sexta-feira, 26 de maio de 2017

Opinião do dia – Fernando Henrique Cardoso

E não sem julgar, porque um julgamento é muito complicado, estamos passando um momento de anomia, há falta de organização e autoridade. E é em toda parte, o Ministério Público autoriza que um empresário ponha um microfone para pegar um presidente, não é uma coisa banal. As delações, algumas conversas são impublicáveis pelo tipo de relacionamento de quem dá e recebe. Um ministro suspende um senador... Não estou julgando, estou dando elementos para perceber que está faltando um pouco de ordem na casa. Quando fui ministro da Fazenda tínhamos isso. Se você não tem condições de colocar ordem na casa e permitir um rumo, o Brasil começar a se desorganizar.
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Fernando Henrique Cardoso é sociólogo, ex-presidente de República, entrevista no programa Canal Livre, na TV Bandeirantes, 21/5/2017.

STF pode rever termos do acordo de delação da JBS

STF admite que pode rever termos da delação da JBS

Ministros do Supremo reconhecem que cabe revisão do acordo que deu imunidade penal aos irmãos Joesley e Wesley Batista, mas tema não é consenso na Corte

Isadora Peron, Beatriz Bulla e Breno Pires | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Ministros do Supremo Tribunal Federal admitem a possibilidade de revisar os benefícios concedidos aos empresários do grupo J&F – holding que inclui a JBS – no acordo de delação premiada firmado com a Procuradoria-Geral da República. A previsão não é de consenso entre os integrantes Corte, mas tem sido defendida por alguns magistrados e até mesmo pelo relator da Operação Lava Jato, ministro Edson Fachin.

Alvo de polêmica, o acordo firmado pelo Ministério Público Federal prevê imunidade penal aos irmãos Joesley e Wesley Batista e demais delatores do grupo empresarial. Eles foram também autorizados a viver fora do País.

Embora não comente o caso publicamente, ao homologar as delações dos acionistas e executivos do grupo J&F, Fachin citou expressamente decisão do plenário da Corte segundo a qual a homologação “limita-se a aferir a regularidade, a voluntariedade e a legalidade do acordo, não havendo qualquer juízo de valor a respeito das declarações do colaborador”.

Temer faz aceno ao Congresso e diz que país não vai parar

Em aceno ao Congresso, Temer afirma que 'Brasil não parou e não vai parar'

Gustavo Uribe – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Em meio a especulações sobre a realização de uma eleição indireta, o presidente Michel Temer gravou pronunciamento nesta quinta-feira (25) para defender que ainda tem condições de governabilidade para continuar à frente do Palácio do Planalto.

No vídeo veiculado nas redes sociais, ele ressaltou que o país não está paralisado e, mesmo diante do cenário atual, foram aprovadas medidas econômicas no Congresso Nacional. "O Brasil não parou e não vai parar. Nós continuamos avançando e votando matérias importantíssimas no Congresso Nacional", disse.

O presidente avaliou que as manifestações favoráveis à sua saída do cargo, na quarta-feira (24), ocorreram "com exageros", mas não impediram a Câmara e o Senado de votarem medidas governamentais. Ele também agradeceu a base aliada pelo apoio neste momento.

Temer agora tentará adiar julgamento no TSE

OAB protocola pedido de impeachment do presidente por crime de responsabilidade

Em pronunciamento nas redes sociais, peemedebista diz que país não parou e não vai parar

O temor de que a delação dos donos da JBS influencie o resultado do julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE, marcado para o próximo dia 6, levou o Planalto a mudar a estratégia e tentar prolongar o processo, adiando a decisão final. Na avaliação de aliados e adversários, dificilmente Temer, assim como Dilma, se livrará de condenação. No comando do PSDB, o senador Tasso Jereissati disse que manterá o apoio ao presidente apenas até o julgamento no TSE. Tentando passar clima de normalidade, Temer afirmou que o país não parou nem vai parar. A OAB protocolou, na Câmara, pedido de impeachment por crime de responsabilidade.

Operação tartaruga

Defesa de Temer pretende protelar julgamento no TSE, caso se confirme chance real de derrota

Paulo Celso Pereira e Carolina Brígido | O Globo

-BRASÍLIA- Diante do agravamento da crise política, o presidente Michel Temer já se prepara para tentar alongar o quanto puder o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcado para começar no próximo dia 6, sobre possíveis crimes eleitorais cometidos pela chapa que compôs com a ex-presidente Dilma Rousseff. Embora integrantes do governo adotem uma visão otimista de que, apesar da perda de apoio na Corte ao longo da última semana, ainda haveria votos para a separação da chapa e absolvição do presidente, esses mesmos interlocutores do presidente admitem que esta maioria pode se desfazer até a data do julgamento. Para isso, bastaria que mais um dos sete ministros mudasse de lado, já que na contagem do próprio governo três dos sete ministros já estão contra Temer.

Temer luta por apoio no TSE, mas salvação é improvável

Por Andréa Jubé, Daniel Rittner, Maíra Magro e Raymundo Costa | Valor Econômico

BRASÍLIA - A 12 dias da votação do pedido de impugnação da chapa Dilma-Temer, o presidente Michel Temer articula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão do julgamento. O plano, segundo apurou o Valor, é que um dos sete ministros do tribunal faça um pedido de vista, o que adiaria por tempo indeterminado a apreciação do caso.

A estratégia é arriscada e pode até agravar a situação do governo. Será vista, entre os partidos da base aliada, como uma manobra meramente protelatória. Mesmo reconhecendo que o ambiente político hoje não é favorável a Temer, o núcleo político do Palácio do Planalto tem expectativa real de que um ministro peça prazo adicional para analisar o caso.

Pedido de vista no TSE pode fazer Temer ganhar tempo

Por Andrea Jubé, Daniel Rittner, Maíra Magro e Raymundo Costa | Valor Econômico

BRASÍLIA - O resultado da votação do pedido de impugnação da chapa Dilma-Temer, marcada para 6 de junho, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é a senha esperada pelos partidos aliados para desembarcar do governo do presidente Michel Temer. Só uma decisão favorável ao Palácio do Planalto, o que ainda é duvidoso, pode evitar que o PSDB abandone o barco, num movimento que deve ser seguido por outras siglas. Um eventual pedido de vistas no TSE pode até agravar a situação do governo, pois será visto, entre os partidos da base, como uma manobra meramente protelatória.

Segundo apurou o Valor, o governo aposta em um pedido de vista para evitar a cassação da chapa. Mesmo reconhecendo que o ambiente político hoje não é favorável a Temer, o Planalto tem expectativas reais de que um ministro peça prazo adicional para analisar o caso. Mas para que isso aconteça o governo espera que não surja nenhum fato novo com potencial de ampliar a crise política. Nesse período, o governo vai acelerar as votações para mostrar que o governo não está paralisado e é necessário.

Tasso afirma que apoio tucano dura até decisão do TSE

Presidente do PSDB pede ‘desarmamento de espíritos’ do PT

Silvia Amorim | O Globo

-SÃO PAULO- Cotado para disputar uma eleição indireta no caso de saída do presidente Michel Temer, o presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati, afirmou ontem que o apoio do PSDB ao governo Temer está assegurado somente até o julgamento da chapa Dilma/Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), previsto para o próximo dia 6. Até lá, o partido não deve tomar nenhuma decisão sobre um possível desembarque do governo. Após reunião com caciques da sigla em São Paulo, no apartamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o senador afirmou que esta posição poderá ser reavaliada a partir do que for decidido pelo TSE.

Temer quer usar falta de consenso para substitui-lo e negociar 'sobrevida'

Marina Dias, Bruno Boghossian, Gustavo Uribe | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - O Palácio do Planalto vai se aproveitar da falta de consenso em torno da sucessão de Michel Temer para negociar com aliados uma "sobrevida" ao governo, condicionada à aprovação das reformas e à retirada do peemedebista da cena política de 2018.

