segunda-feira, 15 de março de 2010

Correa defende lei de comunicação

DEU EM O GLOBO

Projeto no Equador prevê multas e até cassação de concessões de TVs

Erika Lüters Gamboa e Luciano Riquelme
De El Mercúrio

SANTIAGO. De acordo com pesquisas de opinião, o presidente do Equador, Rafael Correa, conta com a aprovação de 68% da população. Alguns especialistas atribuem essa alta popularidade ao seu desempenho na mídia. O presidente, porém, não mantém uma boa relação com a imprensa do país, que já classificou de "corrupta", "medíocre" e "má intencionada".

- Claramente, na América Latina e, em particular, no Equador, os meios de comunicação são um poder real. O que é equilíbrio de poder para a imprensa? Ela julga, condena, reivindica e destrói, mas com que direito? O poder informativo é imenso e por mais ético que seja, o que não é o caso da maioria da imprensa no Equador, deve haver um contraponto - disse Correa ao jornal chileno "El Mercurio".

No momento, a Assembleia Nacional, de maioria governamental, debate uma nova lei de comunicação, que tem despertado grande polêmica. Se for aprovada, entre as medidas previstas estão sanções contra jornalistas e meios de comunicação, que vão de advertências até a cassação da licença de funcionamento, passando por multas.

- Essa regulação tem que ter embasamento constitucional, respeitando a liberdade de expressão - disse Correa, que no sábado criticou um relatório do Departamento de Estado dos EUA citando casos de abusos aos direitos humanos e à liberdade de expressão no Equador.

A imprensa não é o único setor com o qual o presidente tem embates. Grupos indígenas, que foram seus aliados no início do governo, têm confrontado Correa. Segundo o presidente, só uma confederação nativa, a Conales, se opõe ao seu governo.

- A postura de certos dirigentes indígenas não é reivindicatória, é agenda política. Eles querem ganhar espaço político e como não o conseguiram nas eleições, tentam agir contra o governo - afirmou.

A Conales, que garante representar 35% da população equatoriana, rechaça um projeto de lei defendido por Correa para o manejo de água, advertindo que ele vai permitir a privatização das fontes hídricas do país.

Há dois anos, houve o ataque colombiano a um acampamento de rebeldes das FARC no Equador. Correa faz exigências para que as relações se normalizem.

- Queremos saber como foi esse bombardeio. Foram usadas bombas americanas. Há rumores de que houve a participação de um terceiro país. Também queremos os arquivos dos computadores do local, por uma suposta informação contida neles de que apoiaríamos a guerrilha.

"Zapata não era um preso político e sim um delinquente"

O presidente faz eco ao governo cubano sobre a morte do dissidente Orlando Zapata, após uma greve de fome de 85 dias.

- O próprio Raul Castro me informou que Zapata não era um preso político e sim um delinquente, acusado de vários delitos. Está sendo feita uma grande propaganda com a morte de um dissidente preso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi criticado por não responder a dissidentes que pediam sua intervenção pela vida de Zapata. Correa diz que se manifestaria, mas sob condições.

- Justiça parcial não é justiça. Devemos interceder por todos, mas assim como falamos sobre os supostos presos políticos em Cuba, por que não falamos dos cinco presos em Miami? - disse, referindo-se a cubanos presos há 12 anos nos EUA, acusados de se infiltrar em grupos cubano-americanos.

"El Mercurio" integra o Grupo de Diários América (GDA)

Nenhum comentário: