domingo, 25 de abril de 2010

Dilma e Serra já refazem suas estratégias

DEU EM O GLOBO

Tucanos investem sobre políticos de partidos aliados ao PT; petistas tentam reforçar presença de Lula ao lado da candidata

Adriana Vasconcelos e Gerson Camarotti


BRASÍLIA. O afastamento de candidatos de cargos públicos no início do mês, por exigência da lei eleitoral, deu novo ritmo à disputa presidencial e, três semanas depois, já começa a alterar, por motivos distintos, as estratégias de campanha do PT e do PSDB. Sem os holofotes do governo e a companhia permanente do presidente Lula, a candidata do PT, Dilma Rousseff, acabou expondo sua falta de experiência política, trombou com aliados e estacionou nas pesquisas de opinião, interrompendo uma trajetória de crescimento.

Já o PSDB, depois de viver meses de indefinição, conseguiu reequilibrar o jogo da sucessão ao lançar oficialmente a candidatura de José Serra à Presidência.

Os tucanos planejam aproveitar a recuperação de Serra registrada nas últimas pesquisas de intenção de voto divulgadas por Datafolha e Ibope, que lhe garantem vantagem de até dez pontos percentuais, para investir nos aliados da candidata petista.

O PP, por exemplo, seria uma das legendas mais sensíveis às oscilações dos candidatos nas pesquisas. É sintomático o grande número de deputados da legenda que foi visto no gabinete do presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), nas últimas semanas.

Paralelamente a isso, crescem entre os tucanos aqueles que gostariam de ver o presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), como vice de Serra, diante da resistência do ex-governador Aécio Neves. O mineiro, aliás, poderá ter papel fundamental nesta composição, já que Dornelles é seu primo.

Mas o partido só vai decidir em sua convenção de junho. A avaliação entre os tucanos é de que, se o PP ficar neutro, já será uma derrota para Dilma, pois o PT conta com o apoio da legenda.

Petistas já acusaram o golpe.

— O PSDB soltou um balão de ensaio de que o PP iria apoiar Serra. Há problemas em alguns estados, o que diminui as chances de coligação formal com o PP. Também estamos tentando atrair o PTB. Mas está mais difícil.

E nunca tive a ilusão de levar o PMDB inteiro — diz o presidente do PT, José Eduardo Dutra.

— Como temos um número muito maior de aliados, as dificuldades em palanques também são maiores. Serra só tem dois partidos: o PSDB e o DEM, além do PPS, que é um apêndice.

Mas a mudança de comportamento de alguns aliados já preocupa o PT. O ex-governador Anthony Garotinho (PR-RJ), que antes implorava apoio de Dilma na disputa ao governo do Rio, agora já fala em outro tom e dá até ultimato. Ele exige o mesmo tratamento dispensado ao governador Sérgio Cabral, candidato à reeleição pelo PMDB.

O PSDB pretende tirar proveito desses rachas, avançando inclusive sobre o PMDB, aliado preferencial do PT. A situação mais grave da aliança governista é mesmo em Minas, onde o exministro Hélio Costa, que lidera as pesquisas, aguarda o apoio dos petistas. Com dois pré-candidatos ao governo, o ex-ministro Patrus Ananias e o ex-prefeito Fernando Pimentel, o PT planeja fazer prévias antes de iniciar negociação com o PMDB.

Outro alvo dos tucanos é o PSB, que enfrenta uma crise interna diante da pressão do Palácio do Planalto pela saída do deputado Ciro Gomes da disputa.

Se os socialistas, como tudo indica, cederem à vontade de Lula, Ciro promete acatar a decisão do partido, mas as sequelas serão inevitáveis. Que ninguém espere do governador do Ceará, Cid Gomes, irmão de Ciro, o mesmo empenho por Dilma. Pelo contrário, a aposta do PSDB é que Cid fechará uma aliança informal para ajudar a reeleger o senador Tasso Jereissati (PSDB).

— Percebo um ataque especulativo sobre a candidatura de Dilma. O fato é que Dilma não é líder, não passa liderança e sua personalidade não ajuda — diz, otimista, Sérgio Guerra.

A coordenação de campanha de Dilma pensa em mudanças para evitar a estagnação nas pesquisas. Uma nova ofensiva pretende colar novamente a imagem da Dilma à de Lula. Os dois estarão juntos em 1ode Maio, Dia do Trabalho, em evento com sindicatos em São Paulo.

O partido também deve aproveitar o programa do PT, em maio, para lembrar ao eleitor que Dilma é a candidata de Lula.

— Quando começarem os eventos de fim de semana, Lula estará presente. Ele também estará na televisão ao lado de Dilma.

Temos um terço do eleitorado.

Agora, vamos buscar outro terço e boa parte está com os partidos aliados — diz Dutra.

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