Nos últimos dias, auxiliares do presidente abriram diálogo com os principais articuladores de eleições indiretas, que seriam convocadas caso Temer seja cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), no início de junho.

A avaliação é de que os movimentos dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB), José Sarney (PMDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não estão "maduros" e que não haverá, nesses grupos, um acordo que permita a construção de um nome comum para a Presidência.

É na falta de entendimento de agentes –que Temer tem chamado de "conspiradores"– que o Planalto vai apostar para ganhar tempo e tentar recuperar musculatura para as votações no Congresso.

Aliados testam hipótese de Tasso candidato, com Jobim na Justiça

Igor Gielow | Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - A mais nova configuração testada na cúpula dos aliados que apostam na cassação de Michel Temer prevê o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) como candidato indireto a presidente, o ex-ministro Nelson Jobim (PMDB) como titular da Justiça e a manutenção de Henrique Meirelles (PSD) à frente da equipe econômica em caso de vitória.

Para pacificar o PSDB, Tasso veio nesta quinta (25) a São Paulo para encontrar-se com o governador Geraldo Alckmin e o prefeito João Doria, ambos seus correligionários.

Eles se reuniram na casa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, líder tucano que vem articulando as opções do pós-Temer.

Jobim consulta tucanos sobre apoio ao seu nome

Jobim procura FHC e Serra para medir apoio em eventual eleição indireta

Após encontros, aliados de tucanos abordam classe política sobre possibilidade de ex-ministro assumir candidatura caso Temer caia

Igor Gadelha | O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O ex-ministro Nelson Jobim procurou caciques do PSDB nos últimos dias para medir o apoio que teria no partido para uma eventual candidatura a presidente da República, caso o presidente Michel Temer seja cassado ou renuncie ao cargo. Desde que a delação dos donos da JBS incriminando Temer foi divulgada, Jobim já conversou pessoalmente com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e por telefone com o senador José Serra (SP), de quem é amigo há pelo menos 30 anos.

No Congresso Nacional, Jobim é apontado hoje como um dos três candidatos com mais chances de vencer uma possível eleição indireta. Os outros dois são o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE). Com um "concorrente" tucano, o ex-ministro procurou caciques do PSDB para ver o apoio que teria de parlamentares da sigla, caso se candidatasse a presidente.

Como em 1985, PT discute boicote a eventual eleição indireta

Cúpula partidária inclui em cálculo pós-Temer estratégia usada durante colégio eleitoral no final da ditadura

Ricardo Galhardo, Igor Gadelha, Caio Junqueira e Vera Rosa | O Estado de S.Paulo

Maior partido da oposição e segundo maior do Congresso, o PT discute repetir a estratégia lançada nas eleições indiretas de 1985 e não participar do colégio eleitoral, caso deputados e senadores tenham de escolher um substituto para o presidente Michel Temer. A corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB) pretende que o partido feche questão e impeça que os parlamentares do partido participem de uma eleição indireta no 6.º Congresso Nacional do PT, a ser realizado entre 1.º e 3 de junho, em Brasília.

Naquele pleito, o PT se absteve na disputa entre Paulo Maluf (então do PSD, hoje PP) e Tancredo Neves (Aliança Democrática), que venceu por 480 votos a 180.

“Pelo amor de Deus, não entrem nessa (eleição indireta). É eleição direta, direta e ponto”, disse Lula, na manhã desta quinta-feira, 25, em reunião com lideranças das principais correntes internas do PT.

Tasso descarta acordo com PT e pede 'normalidade'

Por Cristiane Agostine | Valor Econômico

SÃO PAULO - O presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), afirmou ontem que qualquer articulação do partido sobre a sucessão presidencial será feita em conjunto com o presidente Michel Temer. O dirigente tucano disse que, por enquanto, não há possibilidade de acordo com o PT sobre quem deverá suceder Temer na Presidência e que é preciso "desarmar os espíritos" para o país voltar à normalidade. Tasso afirmou ainda que o PSDB deverá vincular a decisão sobre o eventual desembarque do governo ao resultado do julgamento da chapa Temer-Dilma Rousseff pelo Tribunal Superior Eleitoral, marcado para 6 de junho.

Ontem, Tasso reuniu-se por mais de três horas com Fernando Henrique Cardoso, no apartamento do ex-presidente, em São Paulo. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o prefeito da capital paulista, João Doria (PSDB), também participaram do encontro.

O dirigente afirmou que todas as articulações em torno da eventual saída de Temer do cargo terão a participação do presidente, sinalizando um acordo entre PSDB e o PMDB. "Qualquer coisa tem que passar pelo presidente Temer e [pela] avaliação dele. O consenso é que qualquer movimentação seja em conjunto com o presidente".

Em meio à crise, Temer afirma: ‘Brasil não parou e nem vai parar’

Em vídeo nas redes sociais, presidente tenta dar ares de normalidade ao país

Leticia Fernandes e Eduardo Barretto | O Globo

-BRASÍLIA- Em tentativa de dar ares de normalidade ao governo, no epicentro da crise política, o presidente Michel Temer divulgou ontem um vídeo nas redes sociais para dizer que o Brasil “não parou e nem vai parar”, elogiar o “empenho” da base aliada nas votações e falar das realizações de sua gestão. Com as reformas em risco por conta das denúncias que o envolvem, feitas pelo dono da JBS, Joesley Batista, e no dia seguinte à manifestação contra seu governo, em Brasília, o presidente comemorou até a aprovação de medidas provisórias (MPs) na Câmara.

No vídeo, Temer diz que as manifestações contra o seu governo e contra as reformas trabalhista e da Previdência, que acabaram em violência, com destruição de patrimônio público e tiros de arma de fogo por parte da Polícia Militar, tiveram “exageros”, mas que nem por isso o Congresso deixou de trabalhar. Ele elogiou, por exemplo, a aprovação pela Câmara de sete medidas provisórias na noite de quarta-feira, num plenário sem a presença de integrantes da oposição.

Presidente avalia que saiu da zona de turbulência

Por Andrea Jubé e Daniel Rittner | Valor Econômico

BRASÍLIA - Dez dias depois da fase mais aguda de turbulência política, desde a delação premiada do grupo JBS, o presidente Michel Temer acredita que ganhou fôlego e que os sinais de recuperação da economia ajudarão o PMDB a continuar no Palácio do Planalto. Temer chegou a cogitar a renúncia no dia em que a crise eclodiu, mas agora sua expectativa é que o pacote de bondades preparado para a próxima semana dê sobrevida ao governo. Ontem, o presidente divulgou nas redes sociais novo pronunciamento, manifestando esse otimismo e agradecendo o apoio do Congresso.

"O trabalho continua e vai continuar. Temos muito ainda a fazer e esse é o único caminho que meu governo pretende seguir: colocar o Brasil nos trilhos", afirmou. "Continuamos avançando e votando matérias importantíssimas no Congresso Nacional", comemorou. "Deputados e senadores continuaram a trabalhar em favor do Brasil", ressaltou, a fim de demonstrar que a crise não esvaziou o parlamento.

O Brasil precisa das reformas | Roberto Freire

- Diário do Poder

Justamente no momento em que o Brasil dava os primeiros sinais de que começa a sair da recessão econômica imposta pelo desmantelo dos governos lulopetistas nos últimos 13 anos, o país foi atingido por mais um grave abalo político que provoca incertezas em relação ao nosso futuro mais imediato. Cabe àqueles que têm responsabilidade, espírito público e compromisso com a democracia e as instituições trabalharem com afinco para que sejam preservadas as reformas fundamentais para a superação definitiva da crise, especialmente as mudanças na legislação trabalhista e na Previdência.

