michel Temer. A defesa do presidente vai questionar a interpretação da PGR sobre trechos da conversa entre ele e Joesley Batista, para sustentar que, sem fatos, o procurador-geral se apoiou em ilações. Em outra ofensiva, vai levantar dúvidas sobre a perícia da PF que descartou edição no áudio. Ricardo Molina, que fez laudo para o peemedebista, será escalado para falar do assunto.

Tu o dizes Aliados de Temer também vão confrontar o grampo de Joesley Batista com entrevista que o empresário concedeu à “Época”. À publicação, disse que o presidente não tinha cerimônia para pedir dinheiro. Mesmo assim, sustentam, não falou abertamente de valores quando esteve no Jaburu.

Aguardar e conferir Aliados de Temer no Congresso marcaram conversas a partir desta quarta (28) para reavaliar a situação do presidente, já com a denúncia oferecida por Rodrigo Janot em mãos.

Álibi Na noite deste domingo (25), às vésperas da apresentação da denúncia da PGR por corrupção passiva o presidente telefonou a senadores. Pediu apoio para a reforma trabalhista na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário do Senado.

Temer é denunciado por corrupção e será julgado pela Câmara

Por Murillo Camarotto e Luísa Martins | Valor Econômico

BRASÍLIA - Michel Temer tornou-se ontem o primeiro presidente da República denunciado judicialmente por corrupção. No início da noite, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ofereceu denúncia contra Temer e seu ex-assessor especial Rodrigo da Rocha Loures. A peça será analisada pela presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, e posteriormente encaminhada para a análise da Câmara dos Deputados.

Em função dos danos causados à administração pública, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu que Temer pague uma indenização de R$ 10 milhões e que, se for condenado no processo, deixe o cargo. De acordo com o PGR, os crimes foram praticados "com vontade livre e consciente" dos acusados.

Na denúncia, a PGR afirma que era Temer o destinatário final da propina paga por executivos do grupo JBS. O montante de dinheiro ilegal repassado ao presidente pela empresa poderia chegar ao patamar de R$ 38 milhões em nove meses. Janot solicitou ao STF que Temer e Loures se manifestem dentro de 15 dias.

Maia reclama de pressão contra Temer

Por Cristiane Agostine e Luciano Máximo | Valor Econômico

SÃO PAULO - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu ontem a permanência de Michel Temer na Presidência e disse que não se tira "do dia para a noite" um presidente do cargo. Maia reclamou da pressão para que Temer deixe o comando do país e criticou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por defender a redução do mandato do pemedebista.

Maia é o responsável por dar andamento aos pedidos de impeachment contra Temer, protocolados na Câmara. Também influenciará na tramitação dos pedidos de autorização para que STF analise a denúncia apresentada ontem contra o presidente pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot.

Com um discurso favorável a Temer, o presidente da Câmara afirmou que não se pode "pré-condenar o presidente". "As pessoas estão muito precipitadas, querem da noite para o dia tirar um presidente da República. Não é assim. Vamos com paciência", afirmou a jornalistas, depois de participar de um debate sobre reforma política na Fiesp, na capital paulista. "Vamos com calma. Tem que ter paciência e bom senso, que vão gerar as condições para tirar o Brasil da crise", repetiu.

Temer é denunciado ‘Não há dúvida da corrupção’

Janot apresenta ao STF primeira denúncia contra o presidente

‘Nada nos destruirá’, disse o peemedebista em solenidade

Com base na delação premiada dos donos da JBS, revelada pelo GLOBO, o procurador-geral, Rodrigo Janot, denunciou o presidente Temer e seu exassessor Rocha Loures ao STF pelo crime de corrupção passiva. É a primeira vez na História do país que um presidente é denunciado durante o mandato. Para Janot, a mala com R$ 500 mil entregue a Loures por diretor da JBS era para Temer, não deixando dúvida da prática de corrupção. Agora, o relator no STF, ministro Edson Fachin, decidirá se ouve a defesa de Temer ou se envia logo o caso à Câmara, que precisa autorizar ou rejeitar a instauração da ação penal. Relatório da PF sobre o crime de obstrução de Justiça diz que Temer “incentivou” pagamentos ilícitos a Eduardo Cunha.

Um presidente denunciado

Procurador-geral da República acusa Temer de corrupção passiva por propina da JBS

André de Souza e Eduardo Bresciani, O Globo

-BRASÍLIA- O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) o presidente Michel Temer e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, que já foi seu assessor, por corrupção passiva. Temer é acusado de ter recebido propina do frigorífico JBS, usando Rocha Loures como intermediário. Janot solicitou ainda que o presidente seja condenado a pagar uma indenização por danos morais no valor de R$ 10 milhões. No caso do ex-assessor, que se encontra preso desde 3 de junho, o valor pedido é de R$ 2 milhões.

Maia diz que FHC não deveria 'colocar lenha na fogueira'

Presidente da Câmara afirma que tucano se comporta como 'jovem estudante' ao propor antecipação de eleições

Daniel Weterman, André Ítalo Rocha e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou nesta segunda-feira, 26, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e falou que o tucano parece um "jovem estudante" querendo voltar no tempo ao propor a antecipação das eleições. Maia atacou ainda os setores do PSDB que estão apoiando a sugestão de FHC e disse que esse "ziguezague" não contribui com o País. O democrata acrescentou que FHC coloca "lenha na fogueira" da atual crise política.

Em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo nesta segunda-feira, FHC fez um "apelo" ao presidente Michel Temer (PMDB) para "que medite sobre a oportunidade de um gesto dessa grandeza" ao encabeçar uma proposta de antecipar as eleições presidenciais.

Após um debate sobre reforma política na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Maia afirmou que o ex-presidente não colabora com a experiência que tem ao fazer a proposta de antecipar eleições. "Parece que ele está querendo participar desse processo, não sei, como se estivesse voltando ao passado, como se fosse um jovem estudante querendo marcar uma posição", criticou Maia.

'Não cabe à Fiesp falar sobre renúncia de presidente', diz Skaf

Presidente da entidade que foi uma das fiadoras do impeachment de Dilma Rousseff diz que federação não discute política, mas economia

Pedro Venceslau, Daniel Weterman e André Ítalo, O Estado de S.Paulo

Após participar ativamente do movimento pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, diz agora que não cabe à entidade opinar sobre a renúncia ou permanência de Michel Temer no Palácio do Planalto. O empresário deu declaração ao Estado após um seminário sobre reforma política na sede da federação. Skaf é alvo de inquérito no âmbito da Operação Lava Jato.

A Fiesp defende a renúncia de Michel Temer ou defende a permanência dele no governo?

Não cabe à Fiesp falar sobre renúncia de Presidente da República, mas defender a retomada do crescimento do País e soluções para os 15 milhões de pessoas que estão sem emprego. Cabe à Fiesp defender reformas estruturais para recuperar a competitividade.

Oposição e base aliada se unem por fundo eleitoral

Dificilmente outros pontos da reforma política terão consenso na Câmara e no Senado para começar a valer já nas eleições de 2018

Thiago Faria, Julia Lindner, Isabela Bonfim, André Ítalo Rocha e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - A pouco mais de três meses do prazo para fazer mudanças para 2018, as duas Casas do Congresso parecem caminhar para o consenso em, pelo menos, um ponto: a criação de um fundo eleitoral. Na Câmara, o relator da reforma política, deputado Vicente Cândido (PT-SP), propõe fundo com recursos públicos para o ano que vem de R$ 3,5 bilhões, e R$ 2,2 bilhões, em 2020. Já no Senado, o líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR) deve apresentar nesta terça-feira, 27, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com fundo de R$ 3,5 bilhões.

Segundo senadores da oposição consultados pelo Estado, embora ainda haja discordâncias em relação à divisão do fundo, estimado em R$ 3,5 bilhões, há consenso sobre a necessidade de se aprovar uma nova fórmula para financiar as candidaturas. Pelas regras atuais, apenas doações de pessoas físicas são permitidas nas eleições.

Cláusula e fim das coligações podem ser aprovadas até setembro na Câmara, diz Ferraço

'Como vamos construir uma agenda objetiva e racional com 42 ou 43 partidos?', questiona autor da PEC que pode limitar o número de siglas

André Ítalo Rocha e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

Autor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria cláusula de barreira para partidos políticos e põe fim às coligações em eleições proporcionais, o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) afirmou na manhã desta segunda-feira, 26, que o texto, que já passou pelo Senado, pode ser aprovado na Câmara dos Deputados até setembro. A declaração foi dada durante evento sobre a reforma política na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

"Já para 2018 temos possibilidade de votar isso na Câmara, já está votado no Senado. Basta vontade política e determinação", afirmou o senador, um dos autores da proposta que está na Câmara. "Se a gente puder ter a cláusula de barreira e o fim das coligações já será um bom primeiro passo para enormes outros passos", avalia.

