quinta-feira, 8 de outubro de 2009

As Olimpíadas e Dilma Rousseff como ponte para Lula em 2014

Jarbas de Holanda
Jornalista


Os efeitos da conquista para o Brasil das Olimpíadas de 2016 – que provavelmente se refletirão, em próximas pesquisas de opinião pública, num reforço da já elevadíssima popularidade do presidente Lula – poderão ter peso bem menor ou até pouco relevante daqui a quase um ano na disputa presidencial e nos pleitos estaduais (com exceção do que se realizará no Rio de Janeiro, por razões óbvias). Pois até lá muita água correrá por debaixo das pontes dos processos eleitorais – nos planos da economia, da gestão dos programas governamentais, das alian-ças político-partidárias, das posturas dos presidenciáveis e dos
demais candidatos. Ou seja, o cenário pode mudar bastante até lá.

Mas o enorme impacto dessa conquista – externo (com significativa ampliação do prestígio do Brasil, associado ao de Lula, na comunidade internacional) e interno, pelo amplo reco-
nhecimento social do papel que ele teve na decisão do COI – certamente reanimou ou fortaleceu a aposta dele - sobre a su-cessão presidencial à vista com base numa combinação dessa aposta com o reavivamento ou definição objetiva de projeto pes-soal para o retorno à chefia do governo em 2014.

Eis a combinação: a carta de maior valor que ele poderá usar para a transferência de popularidade para sua candidata – se a estreita vinculação de Dilma ao PAC, ao “Minha Casa, Mi-nha Vida”, aos bons indicadores econômicos e sociais e à bateria de programas assistencialistas, bem como mais recentemente ao pré-sal, não for suficiente para isso – tal carta será a de que uma vitória dela, tanto ou mais que a garantia de continuidade das políticas lulistas, constituirá o caminho, ou uma ponte para sua volta à presidência em 2014, inclusive para que comande a realização das Olimpíadas de 2016. Argumento ou
apelo que os demais candidatos tratarão de desqualificar, caracterizando a beneficiária como alguém sem personalidade própria ou mero instrumento de seu apoiador. Mas que servirá, também, ao plano do Palácio do Planalto de subordinar a disputa presidencial de 2010 a um plebiscito sobre o lulismo. Plano enfraquecido pela emergência das pré-candidaturas de Marina Silva e Ciro Gomes, e retomado agora com os novos ingredientes do
pré-sal e, sobretudo, das Olimpíadas.

O receio do descontrole das contas públicas e a euforia econômica

O grande impacto da escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 reduziu o peso ganho na mídia da semana passada pelas apreensões do mercado financeiro e de
muitos analistas econômicos com um horizonte dominado pela necessidade de significativa elevação dos juros básicos, já a partir dos meados de 2010, e, depois das eleições, por novo incremento da carga tributária e pela mistura de cortes de investimentos e calote de dívidas do governo federal. Como respostas à queda de receita, ao longo de 2009, e à escalada de gastos, em andamento. Essas apreensões foram reforçadas por relatório do Banco Central que qualificou de “insustentável” a política fiscal que está sendo praticada. O que suscitou forte contestação por parte do ministério da Fazenda.

A perda do relevo jornalístico atribuído a tais receios deve-se basicamente ao impacto do anúncio “olímpico” e a uma bateria de boas notícias e de fatos importantes para a economia brasileira. Desencadeados pela perspectiva de vultosos investimentos – sobretudo na área de infraestrutura e em hotelaria – a serem feitos no Rio, e seguidos pela oferta de ações do Santander (numa grande operação que movimenta cerca de R$ 14 bilhões, boa parte de investidores externos), pela excelente repercussão do empréstimo do Brasil ao FMI, pelo aumento da cotação internacional de nossas commodities minerais e por muitos novos
negócios dos agentes econômicos. Tudo isso refletindo-se numa recuperação do Ibovespa para mais de 62 mil pontos.

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