Apesar de todas as dificuldades, o Brasil vem avançando de forma significativa desde que o governo de transição se estabeleceu constitucionalmente, após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Em pouco mais de um ano, foram aprovadas medidas necessárias como a PEC do Teto dos Gastos Públicos, a MP do setor elétrico, o projeto que desobriga a Petrobras a participar de todos os consórcios de exploração do pré-sal, a Lei de Governança das Estatais, a liberação de saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), apenas para citar algumas delas.

Sobre seletividade – Editorial | O Estado de S. Paulo

O PT e seus lambe-botas passaram meses protestando contra a Operação Lava Jato sob o argumento de que se tratava de uma “investigação seletiva” dedicada exclusivamente a “perseguir” Lula e a tigrada. Decepcionaram-se quando a evolução das investigações demonstrou que nenhum partido e nenhuma liderança política está imune à ação da Justiça. Agora, demonstrando que eles próprios também sabem ser seletivos quando lhes convém, os lulopetistas oferecem ao País uma vergonhosa exibição de hipocrisia quando incendeiam – em alguns casos, literalmente – a Esplanada dos Ministérios e os plenários do Senado e da Câmara dos Deputados com iradas manifestações de indignação diante da profunda crise em que o País está mergulhado, escamoteando o fato de que eles próprios têm enorme responsabilidade por essa crise, pois durante longos 13 anos foram os donos do poder, do qual foram apeados, com apoio maciço dos brasileiros, há apenas 12 meses. Os vândalos que botaram fogo e destruíram o patrimônio público numa “manifestação pacífica” a favor do “Fora Temer” e contra as reformas, bem como os senadores e deputados baderneiros que pelos mesmos motivos promoveram cenas de pugilato dentro do Congresso Nacional, cometeram essas barbaridades movidos por uma seletiva indignação contra a crise que eles próprios provocaram e agora procuram agravar em benefício próprio, pois alimentam a pretensão de voltar ao poder ressuscitando Luiz Inácio Lula da Silva.

JBS é símbolo do capitalismo de Estado entre amigos – Editorial | O Globo

A delação dos irmãos Batista ocupa, com razão, o noticiário sobre corrupção, mas também deve ser lembrada a história da expansão da empresa

O grupo JBS se converteu em principal sinônimo de corrupção, desbancando a Odebrecht, com a delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista à Procuradoria-Geral da República —, principalmente com a gravação feita por Joesley de uma conversa comprometedora com o presidente Michel Temer, revelada pelo GLOBO.

Os relatos de Joesley a procuradores, gravados em vídeo, sobre a distribuição farta de dinheiro entre políticos, sem discriminar partidos, são mesmo emblemáticos de tempos de fisiologismo desbragado e descontrole ético refletidos no mensalão e nas investigações da Lava-Jato.

Mas o JBS também tem relação direta com os favores fornecidos a grupos empresariais nos governo Lula e Dilma, dentro da política de criação dos “campeões nacionais”, com base no BNDES.

Soma de erros – Editorial | Folha de S. Paulo

Se o objetivo era produzir imagens de um país em convulsão, o protesto liderado por centrais sindicais e entidades de esquerda em Brasília, nesta quarta (24), obteve sucesso, ainda que talvez efêmero.

Correram o Brasil e o mundo, sem dúvida, as cenas de manifestantes ensanguentados, prédios em chamas e congressistas enfurecidos. O quadro caótico completou-se com o renitente despreparo da Polícia Militar, que chegou ao emprego descabido de armas de fogo, e o constrangedor recurso do governo às Forças Armadas.

Impacto visual à parte, convém não comprar pelo valor de face a leitura de que o episódio retrata o isolamento de um presidente, em meio a uma revolta popular –por mais visível que seja a debilidade de Michel Temer (PMDB).

Omissões e imprudências de todas as partes converteram em baderna, e quase em tragédia, o que deveria ser um ato político.

Fed segue seu roteiro e deve elevar o juro em junho – Editorial | Valor Econômico

O Federal Reserve americano está preparado para elevar de novo os juros nos Estados Unidos em junho, indicam as atas da mais recente reunião do banco. Poderá agir com mais tranquilidade e seguir a rota planejada (mais duas altas em 2017) depois que "declinou o otimismo dos investidores sobre a perspectiva de políticas fiscais expansionistas", isto é, um avanço rápido da reforma tributária do presidente Donald Trump. O aumento das taxas dos "fed funds" só não virá se dois eventos improváveis ocorrerem: a economia continuar fraca como no primeiro trimestre (avanço de 0,7% do PIB) ou a inflação fraquejar.

Os indicadores mais recentes apontam que o sazonalmente fraco primeiro trimestre já ficou para trás. Estimativas mais recentes calculam que a velocidade de crescimento está agora na casa dos 2,5%, enquanto que, para o segundo trimestre fechado, há projeções na casa de 4%. O próprio Fed considerou o esmorecimento do PIB no início do ano como transitório e acredita, segundo a ata, que ele crescerá "moderadamente mais rápido que o PIB potencial até 2019".

Reação avança | Merval Pereira

- O Globo

Há uma reação dentro do Congresso aos avanços da Operação Lava-Jato que pode se ampliar no plenário do Supremo. O julgamento sobre o foro privilegiado está parado no Congresso, e na pauta do STF o assunto ficou relegado a um plano secundário na próxima semana.

Os áudios das conversas de Joesley Batista com Temer e Aécio revelam que persiste a ideia de aprovar leis que limitem a atuação do Ministério Público e da Polícia Federal, e pode haver recuos importantes como no caso da prisão em segunda instância.

O ministro Gilmar Mendes já anunciou em um de seus votos na Segunda Turma que está tendendo a rever sua posição, aderindo à proposta do ministro Dias Toffoli de que a prisão só possa ser feita depois de passar pelo STJ. Essa decisão mudaria a maioria no plenário.

Junto a tudo isso, começa uma campanha contra o relator da Lava-Jato no STF, ministro Luiz Edson Fachin. Quando o jurista foi indicado pela presidente Dilma para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria precoce do ministro Joaquim Barbosa, estranhei que ele tenha se anunciado partícipe de um grupo de “juristas que têm lado” na campanha presidencial de 2010, em apoio à eleição de Dilma.

O calote do século | Eliane Cantanhêde

- O Estado de S.Paulo

Temer tem muito a explicar, mas perdão a Joesley Batista é premiar a corrupção

Antes que a gente se esqueça, Joesley Batista, da JBS, que já foi um dos “campeões nacionais” do BNDES, é agora campeão internacional do calote, um calote não numa pessoa, numa empresa ou num banco, mas num país inteiro. Um país chamado Brasil, onde não sobra ninguém para contar uma história decente e abrir horizontes.

Enquanto amealhava R$ 9 bilhões do BNDES, mais uns R$ 3 bilhões da CEF, mais sabe-se lá quanto de outros bancos públicos nos anos beneficentes de Lula, Joesley saiu comprando governos, partidos e parlamentares. Quando a coisa ficou feia, explodiu o governo Temer, a recuperação da economia e a aprovação das reformas, fez um acordo de pai para filho homologado pelo STF e foi viver a vida no coração de Nova York.

Gigantismo corrupto. Ataque a efeitos pela Lava-Jato atropela a remoção das bases dele pelas reformas | Jarbas de Holanda

Cenário negativo – que previ, mas avaliando-o como improvável, no texto do último dia 10, intitulado ‘Economia e política num trimestre decisivo’ – configurou-se como concreta e perigosa ameaça sob o impacto das delações de executivos da JBS. Com o mandato do presidente Michel Temer posto em xeque, potencializaram-se as resistências corporativas às reformas e as incertezas sobre a viabilização delas. Cuja perspectiva de sucesso – combinada com a de sequência e desdobramentos das outras propostas e medidas da agenda reformista assumida pelo governo Temer, como as de controle dos gastos públicos e de corte do gigantismo estatal – tem constituído o fator básico de duas relevantes variáveis econômicas e institucionais. Primeira: a governabilidade, recuperada após o impeachment de Dilma Rousseff, com o respaldo do Congresso ao Executivo e boa articulação entre os três Poderes da República. Segunda: a expectativa da concretização dessa agenda por parte dos agentes econômicos, internos e externos, e dos consumidores. Refletida no preparo de expressivos projetos de investimentos. E reforçada por indicadores de queda da inflação e dos juros, de par com os de fim do processo recessivo e de reversão do desemprego. Bons passos e dividendos da reestruturação e da reanimação da economia rapidamente afetados pelas referidas delações, como se evidenciou em reportagem do Globo no último domingo: “Efeito contágio. Ameaça aos investimentos. Crise política põe em risco aportes de R$ 60,5 bi do setor privado em infraestrutura”. 

O tenentismo de destruição | Reinaldo Azevedo

- Folha de S. Paulo

Também os tenentes, a exemplo dos procuradores e juízes militantes de hoje, não gostavam de políticos

O Brasil se tornou refém do "Tenentismo da Destruição". O país caminha para o abismo político, legal e institucional. Aparecerá alguém com um lume ao menos, a nos dar uma esperança, ainda que bruxuleante? Esse portador de alguma luz contra as trevas, creiam, era Michel Temer. Torço para que chegue ao fim do mandato. Mas não será fácil.

E o futuro? Até agora, o que vejo são pré-candidatos a cronistas das nossas angústias, com suas ligeirezas à direita ou à esquerda. Pergunta rápida, com resposta idem, dois dias depois dos atos terroristas protagonizados pelas esquerdas na Esplanada dos Ministérios: se não se fizer a reforma da Previdência agora, quem terá coragem de levar essa pauta para o palanque?

Salvo engano, foi Luiz Werneck Vianna, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio, o primeiro cientista político a caracterizar essa era de procuradores e juízes militantes como um "novo tenentismo". Em vez do uniforme militar, a toga. O movimento de jovens oficiais de baixa e média patentes, na década de 20, teve importância capital na história do país. Dali saíram tanto o líder comunista Luiz Carlos Prestes como boa parte da elite fardada de 1964. A Revolução de 30 foi o primeiro golpe bem-sucedido da turma.

As ruas e o rito | César Felício

- Valor Econômico

Temer está muito ferido, mas não cairá no grito

O pulsar das ruas é algo sistêmico, não existe uma vanguarda. Grandes explosões populares tanto no Brasil quanto no exterior se intensificaram e ganharam dimensão política decisiva a partir de uma confusão aqui, outra acolá, que vão formando o leito do rio que tudo arrasta.

É possível que a bastante coreografada campanha das "Diretas Já" em 1984 não tivesse ocorrido se multidões de desempregados não estivessem saqueando supermercados no Rio de Janeiro e em São Paulo desde o ano anterior, e se turbas de flagelados não promovessem distúrbios no interior do Nordeste, que passava então por uma de suas mais agudas secas.

A pancadaria de anteontem em Brasília tem vasos comunicantes com os atos de junho de 2013 e acontece menos de um mês depois de atos por uma greve geral onde, em Goiânia, por muito pouco um manifestante não morreu. Enquanto ministérios ardiam em Brasília, tentavam invadir a Assembleia Legislativa no Rio. Desde domingo uma truculenta intervenção da Prefeitura de São Paulo na área da Cracolândia provoca protestos contra o prefeito João Doria e o governador de São Paulo. É óbvio que cada episódio tem as suas próprias razões para ter acontecido, mas é evidente que a visão de conjunto mostra um ambiente de tensão, uma atmosfera em que o palavrão está na ponta da língua, a mão está prestes a jogar uma pedra ou uma bomba, o pensamento contrário é visto como agressão pessoal.

Visão dos economistas | Míriam Leitão

- O Globo

Os cenários da economia se estreitam enquanto a política vive seu pior momento em muitos anos. Para o professor de economia do Ibre-FGV Samuel Pessoa ainda há possibilidade de se levar as reformas adiante. O economista Edward Amadeo, da Gávea Investimentos, não acha que um novo governante, escolhido por voto indireto, tenha capacidade de levar adiante um projeto de mudanças.

A hipótese de saída do presidente Temer do cargo coloca em dúvida as reformas. E isso leva, segundo os dois especialistas, que entrevistei na Globonews, à volta do temor do crescimento da dívida pública. Samuel Pessoa acha que existem dois cenários à frente. Amadeo considera que haverá um período de atoleiro.

— Existem dois cenários. Em um se reconstrói o governo após a queda do presidente, sem uma agenda clara de reformas. E no outro um novo presidente assume a bandeira de mudanças. É o que eu acho mais provável. Se ocorrer o primeiro, a recuperação da economia fica mais atrasada. As pessoas voltarão a olhar a trajetória da dívida pública, vão ficar assustadas, haverá pressão sobre risco, câmbio, e isso atrapalha a recuperação. Por outro lado, se um novo presidente pegar as bandeiras de reformas, a gente retoma a recuperação lenta da economia brasileira, com a inflação na meta e uma perspectiva de fortíssima queda das taxas de juros — diz Samuel Pessoa.

Eleição 2017: mais nomes que programas | Vinicius Torres Freire

- Folha de S. Paulo

Tucanos discutem em São Paulo a chapa das indiretas, mas plano econômico sobe no telhado

Política politiqueira é discussão de quem vai mandar e quem vai levar o quê. Mas governo não se faz assim, apenas.

Nestes dias de transição transada no caos, ainda sabe-se mais das discussões do arranjo do governo pós-Temer do que dos meios de evitar bagunça econômica que tende a complicar o mandato do presidente de 2019.

Nesta quinta (25), os tucanos maiores discutiram em São Paulo nomes para a chapa das indiretas e conversavam com donos do dinheiro. O tucanato paulista não quer que o presidente indireto dispute as diretas de 2018. Até agora, conversa-se quase nada a respeito de como evitar o esboroamento da economia.

É preciso nova lei para os acordos de leniência | Claudia Safatle

- Valor Econômico

Ou o sistema "U" se entende ou não haverá acordo

Passados três anos das primeiras manifestações de interesse das empresas investigadas pela Lava-Jato em negociar acordos de leniência, não há, até hoje, um que esteja assinado por todos os envolvidos e funcionando em sua plenitude. E dificilmente esses processos vão avançar se os quatro órgãos públicos responsáveis continuarem atuando isoladamente. São eles o Ministério Público da União (MPU), o Tribunal de Contas da União (TCU), a Controladoria Geral da União (CGU) e a Advocacia Geral da União (AGU).

Até o momento foram fechados acordos da Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Odebrecht com o Ministério Público. Cada um com um critério distinto para o cálculo dos danos ao erário.

As emergências se atropelam e paralisam tudo | Celso Ming,

- O Estado de S.Paulo

A reforma política já é proposta que se pereniza. De já em já, ela é sempre reivindicada e nunca desengavetada. Por que será?

No discurso de posse de seu segundo mandato, em janeiro de 2007, o presidente Lula declarou solenemente que a reforma política passaria a ser prioridade de seu governo. Seria a melhor resposta para o escândalo do mensalão que estremeceu a nação em 2005. Já então, o argumento em defesa da proposta era o mesmo de hoje: o de que o atual sistema político, que está na raiz das crises e da corrupção endêmica, está esgotado e precisa mudar.

Não dá para conviver com 35 partidos e sabe-se lá quantos mais em formação, a maioria dos quais só existe para morder o fundo partidário ou faturar com venda de facilidades quando os figurões se apossam de instituições do Estado.