Candidatos à PGR se comprometem com pauta corporativa

Nicola Pamplona, Folha de S. Paulo

Incorporação de auxilio-moradia a servidores inativos é consenso entre interessados em sucessão de Janot

RIO - Enquanto as atenções da população se voltam para suas opiniões a respeito ao combate à corrupção, os candidatos à Procuradoria-Geral da República se comprometem com a ampliação do polêmico auxílio-moradia, em uma tentativa de angariar votos junto aos membros do Ministério Público Federal.

A eleição, nesta terça (27), escolherá três nomes para compor a lista que será apresentada ao presidente Michel Temer para a escolha do substituto de Rodrigo Janot, cujo mandato vence em setembro.

Oito candidatos disputam o voto dos cerca de 1.300 procuradores federais do país.

Diretas já é quebra de contrato | Eduardo Oinegue

- Folha de S. Paulo

Por estar associada a rupturas e a casuísmos praticados ao longo de nossa história, a eleição indireta tornou-se símbolo do descompromisso dos políticos brasileiros com a vontade popular.

O Marechal Deodoro, que fecharia o Congresso Nacional, prenderia políticos de oposição e censuraria a imprensa, foi eleito indiretamente em 1891, depois de proclamar a República e chefiar um governo provisório. Getúlio Vargas, que dissolveria o Parlamento, extinguiria os partidos e instalaria no Brasil uma ditadura, também foi eleito de forma indireta em 1934.

A eleição indireta voltaria a ser empregada no ciclo militar de 1964, que depôs João Goulart e levou ao Palácio do Planalto cinco generais. E quando o Brasil achava que finalmente votaria para presidente na redemocratização, uma emenda propondo a eleição direta acabou derrotada e amargamos outra eleição indireta, que elegeu Tancredo Neves, em 1985.

Nova Revolução Francesa: modernização do Estado | Rubens Barbosa*

- O Estado de S.Paulo

Vamos trabalhar para que algo parecido possa ocorrer aqui em outubro de 2018

Quando foi perguntado ao primeiro-ministro chinês e companheiro de Mao qual o significado da Revolução Francesa de 1789, Chu En- lai respondeu que era ainda muito cedo para avaliar. Como serão avaliados os resultados da eleição presidencial de maio passado, que marginalizou os partidos políticos tradicionais de direita e de esquerda e elegeu um político de 39 anos, Emmanuel Macron, à frente não de um partido, mas de um movimento, o República em Marcha, criado em 2016? Como será avaliado o resultado do segundo turno das eleições parlamentares de 18 de junho último?

Os resultados das eleições para presidente e para a Assembleia Nacional apontam para uma verdadeira revolução pelo voto, que, se bem-sucedida, poderá relançar a França como um país moderno e competitivo e terá profundos efeitos sobre a vida política e econômica do país. Os partidos políticos tradicionais, como o Comunista, o Socialista, a Frente Nacional (extrema direita) e o Republicano (conservador) foram marginalizados; o debate polarizado entre esquerda-direita ficou superado e emergiu um centro fortalecido. A sociedade civil ocupou amplo espaço, os debates passaram a se concentrar na questão da identidade do país (superando a questão do nacionalismo versusliberalismo) e ficou afastado o receio da saída da União Europeia, presente desde a decisão do Reino Unido. Sobretudo, foi aberta a possibilidade de discussão e aprovação de reformas modernizantes que devem levar a França a recuperar o tempo perdido e a participar com voz fortalecida das grandes questões do século 21.

A Temer o que é de Temer | ITV

A mais recente rodada de pesquisa de opinião feita pelo Datafolha consagra Michel Temer como o mais impopular presidente da República em quase três décadas. A avaliação pode ter lá suas razões, mas é mais impiedosa do que ele merece. O peemedebista paga por pecados que cometeu, mas também é reprovado, em boa medida, pela cruz que o PT deixou para ele carregar.

Na voragem como os fatos vêm se sucedendo no Brasil, parece um século, mas Temer está no comando da nação há apenas um ano, um mês e 14 dias. O que é possível consertar num espaço tão curto de tempo? Bem pouco. Depois da devastação de 13 anos de petismo, menos ainda. Mesmo assim, parte relevante ele conseguiu endireitar.

É meritório o bom trabalho feito no controle da inflação, que, depois de anos incomodando, caminha agora para completar o ciclo virtuoso inaugurado em 1994 com o Plano Real e que esteve sempre ameaçado pela leniência petista.

Acusação dura | Merval Pereira

- O Globo

A denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer tem a linguagem típica do Ministério Público, órgão de acusação. Diante da comprovação de que não houve edição da gravação da conversa com o empresário Joesley Batista e, ao contrário, novos trechos confirmam e completam o entendimento de que ocorreram, naquela noite no Palácio do Jaburu, tenebrosas transações que puseram nas mãos do então assessor Rodrigo Rocha Loures uma mala cheia de dinheiro de propina, o Ministério Público perdeu a cerimônia diante da figura do presidente que, na visão de Janot, ludibriou os brasileiros e não honrou o cargo que ocupa.

A virulência do texto corresponde à gravidade da situação, que terá agora na Câmara seu canal institucional de resolução da crise. Que pode ser o caminho tomado pelo TSE para preservar uma suposta governabilidade ou a instituição do Congresso, dando-lhe uma credibilidade que anda em falta.

O tempo de Temer | Míriam Leitão

- O Globo

Um governo com 7% de aprovação, denunciado pelo Ministério Público por corrupção, com a base parlamentar em dispersão, tem pouca chance de concluir o mandato. O esforço do presidente Michel Temer, a partir de agora, será para evitar que o Congresso autorize o processo. Temer já não governa, apenas administra a possibilidade de permanecer no cargo.

O procurador-geral da República disse que Michel Temer se valeu da sua condição “de chefe do Poder Executivo e liderança nacional” para obter a “vantagem indevida” de R$ 500 mil através de Rodrigo Rocha Loures. Portanto, deixou claro na denúncia que acha que o dinheiro da mala era de Temer.

Na antessala de Temer e Lula | Eliane Cantanhêde

- O Estado de S.Paulo

Janot contra Temer e Loures; Moro mira em Lula e Palocci

Foram dois recados prévios. O procurador Rodrigo Janot pediu a manutenção da prisão do ex-deputado Rocha Loures para deixar clara a linha da primeira denúncia contra o presidente Michel Temer, horas depois. E o juiz Sérgio Moro condenou Antonio Palocci a mais de 12 anos, aparentemente, como preparativo para sua sentença contra o ex-presidente Lula.

Rocha Loures está na antessala de Temer, assim como Palocci está na de Lula. Loures foi filmado carregando uma mala de R$ 500 mil que a PGR diz que, na verdade, seria de Temer e parte de uma mesada da JBS. E Palocci era o gerente real das contas de Lula na Odebrecht, conforme delatou o próprio Marcelo Odebrecht.

Um prólogo à sentença de Lula | Vera Magalhães

- O Estado de S.Paulo

Na densa e consistente sentença em que condenou o ex-ministro Antonio Palocci Filho a 12 anos, 2 meses e 20 dias, o juiz Sérgio Moro construiu um prólogo para sentenciar, em breve, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O nome de Lula aparece 35 vezes na peça de Moro, na maioria delas em citações de depoentes ou delatores, mas em muitas na pena do próprio coordenador da Lava Jato, que escolheu algumas informações centrais para estabelecer a ligação indissociável entre o agora condenado Palocci e Lula.

Nessas vezes em que é o próprio Moro que se refere a Lula, que são sete, ele lembra: que o petista era o “Amigo” da planilha da Odebrecht, que este “Amigo” recebeu recursos da chamada conta geral da propina da empreiteira, que esta conta tinha Palocci como coordenador-geral, que foi o próprio Lula quem designou o “Italiano” para cuidar de distribuição de recursos na campanha, que foi também o ex-presidente que o nomeou como interlocutor com a Odebrecht. Logo, está pavimentado o caminho para incluir Lula neste enredo.

Extinção KT | Hélio Schwartsman

- Folha de S. Paulo

A extinção dos dinossauros na passagem do Cretáceo (K) para o Terciário (T) abriu uma série de nichos ecológicos que permitiram que os mamíferos prosperássemos. Minha impressão é que a Lava Jato deve desempenhar na política papel semelhante ao que teve a extinção KT sobre a biodiversidade.

A pesquisa Datafolha publicada segunda mostra Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro bem posicionados para o pleito de 2018, mas vejo-os como um par de tiranossauros que ainda perambulam pela Terra no final do Cretáceo, mas que não têm diante de si um futuro muito brilhante. Digo isso porque suas taxas de rejeição são elevadas —46% no caso de Lula e 30% no de Bolsonaro, que, entretanto, ainda é desconhecido por quase 40% do público.

Temer, a renúncia e a eleição antecipada | Raymundo Costa

- Valor Econômico

Temer fica porque não há acordo em torno de um nome

A renúncia pura e simples nunca esteve nas cogitações de Temer. O que o presidente analisou com os auxiliares mais próximos foi a antecipação da convocação de eleição direta para outubro. Temer passaria a faixa para o sucessor em 1º de janeiro de 2018. Os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral) foram contrários à ideia. A renúncia ou a proposta de antecipação da eleição presidencial pareceriam uma admissão de culpa. Temer comprou à vista.

Essa visão prevalece no Palácio do Planalto. Temer vai lutar na Câmara para preservar o mandato. Mas hoje o presidente está mais à cata de 200 deputados (bastariam 172) para impedir que a Câmara conceda autorização para o Supremo Tribunal Federal (STF) processá-lo do que em busca de 308 votos para aprovar a reforma da Previdência. A prioridade de Temer agora é a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, primeira parada do pedido de autorização do STF, seguida da votação no plenário.

Recessão mantém preços em baixa | Maria Clara R. M. do Prado

- Valor Econômico

Fixar a meta de inflação bem abaixo de 4,5% seria um tiro no escuro diante do cenário político nebuloso

A continuada queda da inflação brasileira - a deflação já atingiu os IGPs e pode chegar ao IPCA de junho, segundo alguns analistas - tem suscitado divergência de opinião quanto às causas. O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em entrevista a este jornal, edição de sexta-feira, sustentou que o comportamento da inflação descendente no Brasil comprova a tese de que "juros derrubam preços". Para outros economistas, o acentuado processo de redução dos preços decorre da recessão que comeu pelo menos 9% do PIB desde o segundo trimestre de 2014.

O declínio da taxa Selic observado desde agosto do ano passado - o nível de 14,25% do juro básico ao ano baixou para 10,25% em fins de maio - buscou compatibilizar o preço do dinheiro à redução observada nos preços dos bens e serviços. Poderia ter caído mais, muito provavelmente, não fosse a persistência do quadro de insegurança política. A taxa nominal do juro pode cair até o ponto em que não comprometa a atratividade da taxa de juro real (descontada a inflação).

Serenidade e responsabilidade – Editorial | O Estado de S. Paulo

Diante da denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer, é mais que hora de as autoridades se aterem à Constituição Federal de 1988, em humilde obediência ao princípio da legalidade. Além do fiel cumprimento do procedimento constitucional previsto para esses casos, cada um dos Poderes deve ter muito em conta sua missão institucional e sua responsabilidade pelo futuro do País. As consequências da atuação de cada um dos Poderes, em especial do Legislativo e do Judiciário, transcendem em muito o destino pessoal de Michel Temer. Está em jogo o destino do País.

Faz-se necessária tal advertência, pois, como é evidente, o cenário político atual, com suas conhecidas instabilidades, é terreno fértil para oportunismos e protagonismos pouco comprometidos com o interesse nacional. Reveste-se, portanto, de especial importância a atuação serena e responsável de cada um dos Poderes.

Eleitores à deriva – Editorial | Folha de S. Paulo

A disputa presidencial de 2014 mostrou um grau inédito de divisão no eleitorado do país, evidenciado pela estreita margem pela qual Dilma Rousseff (PT) superou Aécio Neves (PSDB).

Não será exagero, ainda, apontar que o pleito demarcou com razoável nitidez preferências partidárias e ideológicas dos votantes.

Em especial porque a candidata vitoriosa conduziu sua campanha, de modo tão agressivo como inconsequente, a demonizar adversários e quaisquer sugestões de reformas econômicas de teor liberal –que ela própria se viu obrigada a propor no segundo mandato que não concluiu.

É portanto particularmente esclarecedor verificar como essas duas fatias do eleitorado, dilmistas e aecistas de quase três anos atrás, contemplam agora suas opções para a corrida ao Planalto em 2018.

No primeiro grupo, menos da metade (46%) mantém a intenção de votar no PT quando o nome apresentado é o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a mais nova pesquisa Datafolha.

Reforma política não pode ser de conveniência – Editorial | O Globo

Parlamentares aproveitam os ventos reformistas e ressuscitam propostas como o ‘distritão’, para tentar se reeleger e, assim, impedir uma renovação maior do Congresso

Que o Brasil necessita de uma reforma política, sabe-se faz tempo. Mas a falta de consenso mínimo em um tema tão polêmico — por envolver interesses concretos de muitas legendas — sempre foi um empecilho a qualquer avanço neste terreno.

Até que se conseguiu, no Senado, aprovar proposta de emenda constitucional para reduzir o número excessivo de partidos com direito a acesso amplo ao Fundo Partidário e outras prerrogativas, como o programa eleitoral em TV e rádio, mudança a ser feita por meio de instrumento usual em fortes democracias — cláusula de desempenho, para impedir que legendas sem votos tenham tratamento igual ao concedido aos grandes partidos.

Propõe-se, ainda, outra alteração acertada, o fim das coligações em pleitos proporcionais, para que o eleitor saiba ao certo o destino do seu voto.