sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Em Recife, Daniel em dia de 'caciques'


Perto do fim da campanha, Daniel Coelho reúne as “raposas políticas” de sua coligação. Todos destacam sua “independência”

Carolina Albuquerque

Desafiado durante a campanha a mostrar os “caciques” do seu partido, o candidato a prefeito do Recife pelo PSDB, Daniel Coelho, encontrou na reta final o momento perfeito. A vinda do senador e presidenciável Aécio Neves (PSDB) provocou a articulação de um grande palanque montado às pressas, ontem, no Centro, recheado de líderes políticos. O evento foi anunciado com a presença de todos os candidatos a prefeito tucanos da região metropolitana. Porém, com a ausência deles, os holofotes recaíram sobre Daniel.

O terreno estava preparado. As lideranças presentes, com um discurso afinado, faziam questão de pontuar a “independência” do tucano. “A sua responsabilidade é a da sua gente de caminhar com independência e liberdade. Não há força maior do que a consciência livre para escolher o futuro. Não venho aqui achando que possa acrescentar um voto à sua campanha. A sua eleição é da nova política, com consistência, mas sobretudo com independência para fazer o melhor”, bradou Aécio.

Antes da comitiva sair às ruas, o presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra declarou que o evento não produz nenhuma contradição ao discurso de Daniel contra os “poderosos”. “Eu acho que ele pode pedir a quem quiser para falar o que bem entender. Agora o candidato tem que ser ele próprio, seu projeto e sua liderança. Ele vai ganhar por conta dele e do que ele diz”, afirmou.

Já no palanque, ao lado de Guerra, de Aécio e do presidente nacional do PPS, o deputado federal Roberto Freire (SP), Daniel tratou de explicar o papel de cada um na sua candidatura.

Pouco conhecido pela população nordestina, o senador Aécio Neves foi apresentado como um “nobre” exemplo político. “Um exemplo de gestão eficiente não só para o seu Estado, mas para todo o Brasil. E que colocou em primeiro lugar não os interesses dos políticos e da política, mas os do povo. Foi assim que ele concluiu seus oito anos de governo como o governador mais bem avaliado do País. Aécio vem aqui para muito nos mostrar, as mudanças que nós podemos fazer no município”, disse Daniel.

A Guerra creditou a coragem de ter apostado na sua candidatura. “Ele foi essencial para consolidação dessa candidatura. Quando todos acreditavam e achavam que o caminho do PSDB era continuar como acessório, escada para que outros continuassem a governar, Sérgio teve a coragem de renovar”. O mesmo agradecimento foi conferido a Freire e Raul Jungmann, do PPS, coligado com o PSDB.

No seu discurso, o único alvo foi o candidato do PSB, Geraldo Julio. “Quem tem qualquer questionamento contra minha moral, esse palanque ou o PSDB, que faça frente a frente! Nunca me furtei de discutir ou debater qualquer assunto”, provocou Daniel.

Aécio ironiza PT: 'Vocês viram Lula?'

Bastante à vontade, o senador mineiro e principal presidenciável para 2014 do PSDB, Aécio Neves, não se furtou aos questionamentos de âmbito nacional e local. “Não tenho voto para oferecer a Daniel”, disparou.

Aliado do PSB, do governador Eduardo Campos, em Belo Horizonte (MG), por exemplo, Aécio não vê constrangimento em desembarcar no Recife, onde os partidos são rivais. “Ontem, falei com ele. Conversamos mais do que imaginam”. Ao contrário da última vez, em maio, os dois não se encontraram.

Ele condenou as recentes inserções contra Daniel. E ainda provocou: “Vou trabalhar para levar o PT novamente para a oposição. Quem sabe não seja uma boa essa reciclagem? E por falar nisso, vocês não sentiram a falta de Lula aqui no Recife?”

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

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