O Brasil dos avessos | José de Souza Martins

- Valor Econômico | Eu & Fim de Semana

Já houve época em que, no Brasil, ensaístas competentes e eruditos enriqueciam a cultura política do país com estudos seminais que iam ao nó de nossas incômodas contradições para nos explicar o que achávamos que éramos e não conseguíamos ser. Euclides da Cunha, o maior dos nossos ensaístas, explicou-nos com estilo e elegância o mais brutal dos nossos enganos em "Os Sertões".

Republicanos que proclamaram uma República sem povo, constituída de uma humanidade servil, recém-saída da escravidão, analfabeta e ignorante, declararam guerra a uma comunidade de gente simples, do sertão remoto. Era, em grande número, descendente de índios tapuias. Gente refugiada na religião para, na fé, se proteger das iniquidades da política e da economia, interpretadas como sinais mais do que evidentes do fim dos tempos e da proximidade do fim do milênio. Os republicanos de praia inventaram um inimigo fictício, massacraram os devotos de uma monarquia milenarista para fazer de conta que haviam feito a revolução do progresso em nome da ordem.

A calmaria | Luiz Carlos Azedo

- Correio Braziliense

Crises políticas são traiçoeiras, quando levam ao confronto os Poderes da República — Executivo, Legislativo e Judiciário —, tornam-se institucionais. O pressuposto do funcionamento normal das instituições é a harmonia entre os Poderes, não apenas a independência; quando há confronto, ela se instala. Depois da balbúrdia de quarta-feira, quando a Esplanada literalmente pegou fogo, ontem foi um dia de aparente calmaria. As crises políticas, porém, são como o movimento das marés, sobem e descem duas vezes por dia, seja durante a ressaca ou na calmaria. 

O Congresso teve um dia de normalidade (ou seja, a maioria dos parlamentares voltou para os estados), o Exército e a Marinha retornaram aos quartéis, mas a secular Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) deu entrada no seu pedido do impeachment do presidente Michel Temer na Câmara, por crime de responsabilidade. Ninguém imagine que é coisa trivial.

A palavra | Carlos Pena Filho

Navegador de bruma e de incerteza,
Humilde me convoco e visto audácia
E te procuro em mares de silêncio
Onde, precisa e límpida, resides.

Frágil, sempre me perco, pois retenho
Em minhas mãos desconcertados rumos
E vagos instrumentos de procura
Que, de longínquos, pouco me auxiliam.

Por ver que és claridade e superfície,
Desprendo-me do ouro do meu sangue
E da ferrugem simples dos meus ossos,
E te aguardo com loucos estandartes
Coloridos por festas e batalhas.

Aí, reúno a argúcia dos meus dedos
E a precisão astuta dos meus olhos
E fabrico estas rosas de alumínio
Que, por serem metal, negam-se flores
Mas, por não serem rosas, são mais belas
Por conta do artifício que as inventa.

Às vezes permaneces insolúvel
Além da chuva que reveste o tempo
E que alimenta o musgo das paredes
Onde, serena e lúcida, te inscreves.

Inútil procurar-te neste instante,
Pois muito mais que um peixe és arredia
Em cardumes escapas pelos dedos
Deixando apenas uma promessa leve
De que a manhã não tarda e que na vida
Vale mais o sabor de reconquista.

Então, te vejo como sempre foste,
Além de peixe e mais que saltimbanco,
Forma imprecisa que ninguém distingue
Mas que a tudo resiste e se apresenta
Tanto mais pura quanto mais esquiva.

De longe, olho teu sonho inusitado
E dividido em faces, mais te cerco
E se não te domino então contemplo
Teus pés de visgo, tua vogal de espuma,
E sei que és mais que astúcia e movimento,
Aérea estátua de silêncio e bruma
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(Recife, 17 de maio de 1929 - Recife, 10 de junho de 1960)

Marisa Monte e Paulinho, Show São Paulo

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Opinião do dia – Fernando Henrique Cardoso

Que saídas o senhor vê para a crise?

– Hoje, os dois lados da crise são a população enojada e descrente e um sistema político-eleitoral que se exauriu na corrupção, na leniência dos poderosos e na anuência de setores produtivos. Difícil! Ainda bem que minha idade me permite ver de longe, sem entrar no redemoinho.

E como o PSDB deve se orientar nesse período?

– Diante disso, o PSDB, como os poucos outros partidos que têm significação, só deve dar um passo pensando nos seguintes. Como preservar a Constituição, como tocar as reformas, compondo também com os interesses populares. Não basta dar rumo ao mercado, as pessoas e o país contam. É preciso ter um discurso crível e insistir muito nele.

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Fernando Henrique Cardoso é sociólogo, ex-presidente da República, O Globo, 25/5/2017

Temer chama Forças Armadas depois de ataques a ministérios

Protesto em Brasília termina com depredação, 49 feridos e 8 detidos

Ato convocado por centrais sindicais na Esplanada foi marcado por ataques a ministérios; governo acionou as Forças Armadas para reforçar segurança

- O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Organizado para pedir a renúncia do presidente Michel Temer e protestar contra as reformas da Previdência e trabalhista, o ato que desencadeou o uso das Forças Armadas em Brasília terminou com pessoas feridas, prédios depredados, pontos de ônibus destruídos, fogo ateado em banheiros químicos e manifestantes presos.

Até as 20 horas desta quarta-feira, 24, a Secretaria de Segurança do Distrito Federal não havia informado o efetivo usado pela polícia. Números oficiais indicavam 49 feridos, entre eles, um por arma de fogo, confirmado pela secretaria. O repórter fotográfico Wilton Júnior, do Estado, foi atingido por estilhaços de uma bomba. Foram detidas oito pessoas.

'Grande acerto', diz Jungmann sobre convocação das Forças Armadas

Ministro da Defesa afirmou que haverá reunião com Temer nesta quinta-feira para avaliar se a medida será revogada

Bibiana Borba e Elisa Clavery | O Estado de S.Paulo

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse na manhã desta quinta-feira, 25, que a decisão de convocar as Forças Armadas para atuar durante a manifestação de ontem em Brasília “foi um grande acerto”. Ainda de acordo com Jugmann, haverá uma reunião com o presidente Michel Temer (PMDB) nesta manhã para avaliar se a medida - que, polêmica, foi criticada pela oposição no Congresso e por alguns juristas - será revogada.

“Se o comandante da área, general Ferreira Gomes, informar que estamos em tranquilidade, que não existe nenhum foco de resistência, que não existe possibilidade de retornar ao clima anterior, obviamente daremos a sugestão ao presidente que seja revogada”, afirmou o ministro em entrevista à CBN.

Com a decisão de Temer, que foi anunciada por Jungmann na tarde desta quarta-feira, as Forças Armadas recebem poder de polícia até o próximo dia 31. A decisão de decretar a chamada Garantia de Lei e Ordem (GLO) só pode ser feita por ordem expressa do presidente em caso onde há esgotamento dos órgãos de segurança pública.

Protesto contra Temer em Brasília acaba em violência

Protesto em Brasília termina com 49 feridos, 8 detidos e Exército nas ruas

Lucas Vettorazzo, Angela Boldrini, Rubens Valente, Reynaldo Turollo Jr. | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - O protesto organizado por centrais sindicais e movimentos sociais contra as reformas previdenciária e trabalhista, pela saída do presidente Michel Temer e por eleições diretas transformou a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em um palco de batalha com a Polícia Militar e a Força Nacional nesta quarta (24).

Policiais militares deram tiros com armas letais na direção dos manifestantes. A Secretaria de Segurança do Distrito Federal informou que abrirá inquérito para investigá-los. "Esse procedimento não é o adotado", afirmou.

Oito ministérios depredados, dois incendiados e 49 feridos –entre eles um manifestante baleado, um estudante de Santa Catarina que teve a mão decepada por um rojão e oito policiais– são alguns dos números do ato, que reuniu 45 mil pessoas, segundo a PM, ou 150 mil, de acordo com organizadores.

Dilma também acionou militares contra protestos, em 2013

- Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - A exemplo do que faz agora o governo de Michel Temer, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) recorreu aos militares em 2013 para proteger o Palácio do Planalto e ministérios, em meio à onda de de manifestações que tomou o país. A segurança foi reforçada após violentos protestos na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em 20 de junho daquele ano.

Em 19 de dezembro de 2013, o então ministro da Defesa, Celso Amorim, assinou a portaria 3.461, que regulamenta o dispositivo de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que trata do emprego das Forças Armadas em situações de manutenção da segurança pública.

Desde então, a GLO já foi evocada em operações no Rio de Janeiro e durante a fase aguda das crises no Rio Grande Norte e no Espírito Santo. Segundo o Ministério da Defesa, isso acontece "devido ao esgotamento dos meios de segurança pública, para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio".

A GLO também foi usada em grandes eventos, como a Copa do Mundo (2014) e a Olimpíada de 2016.

O triunfo da insensatez

Protesto termina com 49 feridos; um manifestante levou um tiro no maxilar

Ao todo, nove ministérios foram depredados, 8 pessoas detidas. A corregedoria da PMDF abriu investigação para saber de onde partiu o tiro que atingiu o homem

Júlia Campos - Especial para o Correio

Mais de 40 mil pessoas se reuniram na Esplanada dos Ministérios na tarde desta quarta-feira (24/5), em protestos contra as reformas propostas pelo governo federal em tramitação no Congresso Nacional. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) e foram divulgados no final do dia, quando a cena de guerra montada no centro do poder já havia se dissolvido. Ao todo, 8 pessoas foram presas, 49 feridas e mais de 12 ocorrências de flagrantes registradas. Um dos casos mais graves foi de um homem, de identidade não divulgada, que levou um tiro de arma de fogo no maxilar. A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) investiga de onde partiu este tiro, efetuado com uma arma letal, onde a regra é usar, apenas, armas de efeito moral, como tiros de borracha e spray de pimenta.

Isolado, Temer usa Exército após depredações em Brasília

Ato de centrais acaba em vandalismo

Confrontos das ruas se repetem no Congresso

Presidente perde mais um assessor direto

Um protesto convocado pelas centrais CUT e Força Sindical contra as reformas e pela saída do presidente Temer acabou em vandalismo em Brasília, com prédios públicos depredados, bombas e até fogo dentro da sede do Ministério da Agricultura. A Esplanada dos Ministérios teve de ser esvaziada. Forte aparato policial fechou os acessos à Praça dos Três Poderes. Houve atos de violência tanto de manifestantes quanto de policiais. Sete pessoas foram detidas e 49 ficaram feridas, inclusive PMs. Dentro do Congresso, o clima também era de muita tensão. Deputados chegaram a trocar empurrões quando o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, anunciou a convocação de tropas federais. O presidente Temer, que ontem perdeu mais um assessor em meio à grave crise, assinou decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) convocando as Forças Armadas para atuarem na segurança e contra a violência em protestos, sendo criticado pela oposição. Reunido ontem em Washington, o Conselho Permanente da OEA ressaltou a força das instituições brasileiras para enfrentar a crise.

Temer chama o Exército

Ato contra governo e reformas acaba em violência, e presidente convoca Forças Armadas

Renata Mariz e Karla Gamba | O Globo

-BRASÍLIA- Prédios de ministérios incendiados, com uma longa coluna de fumaça preta que tomava o céu de Brasília, mascarados armados com coqueteis Molotov, policiais disparando com munição letal na direção de manifestantes, e toda a Esplanada esvaziada às pressas em meio a um cenário de caos. Foi esse o saldo de um protesto de 35 mil pessoas contra o governo de Michel Temer e as reformas previdenciária e trabalhista, organizado por centrais sindicais, ontem à tarde na capital federal. Diante da perda de controle, e cada vez mais enfraquecido no Palácio do Planalto, o presidente editou um decreto que autoriza o uso das Forças Armadas para garantir a lei e a ordem na capital federal. A medida, embora tenha amparo na lei, foi vista por especialistas como um sinal de perda de legitimidade do presidente. Ontem à noite, militares já patrulhavam alguns dos principais pontos da cidade.

Uso de Forças Armadas provoca confusão e briga entre deputados

Câmara tem xingamentos e empurrões à tarde e votações a jato à noite

Cristiane Jungblut, Catarina Alencastro | O Globo

-BRASÍLIA- De empurrões e xingamentos a votações desenfreadas como não se via há semanas, o plenário da Câmara passou ontem por extremos. Depois de bate-bocas e suspensões ao longo do dia, no início da noite a sessão foi retomada, e a oposição abandonou os trabalhos. O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), aproveitou e fez o rolo compressor: colocou em votação sete medidas provisórias que estão para vencer na próxima semana e ainda pretendia votar outras.

Os ânimos estavam acirrados desde o início da tarde, quando deputados de PSOL, PT e PCdoB ocuparam a Mesa e cercaram a presidência gritando “Fora, Temer”, criticando a ação policial na Esplanada dos Ministérios e cobrando o encerramento da sessão. A sessão foi suspensa duas vezes, mas os parlamentares do governo insistiam em tentar votar algo. A deputada Luiza Erundina (PSOL-SP) era uma das mais exaltadas e se recusava a descer da Mesa. Já o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), aliado do governo, tentava arrancar os cartazes da frente do presidente da sessão, André Fufuca (PP-MA).

Incendiários

Lydia Medeiros | O Globo

Uma ala da oposição decidiu radicalizar na tentativa de abreviar o governo Temer. Um dos líderes é o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), para quem a tática do confronto “está funcionando muito bem para o nosso pessoal”. Ele anuncia que repetirá o protesto (que quase virou briga), caso a reforma trabalhista volte à pauta, e pregou a desobediência civil. Pode ser um tiro no pé, porque a violência no Congresso pode acabar associada às cenas de violência vistas ontem na Esplanada.

Medida polêmica
No debate no Congresso sobre a presença do Exército nas ruas de Brasília, não faltaram citações a 1964. José Serra, cassado pelo golpe militar, afirmou: “São medidas preocupantes, mas se impõem pelo grau de baderna. Não podemos confundir divergência com intolerância.”

Governo aproveita protesto da oposição para limpar pauta

Por Raphael Di Cunto, Marcelo Ribeiro e Fabio Graner | Valor Econômico

BRASÍLIA - Numa situação atípica, a oposição abandonou ontem o plenário da Câmara dos Deputados em protesto contra o decreto do governo Temer que determinou o uso do Exército para conter o protesto contra as reformas trabalhista e da Previdência. O governo, que já reconhecia que perderia seis medidas provisórias (MPs), aproveitou a ausência de opositores e aprovou mudanças na legislação fundiária, a revisão nas regras de acesso a benefícios do INSS, como auxílio-doença e salário maternidade, prorrogação do Programa de Proteção ao Emprego (PPE) e refinanciamento de dívidas tributárias.

Base discute atuação conjunta na sucessão

PSDB, DEM e PPS já avaliam como inevitáveis eleições indiretas

Júnia Gama e Catarina Alencastro | O Globo

-BRASÍLIA- Principais partidos da base, PSDB, DEM e PPS começaram a discutir uma atuação conjunta nas eleições indiretas para presidente, já consideradas inevitáveis para as cúpulas das três legendas. Os líderes tucanos conseguiram ontem conter, momentaneamente, o movimento de desembarque de seus deputados da base governista, com o objetivo de aguardar até que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgue o processo de cassação da chapa presidencial no próximo dia 6 de junho.

