quarta-feira, 9 de junho de 2010

Adversário agrada tucanos

DEU NO ESTADO DE MINAS

Cúpula do PSDB não admite, mas, nos bastidores, indicação de Hélio Costa para disputar o governo do estado é vista como facilitadora para a formação de alianças pró-Anastasia

Luiz Ribeiro

A escolha do ex-ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB) como candidato a governador da base aliada do presidente Lula em Minas foi festejada por parte do PSDB no estado, devido à interpretação de que a definição do nome do peemedebista vai facilitar o trabalho do ex-governador Aécio Neves na junção de forças em torno da candidatura à reeleição de Antonio Anastasia. Segundo fontes do partido, na segunda-feira, quando houve o anúncio de que Hélio Costa havia vencido a disputa contra o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel na indicação do candidato da coligação PT-PMDB, houve comemoração dos dirigentes tucanos que estavam em Montes Claros, no Norte de Minas, onde participavam de encontro com a presença do pré-candidato a presidente José Serra, do governador Antonio Anastasia e de Aécio Neves.

O comando do PSDB mineiro nega que tenha havido comemoração, mas um deputado estadual da base aliada do governo do estado explica que a escolha de Hélio Costa agradou muito aos tucanos, que temiam que, se o candidato a governador da oposição fosse Fernando Pimentel, ficaria mais difícil a atuação de Aécio na busca de apoio para Anastasia, tendo em vista a relação amistosa entre o ex-prefeito e o ex-governador. Eles estiveram juntos na eleição de 2008, na aliança que elegeu Márcio Lacerda (PSB) prefeito da capital..

Outro aspecto é que, se Pimentel fosse escolhido candidato, seria criado um embaraço também para o prefeito de Belo Horizonte, que tem como vice o petista Roberto Carvalho. “Agora o Márcio Lacerda está livre para apoiar a reeleição do governador Antonio Anastasia, pois, em 2008, Hélio Costa ficou contra sua candidatura e apoiou Leonardo Quintão (PMDB)”, afirmou uma fonte.

O presidente estadual do PSDB, deputado Nárcio Rodrigues, admite que, “em algum setor do partido, pode ter havido alguma comemoração”, mas não na cúpula. “Essa coisa não pode ser tratada assim, como se fosse uma vitória de um time de futebol. Houve apenas a definição de uma candidatura. Agora, sabemos qual é a candidatura adversária e vamos preparar nossa estratégia para enfrentá-la”, afirmou Nárcio.

Por outro lado, ele também recorreu ao futebol para negar que o ninho tucano tenha ficado satisfeito com os desacertos entre o PMDB e o PT, que somente escolheram Hélio Costa depois da interferência das cúpulas nacionais dos dois partidos, com o aval do presidente Lula, a fim de assegurar um palanque único para a presidenciável petista, Dilma Roussef, em Minas. “Ninguém arma seu time pensando no erro do adversário. Estamos preparando nosso time para jogar. Mas é claro que essa definição (do nome de Hélio Costa) permite outras definições”, disse. “Não podemos escolher quem será o melhor ou pior (adversário). A coisa não é colocada nesse patamar. Mas, a partir de agora, vamos articular nossa aliança”, acrescentou.

Na mesma linha, o secretário-geral do PSDB, deputado Rodrigo de Castro, disseque o partido “não tem que avaliar os adversários. Temos que verificar a nossa força e estamos conscientes de que temos condições de vencer”. Mesmo assim, ele faz considerações sobre o desfecho no campo adversário. “Primeiro, no domingo, anunciaram que o candidato a governador seria o Pimentel, tendo como vice Clésio Andrade (PR). Na segunda, comunicaram que o candidato (a governador) era Hélio Costa. Isso causou muita estranheza. Acho que os adversários celebraram o casamento numa capela mortuária”, declarou Castro.

Mais fácil

O Secretário de Estado de Governo, Danilo de Castro, disse ontem, durante a assinatura de convênios entre o governo de Minas e as prefeituras, que, com Hélio Costa encabeçando a chapa (PMDB/PT), será mais fácil trazer outros partidos para apoiar o candidato do PSDB, Antônio Anastasia. “Acredito que, se o candidato fosse do PT, logicamente haveria maior dificuldade para algumas alianças, inclusive o PSB”, afirmou. Ainda de acordo com o secretário, não há data nem definição para a vaga de vice de Anastasia. “Há algumas especulações, mas ainda não existem definições. Isso deverá ser resolvido pelo ex-governador Aécio Neves e pelo governador Antonio Anastásia”.

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