A reunião de ontem decidiu que qualquer movimento dos tucanos será de forma partidária, unindo senadores, deputados, governadores e ministros.

Imediatamente após as informações sobre a delação da JBS serem reveladas pelo GLOBO, setores do DEM emitiram sinais de abandono do governo. O PPS fez o mesmo movimento, deixando o Ministério da Cultura, mas mantendo o ministro da Defesa, Raul Jungmann, no cargo.

‘Cabeças pretas’ do PSDB pressionam por desembarque

Grupo formado por jovens parlamentares do partido pede que tucanos entreguem cargos no governo; Tasso tenta conter ‘rebelião’

Pedro Venceslau e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO E BRASÍLIA - A bancada do PSDB na Câmara está dividida sobre a permanência do partido no governo Michel Temer. O grupo conhecido como “cabeças pretas” – em oposição aos “cabeças brancas”, que formam a cúpula da legenda – pressiona para que os tucanos entreguem imediatamente os cargos na administração.

O movimento “rebelde” ganhou uma adesão de peso: o deputado Carlos Sampaio (SP), vice-presidente jurídico do partido. “Penso que ser responsável com o País, hoje, é pensarmos imediatamente, de forma equilibrada e serena, numa transição que respeite o regramento constitucional. O presidente Michel Temer perdeu as condições mínimas de governabilidade”, disse o parlamentar ao Estado.

Diante do avanço do grupo, o senador Tasso Jeiressati (CE), presidente interino do PSDB, foi chamado nesta quarta-feira, 24, para acalmar os ânimos na reunião da bancada, que conta com 48 deputados.

'parlamentarismo' reformista pode se consolidar

Vinicius Mota | Folha de S. Paulo

O choque produzido no governo Michel Temer pela delação dos irmãos Batista pode, em tese, relançar o Brasil numa longa fase de profundas incertezas políticas, administrativas e econômicas.

Essa hipótese, a julgar por desdobramentos iniciais da crise, parece contudo menos provável.

Setores do PT já refazem os cálculos e agora tendem a preferir, embora silenciosamente, a manutenção de um Temer fragilizado à queda do mandatário. Faz sentido.

Fecham-se depressa as portas para heterodoxias constitucionais que poderiam dar ao ex-presidente Lula a oportunidade preciosa de eleger-se pela via direta nos próximos meses e, na mesma tacada, livrar-se da Lava Jato.

A melhor opção para o chefe petista, nesse quadro, passa a ser a aposta num governo debilitado o qual possa derrotar em outubro de 2018.

O QUE DIZEM AS LEIS
O artigo 81 da Constituição é explícito. A queda de Temer a esta altura do campeonato deflagraria, em 30 dias, eleições indiretas para os cargos de presidente e de vice.

Não é política, é caso de polícia – Editorial | O Estado de S. Paulo

Mais uma vez, a oposição dita de esquerda evidencia o seu parco respeito pela democracia e pela ordem pública. Nos últimos dias, transformaram Brasília num campo de batalha, dentro e fora do Congresso. Ontem, hordas de manifestantes impuseram o caos na capital do País, fazendo necessário que o presidente Michel Temer, a pedido do presidente da Câmara dos Deputados, convocasse as Forças Armadas para a garantia da lei e da ordem.

Contrários às reformas e ao governo federal, os manifestantes depredaram prédios públicos, atearam fogo ao Ministério da Agricultura e ainda tentaram invadir o Palácio do Planalto. Não vinham debater propostas ou difundir argumentos, lá estavam para vandalizar. Como lembrou o ministro da Defesa, “é inaceitável a baderna”. E os manifestantes fizeram muito mais do que simples baderna. Impuseram o caos em Brasília.

Momento de se reduzirem as tensões políticas – Editorial | O Globo

Não é aceitável o nível de tensão demonstrado pela manifestação de ontem em Brasília, como se não houvesse saída para a crise, quando ela existe: seguir a Constituição

Fogo e fumaça na Esplanada dos Ministérios e troca de empurrões no plenário da Câmara ilustram o dia de ontem em Brasília e alertam para a necessidade da redução da tensão política a níveis administráveis. A convocação de tropas federais, por meio da emissão de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO) pelo presidente Temer, a fim de controlar a violência para a qual descambou a manifestação convocada contra ele e as reformas na Esplanada, reflete o descontrole do que aconteceu ontem em Brasília. Mais um motivo para se combaterem as tensões.

Acordo açodado – Editorial | Folha de S. Paulo

A mais fulminante sequência de denúncias de que se tem notícia, no extenso rol de revelações da Lava Jato, trouxe consigo um efeito colateral preocupante e, em boa medida, imprevisto pelos tantos que se entusiasmaram com o andamento das investigações.

Os termos em que se deu o acordo de delação premiada com os donos da JBS, conhecidos nos últimos dias, direcionaram ao Ministério Público parte das indignações que suscitam as atitudes dos suspeitos de corrupção.

Com efeito, é de estranhar que tenha resultado tão vantajosa, para os irmãos Joesley e Wesley Batista, sua disposição de colaborar com as autoridades.

Um retrocesso em toda a linha na agenda ambiental – Editorial | Valor Econômico

O Senado acompanhou a Câmara dos Deputados e aprovou ontem duas medidas provisórias que amputam em quase meio milhão de hectares a área de conservação ambiental da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, ou 37% de sua área. Antes de o governo Temer entrar em extrema-unção, com a divulgação da delação de Joesley Batista, dono da J&F, já passara pelos deputados as MPs 756 e 758, que também diminuiu em 101 mil hectares o Parque Nacional Jamanxim e em 10,4 mil hectares, ou 20%, o Parque Nacional de São Joaquim (SC). O Congresso aprovou projetos legalizando grilagem de terras e ampliando o desmatamento da Amazônia, que voltou a crescer na mesma progressão dos escândalos políticos (com Dilma Rousseff e Michel Temer) e das safras recordes.

Crises em série | Merval Pereira

- O Globo

Em momentos como os que estamos vivendo, em que a legitimidade do presidente da República é posta em questionamento, equívocos, provocações e tentativas de colocar mais lenha na fogueira são comuns. Vários exemplos se sucedem nos últimos dias, o mais alarmante a convocação das Forças Armadas para garantir a lei e a ordem pública, em vez da Força Nacional, como pediu o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Mas, mesmo essa medida do presidente da República, que mais parece ter sido tomada como uma demonstração de que ainda está no comando da situação, não justifica a reação radicalizada da oposição, especialmente do PT e de movimentos sociais a ele ligados, que quiseram transformá-la na decretação de estado de sítio ou de emergência, situações nas quais há suspensão de direitos.

A GLO, como é referida nos meios militares, é uma operação conduzida pelas Forças Armadas de forma episódica, em que os militares agem em uma área restrita e por tempo determinado. Esse tipo de operação é permitida quando “agentes de perturbação da ordem” colocam em risco a integridade da população e o funcionamento das instituições.

Forças Armadas dão gás para guerra feroz, mas decreto é constitucional | Eliane Cantanhêde

- O Estado de S.Paulo

O emprego das Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem, a chamada GLO, é previsto no artigo 142 da Constituição Federal exatamente para casos como os que aconteceram ontem no coração da capital do País: quando as forças de segurança não são capazes, sozinhas, de controlar situações graves de perturbação da ordem.

O que o presidente da República, fosse ele João, Maria ou Michel Temer, poderia fazer diante de vândalos que se infiltraram na manifestação de centrais sindicais para quebrar, saquear e incendiar ministérios, com funcionários dentro? Poderia e deveria recorrer à Constituição.

Como me disse o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, “é uma situação e uma decisão dramática, porque ou tu não empregas e corres o risco da integridade das pessoas, ou tu empregas e pagas o custo, infelizmente. Nós decidimos pagar o custo”.

O “Fora Temer”, a guerrilha urbana e os limites da civilização | José Fucs

- O Estado de S. Paulo

Só uma sociedade atordoada, que perdeu as referências do que é certo e errado, pode acreditar que a baderna registrada em Brasília é aceitável

Diante das cenas de barbárie protagonizadas nesta quarta-feira em Brasília pelos grupos de esquerda que fazem oposição ao governo Temer – PT, PC do B, CUT, Força Sindical, UGT, MTST, MST e quetais – é preciso deixar de “dourar a pílula” e dar aos fatos o nome que merecem.

O que aconteceu em Brasília – a queima de prédios públicos, o quebra-quebra, a violência ilimitada, a construção de barricadas nas ruas — foi, em verdade, uma operação de guerrilha urbana.

Dia dos fantasmas | Míriam Leitão

- O Globo

O dia foi de muita confusão em Brasília. Manifestantes de movimentos que sempre foram contra o governo Temer quebraram e queimaram patrimônio público. Como resposta, o governo cadente de Michel Temer convocou uma GLO, operação de “Garantia da Lei e da Ordem”, que significa pôr tropas nas ruas. A imagem do Exército na Praça dos Três Poderes convoca nossos piores fantasmas.

Uma coisa é chamar a Força Nacional, ou entregar à Polícia Militar o trabalho de proteger de vândalos os prédios da administração pública federal. Esperava-se um protesto pacífico, tanto que foram colocados banheiros químicos. E aí eles viraram barricadas.

Ninguém morreu, ainda | Luiz Carlos Azedo

- Correio Braziliense

A oposição não deve estimular a violência e o vandalismo nos protestos; uma saída para a crise ética e política depende do Congresso e do Supremo Tribunal

Uma das características da crise ética que o país vive é o fato de que ninguém morreu, até agora. Não houve “queima de arquivo” de potenciais delatores e testemunhas. Muito menos de delegados, promotores e juízes, como aconteceu na Operação Mãos Limpas, na Itália. Suicídios, nem pensar, não é da índole dos envolvidos. A personalidade do presidente Michel Temer também não se parece com a de Getúlio Vargas, e o contexto da crise atual é completamente diverso daquele de 1954 — embora o dia 24 de agosto esteja longe ainda. Mas, ontem, uma pessoa foi baleada durante os protestos da Esplanada dos Ministérios, ou seja, por muito pouco não apareceu o primeiro cadáver para incendiar o país.

O último suspiro do comandante-em-chefe | Maria Cristina Fernandes

- Valor Econômico

Temer administra ritmos desconexos para ganhar tempo

Os conflitos em Brasília deram ao comandante-em-chefe das Forças Armadas a última oportunidade de mostrar autoridade num governo que já acabou. A velocidade com a qual os protestos de ontem descambaram para o conflito contrasta com o ramerrão dos impasses que presidem as negociações para a substituição do presidente. É na administração de ritmos desconexos entre as expectativas da sociedade, os ritos judiciais e os consensos da política que Michel Temer valida a prorrogação de sua permanência.

O prazo de 30 dias para um laudo conclusivo do áudio do grampo das conversas entre o presidente e o empresário Joesley Batista deu tempo ao governo para tentar reagrupar forças no Supremo Tribunal Federal. A retaguarda presidencial investiu em dois alvos. O primeiro é a retirada da delação da JBS das mãos do ministro Edson Fachin, sob o argumento de que não se trata de subproduto da Lava-Jato. O segundo foi a reação, comandada pelo ministro Gilmar Mendes, contra a injustificada quebra do sigilo entre jornalista e fonte, mote para a sublevação contra o Estado policial.

Governabilidade e o desfecho da crise | Celso Ming

- O Estado de S.Paulo

À parte dos contorcionismos retóricos e de conduta, inevitáveis nesta hora, o ponto central se concentra na questão da governabilidade.

Ainda há quem aposte em que o presidente Temer dará a volta por cima e que, além de se manter à frente da Presidência, seguirá até o fim de 2018 com apoio político suficiente para entregar a faixa ao sucessor.

Mas, depois do escândalo e de tudo o que já se viu, essa é hipótese improvável. O próprio Temer já deve saber que não tem mais sustentação e que lhe resta comprar algum tempo para negociar saída honrosa. E tem o outro lado. Acuado pela Operação Lava Jato e pela crescente impopularidade, o Congresso não se sujeitaria a ter de carregar um presidente tão pesado. Os políticos têm instinto de sobrevivência muito aguçado. São os primeiros a pular de navio que faça água. Temem que aproveitadores acabem explorando o constrangimento do governo, se uma solução demorar demais. Para saber o que lhes passa na cabeça, basta olhar para a cara deles agora. Daí porque fica difícil imaginar desfecho em que o presidente Temer saísse fortalecido do brejo em que está atolado.

O desafio de construir uma nova maioria | Ribamar Oliveira

- Valor Econômico

Maior preocupação é negociar o "day after" da saída de Temer

A principal preocupação das forças políticas que ainda dão sustentação ao presidente Michel Temer é formar uma nova aliança que leve o país até as eleições de 2018, com uma agenda que ajude a recuperar a economia. "Não é simples construir uma nova maioria", admitiu ao Valor um importante líder da base governista, sintetizando as dificuldades de negociar o que fazer para administrar o "day after" de Temer fora do Palácio do Planalto.

Embora não digam abertamente, líderes governistas ouvidos pelo Valor reconhecem que a situação de Temer é insustentável e que o ambiente político está em acelerada deterioração. O único que é do PMDB e está defendendo abertamente a renúncia do presidente é o senador Renan Calheiros (AL), que embora seja o líder do partido no Senado, nunca gostou de Temer como presidente e nunca apoiou o governo dele.

Parlamentarismo oculto | Jose Roberto de Toledo

- O Estado de S. Paulo

O primeiro foi deposto, cassado e preso por corrupção. O segundo, embora breve, dá vergonha de lembrar. O terceiro pediu intervenção militar e conseguiu. São os três presidentes da Câmara dos Deputados da legislatura que consolidou o parlamentarismo oculto no Brasil. Presidentes caem, mas ela segue mandando – com suas dezenas de investigados, da base à cúpula. Seu próximo feito é escolher o chefe do Executivo.

Não adianta Rodrigo Maia (DEM-RJ) dizer que pediu “apenas” soldados da Força Nacional a Michel Temer. Seu pedido deu a desculpa para um presidente isolado no palácio colocar 1,2 mil homens do Exército na Esplanada a fim de dissolver as manifestações que pedem sua renúncia – e fazer sabe-se lá mais o quê. No papel, a tal Garantia da Lei e da Ordem (GLO) prevê de “dissuasão” a ações de “inteligência” militar. Arapongagem.

A estrela polar | Vinicius de Moraes

Eu vi a estrela polar
Chorando em cima do mar
Eu vi a estrela polar
Nas costas de Portugal!
Desde então não seja Vênus
A mais pura das estrelas
A estrela polar não brilha
Se humilha no firmamento
Parece uma criancinha
Enjeitada pelo frio
Estrelinha franciscana
Teresinha, mariana
Perdida no Pólo Norte
De toda a tristeza humana.

Noel Rosa - João Ninguém

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Opinião do dia – Fernando Henrique Cardoso

Qualquer germe de messianismo é perigoso, porque leva no fundo ao autoritarismo. Se eu sou a verdade e tenho a verdade, então eu vou matar quem não é verdade. A democracia exige aceitar o outro, a diversidade. Você não pode ter a pretensão num ponto de partida de que você tem a pretensão absoluta. Os procuradores que tiverem essa posição são contra a democracia, mesmo que eles não saibam.

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Fernando Henrique Cardoso é sociólogo e ex-presidente da República, em entrevista no programa Canal Livre, da TV Bandeirante, domingo, 21/5/2017.